Ponto Vermelho
Evolução de possibilidades…
6 de Abril de 2014
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«O que é absurdo, e que não é, pode ser apenas uma questão de perspectiva»-Gary Zukav

1. Muito se tem escrito e perspectivado sobre a evolução do Sporting na presente temporada. Não fosse a natural superioridade do Benfica e poder-se-ia afirmar sem receio de desmentido que o grémio de Alvalade era o grande campeão da presente temporada apesar de, salvo qualquer cataclismo impensável, ter apenas o 2.º lugar no horizonte e ter sido eliminado de todas as outras provas. A esse facto não é alheia a sua forte recuperação desportiva que por inesperada, acabou por surpreender toda a gente até mesmo o mais optimista dos adeptos leoninos. Para os adeptos do futebol em geral é pois tempo de saudar o leão por vê-lo a dar os primeiros passos na antecâmara das decisões, porque isso pode significar um regresso aos palcos de onde tem andado arredio.

2. Para além do indiscutível mérito leonino, não podemos esquecer o esforço que o enxame de apaniguados tem desenvolvido em todos os fóruns e na comunicação social e, também, de alguns profissionais que gostam de se apresentar como pseudo-independentes mas que dão uma no cravo e outra na ferradura para manter o equilíbrio e se têm igualmente esmerado na função. Dizer desportivamente bem do Sporting esta época recolhe aplausos fáceis e não merece contestação. É uma questão de estar na moda tal como acontece com muitas outras situações da vida quotidiana. É preciso acompanhar as tendências e o que é novidade é mais facilmente vendável…

3. Fica de fora a algazarra sistemática sobre a arbitragem, uma questão que passou a constituir imagem de marca de Alvalade. Mas também aqui e aparte razões substantivas com algumas situações que infelizmente são recorrentes no panorama do nosso futebol, o impacto tendeu a diluir-se por ser recorrente e revelar-se de algum modo incongruente se considerarmos que nestas situações há sempre dois lados a considerar. E quando apenas o haver é evocado, a tese deixa de ser credível aos olhos de quem analisa fora do universo dos mais fanáticos leoninos que dão o melhor de si próprios na defesa de factos demasiado controversos em que alguns até não acreditam.

4. As mensagens para serem eficazes e não banalizarem o discurso não podem correr o risco de constante repetição. E desde Março do ano passado que tem havido desdobramentos do principal responsável leonino com tiques, atitudes e comportamentos que não são mais do que meras repetições de ocorrências algo bolorentas do passado que reafirma a cada passo querer combater. Mina assim a sua própria credibilidade e o impulso para a tão desejada mudança dos parâmetros do futebol português perde força. Para desajolar múmias cristalizadas pela sua solidificação de muitos anos no poder, é preciso mais do que bravatas discursivas ou simples comunicados que poderão entusiasmar os adeptos leoninos e fazer furor nas capas dos media, mas muito pouco de concreto transmitem à causa objectivada.

5. Os problemas do Futebol português não se resolvem com novos Dom Quixotes mas sim com acções concertadas que ganhem o apoio de uma base alargada de agentes. Mais do que tentar afastar os intervenientes que distribuem as migalhas pelo séquito de fiéis que gravita à volta da mesa do banquete como estão a fazer os revolucionários de bombas de gasolina, é preciso congregar esforços tentando envolver o maior número possível de clubes e de agentes do futebol tendo em conta que o objectivo principal é eliminar de vez o controlo espúrio exercido por uma minoria que apenas pensa nos seus interesses, democratizando e colocando o futebol ao serviço de todos sem excepção.

6. Se se percebe de algum modo que Bruno de Carvalho devido aos anos de obscuridade e de falta de intervenção que caracterizaram o Sporting dos últimos anos queira marcar posição e definir os pontos e timings de agenda, é preciso sublinhar que a vastidão de problemas do futebol português para além daqueles com que ele próprio se confronta, deviam levá-lo a ponderar de forma mais calma e tranquila essa questão fulcral, dado que não pode cair na tentação de pensar que o barulho que se tem gerado à sua volta é sinónimo de que sozinho contra o mundo pode mudar tudo num cenário sobremaneira adverso. Há ideias que poderão ser aproveitadas mas para isso as alianças não são imprescindíveis, basta que sejam reunidos consensos. De preferência alargados.








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