Ponto Vermelho
Entretenimentos…
5 de Abril de 2014
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”Muitos são orgulhosos por causa daquilo que sabem; face ao que não sabem, são arrogantes”.-Johann Goethe

1. Nesta imensidão de fait divers em que se transformou a sociedade e o Futebol português, tudo o que acontece de grave parece ser uma inevitabilidade e, por via disso, encarado como mais um caso a juntar a tantos outros que de tão recorrentes, acabam por se diluir na voracidade dos tempos. É por isso que desde há algum tempo quando o ministro primeiro faz uma declaração pública, o povo português sabe de antemão que o que irá acontecer é tendencialmente o contrário. A realidade de agora, poderá já não ser a mesma daqui a 3 horas e muito menos a de logo ou de a amanhã. Mas sempre com agravamento…

2. O futebol em nada difere. Com a Direcção da Liga em fim de linha e com um séquito de oponentes tristes e cristalizados a insistirem na política de terra queimada em vez de começarem a discutir os verdadeiros interesses do futebol, ganhou foros de incrível a anedota de sucesso mundial associada à sua reunião num bomba de gasolina. Longe vão os tempos das reuniões de fim de semana em hotéis de luxo com actividades de lazer incluídas no programa para descontrair… Mas na substância nada mudou (como poderia se as personagens são as mesmas?), discutindo-se apenas nomes e lugares como nos bons velhos tempos. Afinal nem tudo se alterou…

3. A estranheza não advém do facto de continuarem a fazer o mesmo de sempre. As interrogações derivam apenas do mesmo lhes ser permitido. A Federação, como entidade com responsabilidades directas no futebol, já deveria ter intervido no sentido de chamar a atenção dos beligerantes e como não o fez, a dupla que ocupa o cadeirão do poder na tutela deveria ter chamado a si a responsabilidade de o fazer. Mas, infelizmente como é prática, ambas se têm remetido a um silêncio comprometido e com isso todos perdem; os clubes em primeira instância, o futebol e a imagem do País que fica mais deteriorada. Neste caso o silêncio é de latão. O que nos vale é que a UEFA e a FIFA há muito se habituaram à nossa bagunça. Mas atenção aos novos episódios…

4. Noutra frente, com a questão dos dois primeiros lugares do campeonato aparentemente resolvida, temos assistido a outra fase de entretenimento com frequentes petições relacionadas com a convocação final de jogadores que irão ao Brasil representar a Selecção Nacional. Compreende-se que está na altura de se meter uma cunha e por isso não se estranham as movimentações. Mas, curiosamente, elas têm incidido praticamente apenas sobre um jogador – Ricardo Quaresma – o que não deixa de ser sintomático sobre as motivações do nosso futebol. Perdemos demasiado tempo com a árvore em vez de nos concentrarmos na floresta. Dito de outra maneira, os interesses clubísticos continuam a sobrepôr-se aos interesses globais.

5. Como adeptos do futebol mesmo que de um clube rival, sempre que estejam em causa interesses nacionais, as nossas fronteiras não ficam circunscritas. Apesar de sabermos que os adeptos do futebol na sua generalidade apenas olham com olhos de ver para a Selecção no caso de nela haver jogadores do clube do seu coração. Não é, todavia, o nosso entendimento. Isso permite-nos olhar com algum distanciamento para o caso que está na berra podendo opinar com a consciência de não sermos influenciados pelo facto de ele militar no maior rival do Benfica.

6. É indiscutível que em termos de qualidade técnica, Quaresma é um jogador de elevada craveira. Mas devemos avaliar um jogador apenas por essa importantíssima faceta, ou devemos avaliá-lo no seu todo num momento em que as câmaras de TV tudo esquadrinham desde padrões de comportamento a situações de intimidade pessoal como uma simples pastilha elástica? Neste ponto certamente teremos opiniões divididas. Porque a Selecção é muito mais do que um clube e estará presente num evento de grande dimensão planetária onde tudo o que seja feito de positivo ou negativo por qualquer jogador, treinador ou dirigente terá repercussões e afectará nos dois sentidos a imagem de Portugal. Se fizermos uma retrospectiva do passado do jogador a sua imagem não é de forma nenhuma abonatória. Compete por isso ao seleccionador pesar os prós e os contras caso entenda que Quaresma poderá ser útil no Brasil. Agora o que não aceitamos é a rábula da Choupana, a arengada de Pinto da Costa e a simulação de castigo do C.D por serem demasiado deprimentes. Justiça é punir os culpados. E neste caso, como em muitos outros, parece só ter havido inocentes








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