Ponto Vermelho
A verdade desportiva
9 de Abril de 2014
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1. A verdade desportiva a que temos com alguma frequência aludido, pelo que se pode abservar, tem significados díspares em função de quem a ela faz referência, normalmente em situações de desespero de causa quando há ostensivo prejuízo directo ou quando os seus adversários usufruem de benesses. Ou quando tal não resulta de ocorrências pontuais mas de factos repetidos demasiado evidentes para passarem despercebidos aos olhos de pessoas que não se circunscrevem à simples condição de adeptos clubistas e são em primeira instância adeptos do futebol transparente.

2. Durante as últimas três décadas os adeptos do futebol têm presenciado os mais incríveis despautérios no mundo do futebol em que o denominador comum foi, invariavelmente, o FC Porto como clube-pivot do Sistema. Muitas das vitórias alcançadas foram consequência directa da criação de condições para que surgisse vincado o mérito em contraponto com a inabilidade, o demérito e, porque não dizê-lo, a inércia resultante de algum receio de enfrentar o monstro. Essa conjugação de factores acabou por quase perpetuar essa situação deprimente que teve o seu interlúdio quando alguém com coragem disse basta!

3. Como em todas as situações do género nunca é possível atingir em plenitude o âmago da questão. Organizações do tipo das que têm vigorado e que foram paciente e laboriosamente construídas não são facilmente desmanteladas dadas as suas variadas ramificações. Para além de que, quem as confronta, sofre de imediato ataques da contra-informação que devido aos meios que tem ao seu dispôr é por norma eficaz na mensagem de descredibilização que quer passar dos adversários. E como a opinião pública é permeável e flutuante, uma parte importante do trabalho acaba por ter êxito.

4. Só que a divulgação das escutas telefónicas em que pela primeira vez qualquer interessado pôde ouvir e constatar sem restricções a podridão do Sistema, aumentou exponencialmente o número de pessoas que deixaram de crer que tudo o que ouviam em surdina era muito mais do que mera ficção. E nem o facto de através dos habituais expedientes processuais essas provas esmagadoras não terem sido validadas diminuiu a importância do Sistema ter sido exposto de forma quase irreversível. Ainda que os seus alicerces algo abalados não tenham sido destruídos na substância e na sua essência perversa.

5. Não caindo no aspecto lírico, todos sabemos que em cada campeonato existem erros que redundam em prejuízos e benefícios de alguém. Todos os cometem, dos dirigentes a treinadores, dos jogadores aos árbitros e aos órgãos de justiça desportiva. No entanto, são os dos árbitros que sempre ressaltaram, por em muitas circunstâncias serem grosseiros, recorrentes e com a coincidência manifesta de no binómio benefícios-prejuízos haver sempre os mesmos clubes envolvidos, resultando daí que por mais mérito que o vencedor tenha tido, os seus êxitos estão sempre invariavelmente associados à inverdade desportiva tal como ela é genericamente entendida.

6. Foi durante muito tempo glosada a vários níveis a argumentação dos queixosos. Dizia-se com frequência com o apoio de alguns plumitivos, que isso era uma ladainha para esconder o fracasso dos treinadores e sobretudo dos dirigentes perante os seus associados. E no auge da excitação irónica até foram apelidados de burros numa alusão a uma característica vulgarmente atribuída aos simpáticos quadrúpedes mas que verdadeiramente estes não possuem. Velhas divagações que já tiveram a sua época de ouro mas que hoje em dia não passam de meras recordações de um passado que nunca devia ter acontecido.

7. A vida em si encerra os factos e as situações mais inesperadas. Não é que, mais depressa do que provavelmente julgavam, os citadores de burros assumiram eles próprios essa condição? O que demonstra que, ainda que lentamente, algo está a mudar pois já não são sempre os mesmos a assumirem esse papel, muito embora existam agora por aí alguns cheios de energia que prometem dar uma nova vida a essa questão. É verdade que a justiça, a verdade desportiva, a ética e os comportamentos continuam longe do desejável mas com estes protagonistas será impossível dar a volta ao texto. E as últimas decisões e não decisões ilustram bem o ponto atrasado em que ainda estamos. A hilariante e bizarra decisão do C.J. na Taça da Liga, a estranha análise ao comportamento de Quaresma na Choupana e a atitude inqualificável dos jogadores da equipa B portista no Estádio de S. Luís em Faro, continuam a demonstrar que, mau grado todas as nuances, o FC Porto ainda continua a viver num mundo à parte…






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