Ponto Vermelho
Final da Taça de Portugal carimbada
17 de Abril de 2014
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1. Sem dúvida que o Benfica-FC Porto de ontem por tratar-se de um jogo rodeado de alguns circunstancialismos, não parecia despertar um interesse desmesurado ainda que a organização do jogo esperasse uma boa casa. Mas, à partida, longe daquela euforia que seria suposto mobilizar os adeptos benfiquistas a atravessar uma fase de grandes expectativas com a conquista do campeonato a aproximar-se e com legítimas ambições nas outras provas. E, tendo sido aquele definido como factor prioritário, os adeptos ter-se-ão reservado para Domingo. Até porque sendo o jogo da Taça à noite e num dia de semana, era desde logo natural que muitos não pudessem comparecer. Sem esquecer, concerteza, a crise financeira que atravessa grande parte dos lares portugueses e que leva as pessoas a definirem, naturalmente, as necessidades básicas como primeira grande prioridade.

2. Provavelmente, o facto do FC Porto trazer na bagagem um importante golo a solo e estarem anunciadas algumas baixas importantes no xadrez encarnado, terá conduzido os adeptos e simpatizantes benfiquistas mais pessimistas à conclusão de que o FC Porto teria mais hipóteses de carimbar a sua passagem para a final do Jamor. Cedo se percebeu que o inevitável Pedro Proença (amanhã olharemos para alguns aspectos), se iria candidatar ao lugar de actor principal. Para mal dos intervenientes no relvado, do espectáculo, dos espectadores que pagaram bilhete e dos que assistiram pela televisão. Aos 27 minutos de jogo da primeira parte com a expulsão de Guilherme Siqueira por duplo amarelo, os mais pessimistas deverão ter pensado que tinham feito bem em não se terem deslocado ao Estádio. Um rebate falso e precipitado como depois se constataria, com a Luz a viver no final uma das mais exuberantes manifestações dos adeptos e da própria estrutura da equipa nos últimos tempos.

3. Embora seja difícil avaliar, não terá sido apenas o apuramento para a final do Jamor que terá provocado todo aquele tipo de reacções expontâneas e efusivas. Terá sido, sobretudo, a maneira como aconteceu, numa réplica de compensação ao contrário do ocorrido há um ano atrás no Dragão. Com efeito, a partir dos 27 minutos de jogo quando o Benfica passou a jogar em inferioridade numérica com um resultado que empatava a eliminatória e logo depois no recomeço quando Varela empatou o jogo e obrigava os encarnados a marcarem dois golos sem sofrer nenhum, terão pensado os jogadores portistas e a grande maioria dos adeptos dos dois lados que a eliminatória estava, irreversivelmente, resolvida. Que era tudo uma questão de deixar passar o tempo. Só que os jogadores encarnados como se veio a demonstrar depois, não estavam minimamente pelos ajustes.

4. O incansável Enzo Pérez sintetizou no final da partida a reacção dos jogadores benfiquistas ao referir que foram buscar forças até onde não pensavam tê-las. Parece-nos o sentimento mais adequado à situação, dado que não é todos os dias que com menos um elemento uma equipa consegue o apuramento naquelas circunstâncias perante outra equipa de grande valor. Foi o renascer da velha mística benfiquista em que primeiro os jogadores, e depois estes e os adeptos, transformaram uma eliminatória perdida num apuramento épico. Para além do mais, isto só é possível quando existe um forte e saudável balneário em que todos são solidários e remam para o mesmo lado levando até os mais cépticos a acreditar. Se há momentos em os benfiquistas se devem sentir orgulhosos da sua equipa, ontem à noite terá sido seguramente um deles. Uma comunhão perfeita entre adeptos e jogadores.

5. O futebol tem destes momentos inenarráveis que levam os adeptos a atingirem o êxtase até mesmo aqueles que olham para a modalidade com uma visão mais distante e racatada. Mas, concluído o desafio e passada a euforia do momento, é bom pensarmos que apenas atingimos mais uma final que, se não ganharmos, não servirá de nada pois não teremos mérito nem a história se lembrará de nós. E, em princípio no Domingo, é que será então a tarde de todas as decisões no tocante ao objectivo que fará explodir os corações benfiquistas. Concentremo-nos todos nesse momento que promete fazer furor. E, vamo-nos igualmente concentrar na possibilidade de alterar o rumo da história que já dura há 27 longos anos…

PS – Numa ironia amarga do destino e quando tudo parecia perfeito, o presidente foi atingido pela pior das notícias. Associamo-nos à sua mágoa e tristeza.










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