Ponto Vermelho
Inquestionável
15 de Abril de 2014
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Concluiu-se em Nyon bem pertinho da Sede da UEFA, a 1.ª edição da Youth League que em boa hora aquela entidade que gere o futebol europeu se lembrou de organizar. A despeito de ser uma prova sem tradições, verificou-se que a mesma acabou por despertar o interesse generalizado do Mundo do futebol e dos media ou não estivéssemos a falar de futuros craques do amanhã. Que, pelo que se pôde observar, estão a emergir e a aguardar confirmação do potencial que demonstraram. Para a história fica o registo que o Barcelona foi o primeiro clube a inscrever o seu nome como vencedor do troféu entregue pelo antigo Presidente da UEFA, o sueco Lennart Johanson.

Esta prova para jogadores Sub-19 foi também acompanhada com atenção pelos portugueses sobretudo pelos adeptos benfiquistas. Nele participaram duas equipas de juniores portuguesas – o FC Porto eliminado na fase de Grupos, e o Benfica que disputou a final com a equipa da cidade Condal. Mais uma vez o futebol ibérico saíu prestigiado e provou que se trabalha bem numa das áreas mais sensíveis do futebol – a da Formação. Para a generalidade dos observadores se a carreira do Barcelona não surpreendeu por confirmar que na actualidade se trata da mais profíqua academia do Mundo, a performance do Benfica terá causado alguma surpresa embora se saiba que não foi fruto do acaso nem da sorte mas sim de um desenvolvimento sustentado do laboratório do Campus no Seixal.

O entusiasmo gerado não pode apenas ser encarado como uma situação momentânea em que o destaque prevaleceu. É de bom tom afirmar-se que os clubes portugueses têm que apostar na formação. No Benfica, olhando para trás, constatamos que este importante sector formativo que tão bons frutos tinha dado no passado acabou por na prática desaparecer do mapa em finais do século como consequência da política seguida e das tremendas dificuldades sentida pelo Clube que culminaram com o consulado de José Vale e Azevedo. As estruturas foram objectivamente desmanteladas e o trabalho acabou por se perder, sendo depois necessário partir do zero.

Implementar e desenvolver um Sector de Formação nas circunstâncias de então não foi tarefa fácil. Sobretudo quando as instalações e os recursos escasseavam. Para além de toda uma estrutura que é necessário montar e consolidar que obriga a canalizar fortes investimentos quase nunca disponíveis. E porque, depois do arranque, mesmo que se trabalhe de forma intensa, os resultados não surgem de imediato e levam anos até ser atingida a velocidade de cruzeiro, sabendo-se que os eventuais destaques emergentes não se fabricam em laboratório mas desenvolvem-se e aperfeiçoam-se. Mas para que isso aconteça, é necessário que os mesmos apareçam ou sejam detectados e revelem o talento mínimo necessário pois sem isso nada feito.

Com o Seixal, a aposta estratégica do Presidente encarnado e com os indispensáveis anos de maturação e de intenso trabalho da vasta equipa que diariamente desenvolve o seu trabalho no Seixal e por esse mundo fora, já começaram a emergir os primeiros frutos na área. Sendo uma tarefa essencialmente formativa (do atleta e do homem), a mesma está a ser desenvolvida de forma transversal. E, se há dois anos já tinha havido indícios, na última temporada começaram a surgir as confirmações, estando a acontecer que na presente as equipas dos vários escalões seguem bem classificadas quando já se estão a disputar as respectivas fases finais, já sem falar nas Selecções. E, pela primeira vez, foi alienado o passe de um jogador oriundo da área.

Não nos surpreende por isso a carreira da equipa de Juniores na Europa onde demonstrou que depois de uma carreira sem mácula na Fase de Grupos e nas eliminatórias tinha condições para ombrear taco a taco com o seu reputado adversário, falhando apenas nos pormenores e demonstrando a velha pecha dos portugueses no capítulo da concretização. Estão por isso todos de parabéns. As expectativas e a responsabilidade aumentaram agora, tendo também em conta as afirmações de Luís Filipe Vieira sobre um melhor aproveitamento dos jogadores da Formação, considerando que à luz da política que tem vindo a ser seguida de apetrechamento da equipa principal os tempos que aí vêm poderão vir a revelar-se complicados. E, fundamentalmente, porque é preciso corresponder às expectativas e motivar os jovens que aspiram a uma carreira no Clube ao mais alto nível. É um tema que já deve estar a merecer reflexão, pelo que se aguardam desenvolvimentos. Sem precipitações mas com coerência.








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