Ponto Vermelho
Expectativas ao rubro
11 de Abril de 2014
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Começamos pela situação mais triste: o nosso excelente jogador Sílvio logo no início do desafio de ontem acabou por contrair uma lesão grave (fractura da tíbia e do perónio) numa jogada em que interviram um jogador holandês e o capitão Luisão e que, a exemplo de Salvio, o irá manter afastado dos relvados por largos meses. É realmente triste constatar o azar que tem perseguido o jogador e que o tem atingido com sucessivas lesões. Desta vez Sílvio estava a atravessar provavelmente a sua melhor forma de sempre, era uma peça de grande importância para os encarnados no que resta da época e alimentava todas as esperanças de ser convocado por Paulo Bento para a fase final do Mundial dada a sua polivalência nos dois flancos defensivos. Aconteceu, é futebol, e aqui lhe deixamos uma mensagem de ânimo e de esperança para a sua recuperação.

Aquele foi de longe o pior acontecimento da noite de ontem, quando tudo o resto correu bem com os adeptos em geral e as claques em particular a incentivarem os jogadores durante todo o desafio, transmitindo para dentro das quatro linhas um lenitivo poderoso para que os objectivos fossem atingidos. Nessa linha até os boys dos petardos meteram folga e cumpriram com distinção os pedidos da organização, o que significa que são capazes de ser assertivos nesse particular. Apesar de que o que (não) aconteceu ontem ser afinal um facto normalíssimo, deixamos também aqui esse registo pois os factos positivos também deverão ser realçados. Esperamos que seja para continuar. Não fosse a lesão grave de Sílvio e teria sido uma noite perfeita.

Quanto ao jogo em si, terá sido porventura um dos jogos mais tranquilos que o Benfica efectuou ultimamente para as competições europeias pelo menos nesta altura adiantada da época onde é suposto encontrar adversários mais complicados. Tal como tinha acontecido no jogo da 1.ª mão, o AZ Alkmaar voltou a demonstrar que se trata de uma equipa com bom índice técnico mas algo inofensiva nos outros aspectos do jogo, tal como é aliás normal na maioria das equipas do campeonato holandês. Mau grado isso, a equipa tem valor e demonstrou-o através de uma caminhada deveras interessante na Liga Europa onde foi ultrapassando sucessivamente os adversários que encontrou pelo caminho até ter surgido o Benfica que lhe é francamente superior.

Os acontecimentos de um passado ainda fresco e as consequências que provocaram no espírito de muitos benfiquistas continuam a fazer-se ainda sentir. E os minutos finais do jogo na recepção ao Tottenham (equipa de facto superior ao AZ) voltaram de algum modo a estar presentes no desafio de ontem com alguns adeptos a recearem que voltasse a acontecer uma situação do mesmo género, ainda que a diferença de potencial entre as duas equipas fosse realmente acentuado. E, ou muito nos enganamos, ou os mais pessimistas só terão descansado quando o Benfica concretizou o 2.º golo. E as notícias que íam chegando com o Sevilha a encostar o FC Porto às cordas em meia-hora e o Valência a recuperar da enorme desvantagem trazida de Basileia davam de alguma forma razão a todos os que desconfiam até ao fim.

Numa exibição calma, o Benfica expressou a sua natural superioridade. Sem pressas, esperando por uma falha ou por um momento de inspiração, os encarnados não apressaram o resultado mas em simultâneo também não correram grandes riscos com Eduardo Salvio a confirmar de novo que pode fazer a diferença em qualquer momento do jogo. Se isso parece um facto indiscutível num momento que vem mesmo a calhar, Óscar Cardozo continua ansioso e à procura de um golo de bola corrida que o restitua à sua condição natural de goleador. Ontem não lhe faltaram oportunidades para concretizar mas cedo se percebeu que não era a sua noite. Fica para a próxima, sendo que os goleadores surgem quando menos se espera.

Surge agora no horizonte a Juventus, como poderia ter surgido o Sevilha ou o Valência. O grau de dificuldade aumenta mas antes disso, temos o Arouca para o campeonato, e logo a seguir o FC Porto para a Taça de Portugal. Um de cada vez. À medida que o ciclo decisivo se aproxima crescem as expectativas porque há muito a ganhar… e a perder. Mas não criemos factores de dispersão antecipando jogos posteriores. Pensemos apenas e só no Arouca (que não esqueçamos nos roubou dois pontos na Luz) porque os outros jogos, quaisquer que eles sejam, só terão lugar depois desse. Nunca a tese do jogo a jogo fez tanto sentido como agora.

PS: Chapeau para os mais jovens que conseguiram um resultado magnífico em Nyon. Alcançar a final não é para todos e já agora vamos aguardar por 2.ª Feira!








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