Ponto Vermelho
Apertos: realidade ou ficção?
7 de Abril de 2014
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Independentemente da pressão normal de ganhar os jogos que existe em todas as equipas de alta competição, há uma pressão acrescida alimentada pela comunicação social. Um facto que tem que ser encarado de forma tranquila e natural porque destinando-se as notícias, os comentários ou simples bitaites ao grande público, a forma como são apresentados é muito importante na forma como a maior parte da opinião pública os encara e do grau de aceitação que a mesma lhes tributa. E havendo especulação pouca ou muita em função do órgão e do profissional que os veicula, é certo e sabido que sofre ampliação à medida que muitos os absorvem ainda que nem sempre os interpretem de forma correcta, resolvendo sem fundamento acrescentar-lhes um ponto e contribuir para a especulação.

Nesta diversidade de interpretações (e de interesses) situa-se a presente situação do campeonato e a própria época desportiva, em que os feitos e os falhanços são analisados de forma difusa e sofrem abastardamentos consoante os ângulos de observação e a seriedade intelectual dos envolvidos. O clubismo, por mais exacerbado que seja, não devia poder escamotear factos essenciais que revelam a verdade implícita e muito menos a realidade indiscutível. Infelizmente, como temos oportunidade de constatar a cada passo, a adulteração e a manipulação dos factos consagra o princípio abusivo de que tudo vale para que a parcialidade de interesses se sobreponha à verdadeira essência das ocorrências e da própria história dos factos em presença.

Vista por este prisma, há quem queira vender uma diferente realidade do Benfica. Não estamos a falar de franjas radicais sem expressão que existem por todo o lado mesmo no próprio universo encarnado e motivam notícias enternecedoras de alguns articulistas, mas de pessoas que deviam albergar algum grau de credibilidade porque, mal ou bem, melhor ou pior, se apresentam de forma regular ao grande público como paladinos da verdade. Como se esta tivesse carácter de exclusividade e o contraditório não fosse um facto inquestionável. É afinal tudo uma questão de expressão e afirmação públicas em que quem atira a primeira pedra mesmo que falhe redondamente o alvo, fica sempre em vantagem mesmo depois das correcções ou desmentidos.

Neste preciso momento dos chamados clubes grandes quem está por cima e quem está por baixo? Diferentes pontos de vista levam a que um espectador imparcial fique algo confuso. A questão encerra alguma simplicidade porquanto estamos numa fase de decisões em que a imaginação, sobretudo se for fértil, permite uma diversidade de conclusões mesmo que sujeitas a radicais alterações. A incerteza do futebol é uma tese sempre actual e leva a que eventuais certezas possam, num ápice, sofrer transformações impensáveis que levam a que tudo se direccione num sentido tido como altamente improvável.

É por isso que a encaminhada vitória do Benfica no campeonato se deve à vastidão do seu plantel tão intensamente criticada na primeira metade da época, o falhanço do FC Porto no assalto ao penta como um erro de casting na escolha do treinador do ex-infalível Pinto da Costa, e a metamorfose do Sporting como uma consequência da visão de longo alcance de um dos presidentes que mais receios causou à massa crítica dos corredores de Alvalade no início das suas funções e mesmo durante o primeiro terço do consulado. Basta recordar aos entusiastas de agora, aquilo que dele disseram e escreveram por essa altura em que fervilhavam todos os receios e todas as desconfianças.

Já não falta muito para se poder conferir com exactidão o que a temporada nos reserva. E acabar de vez ou manter a pressão daqueles que olhando para cima e para baixo, para além do cansaço, não correm o risco de se dispersarem porque os objectivos estreitaram-se de tal maneira que, salvo imponderáveis, apenas fazem parte do seu imaginário, ainda que mantenha as tropas em estado de alerta. Imaginar um objectivo mesmo que ficcionado e remotamente atingível também ajuda à moralização. Os resultados já alcançados, depois da tempestade, configuram-se como um facto de indiscutível significado.

Estando o Sporting já confortável e sem muito mais a aspirar, objectivos significativos estão na rota do FC Porto. Com o campeonato perdido resta-lhe a Liga Europa e as Taças de Portugal e da Liga (caso se conclua esta temporada) o que, convenhamos, é aliciante. Caso venha a ter êxito, pode desmentir todos aqueles que se apressaram a opinar sobre uma época perdida. O Benfica tudo perspectiva e pode, desta vez, ter um final épico. As possibilidades estão em aberto e não acreditamos que se repitam os efeitos do passado recente. Aguardemos pois com a convicção de que tudo será feito para que se atinja esse desiderato. Se vai ser (e o que vai ser) é uma expectativa que devemos alimentar, pois já não falta muito tempo para o epílogo...






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