Ponto Vermelho
Boas perspectivas
4 de Abril de 2014
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Nesta maratona de jogos que tem afectado o Benfica (pelas melhores razões evidentemente), a 1.ª Mão dos quartos-de-final da Liga Europa a disputar no terreno do AZ Alkmaar encerrava alguns desafios adicionais. Em primeiro lugar pelo facto dos encarnados nunca terem vencido na Holanda no consulado de 5 épocas de Jorge Jesus, em segundo porque embora o AZ não fosse uma equipa de 1.º plano e ocupasse um modesto 7.º lugar no campeonato holandês tido para alguns como demasiado romântico, a sua carreira na prova europeia tem sido algo fulgurante o que justifica a sua presença nesta altura adiantada da prova. E, por último, porque as mexidas de que a imprensa ia dando conta levantavam a interrogação sobre a capacidade de resposta dos encarnados depois do susto do jogo anterior com o Tottenham.

Desta vez não, pois Jorge Jesus foi mais modesto provocando apenas 4 alterações que acabaram por ser 5 devido à infelicidade registada com Rúben Amorim que se lesionou ainda durante a primeira parte aparentemente sem a gravidade que se chegou a temer. Depois de uns momentos iniciais de estudo, a equipa do AZ Akmaar perante a passividade dos jogadores encarnados que, tal como no Dragão, voltaram a entrar com demasiada lentidão no desafio e, não fossem duas magníficas defesas do guarda-redes Artur, os holandeses teriam inaugurado o marcador que poderia ter complicado a tarefa do Benfica. Decorreram assim os primeiros vinte minutos sem que os encarnados conseguissem ligar o seu jogo e criar perigo na frente dada a rapidez com que os jogadores holandeses abordavam cada jogada e na pressão que exerciam sobre os jogadores benfiquistas.

Passado esse período que fez perigar a baliza encarnada, de forma gradual os jogadores do Benfica foram subindo de rendimento, passaram a exercer maior pressão e a trocar melhor a bola e as melhorias começaram a ser evidentes. Com Rúben Amorim a ser forçado a abandonar o desafio e sem Fejsa e Enzo Pérez, chegou-se por momentos a recear algumas complicações naquela zona nevrálgica do campo com natural influência nas restantes. Não porque o seu substituto André Almeida não fosse capaz de desempenhar a tarefa com zelo e dedicação, mas devido essencialmente a uma eventual falta de ritmo por há muito não fazer parte das escolhas do treinador quer como titular quer como suplente utilizado. Receios afinal sem justificação dado que o jovem teve uma prestação sem mácula e soube transmitir a necessária solidez ao meio-campo defensivo encarnado.

Na etapa complementar cedo se percebeu que o Benfica estava de volta às suas prestações normais que se pautam pelo controlo de jogo, sucessivas trocas de bola e partida para o ataque onde Rodrigo e Gaitán em grande estilo e Salvio (primeiros 90 minutos completos depois da lesão prolongada) a dar indícios de estar de regresso à forma que o notabilizou, começaram a levar cada vez maior perigo à baliza do guarda-redes holandês. E com o golo obtido tudo se tornou mais fácil. Continua, todavia, a pecha que se tem verificado noutros encontros de sucessivas oportunidades falhadas, aliada à demasiada parcimónia na altura do remate que invalida mais situações de perigo e quiçá de golos o que pode vir a ser complicado sobretudo em jogos em que as oportunidades de concretização sejam mais escassas. De resto, o calculismo e o controlo do costume perante um resultado tangencial que cria alguma desestabilização na mente dos adeptos sempre receosos que os adversários possam empatar numa falha ou nalgum lance de bola parada.

Percebemos que tenha sido reafirmado o enfoque no campeonato. Outra coisa não seria de esperar enquanto não houver maior clarificação. Os 7 (+1) pontos de avanço, sendo uma almofada tranquila, não podem provocar em circunstância alguma adormecimento. Mas com o esgotar das jornadas e com as outras provas a entrarem também em fase decisiva, quer-nos parecer que poderão ser equacionadas correcções de trajectória, dado que existindo boas perspectivas e condições, há que aumentar o grau de risco desde que obviamente não seja posto em causa o objectivo prioritário de vencer o campeonato. Não queremos, de modo nenhum, adaptar aqui a expressão do quien todo lo quiere… porque acreditamos plenamente que a história não tende a repetir-se. E recordamos que o presidente encarnado na altura da controversa renovação de Jesus manifestou a intenção de que pretendia uma época semelhante à anterior, com, apenas, um final diferente…










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