Ponto Vermelho
Aspectos interessantes de arbitragem-Pedro Proença
18 de Abril de 2014
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No rescaldo do encontro de 4.ª feira na Luz que marcou a actualidade desportiva, não poderíamos passar sem nos referirmos a um dos aspectos interessantes da noite: – a actuação do árbitro Pedro Proença. Ainda que seja praticamente impossível, vamos fazer um esforço para nos tentarmos desligar do que regista a história das suas arbitragens em jogos do Benfica em mais de uma década. Assim, perguntar-se-á: foi lógica e ajustada a nomeação de Pedro Proença para dirigir o Benfica-FC Porto na Luz um encontro que se previa intenso e que decidia o apuramento para a final da Taça de Portugal? A resposta é afirmativa.

Porque não sendo necessário especular que se estava em perspectiva de um jogo escaldante e complicado, a nomeação daquele que é considerado por um leque vasto de opinadores como o mais conceituado árbitro português da actualidade e é frequentemente chamado pela arbitragem mundial a dirigir jogos de elevado grau de dificuldade voltando a estar presente numa fase final de um Campeonato do Mundo, seria pacífica. Era consensual por isso que para um desafio daquela natureza deveria ser chamado o árbitro que, à partida, oferecia mais garantias de estar à altura da importância do encontro.

Não seria, todavia, essa a opinião da esmagadora maioria dos benfiquistas. Não porque devam ser postas em causa as suas aptidões para dirigir partidas ao mais alto nível (apesar de beneficiar de uma gigantesca campanha de marketing e nalguns casos de branqueamento quando se torna necessário…), não por afirmar-se adepto encarnado, não por cometer erros de julgamento que todos têm sem excepção, não por transmitir uma imagem de vaidoso e assumir um ar paternalista, nem sequer por querer ser o maior protagonista dos encontros. Mas, fundamentalmente, porque Pedro Proença, é necessário que se diga sem hesitações, devido às marcas do passado que não mente, não revela condições psicológicas para dirigir desafios onde participa o Benfica. Por todo um conjunto de situações irreversíveis.

Poderá até, pela coincidência de se conjugar um conjunto de circunstâncias positivas, não haver motivo para reparos. Mas isso são meras excepções. Regressando à ùltima temporada, tivémos o escaldante FC Porto-Benfica na penúltima jornada que na prática decidiu o título de campeão que até não correu mal. Mas podia ter corrido se o escandaloso fora de jogo não assinalado a James Rodriguez tivesse redundado em golo e decidido o encontro. Dirão os seus defensores que a culpa não foi sua mas sim do seu auxiliar. Mas não é ele, para o bem e para o mal o chefe de equipa? Não sofreu ele as consequências do celebérrimo golo de Maicon na Luz nas mesmas circunstâncias, que acabou com o campeonato na época anterior? E que dizer no Nacional-Benfica onde Proença perdeu por completo o auto-controlo nos derradeiros minutos do encontro ao ponto de ter expulso Matic por… nada ter feito?

Deveria ser, portanto, uma questão de bom senso dos responsáveis pelo Conselho de Arbitragem de não nomearem Proença para jogos onde interviessem os encarnados. Para proteger o próprio e para salvaguardar aspectos fulcrais que têm revelado uma profunda influência no desenrolar dos encontros. É que Proença com as suas atitudes de protagonismo escusado e comportamento bizarro consegue enervar os jogadores e os adeptos encarnados, como ainda ontem aconteceu. Mesmo admitindo que a memória dos adeptos pode ser curta, não o é assim tanto e todos têm bem presente os severos prejuízos que tem causado ao Benfica ao longo do seu reinado. Isso leva a que qualquer decisão sua que possa levantar dúvidas seja de imediato fortemente contestada nas bancadas, acabando por enervá-lo e levando-o a entrar pelo caminho do desvario e da perda de controle emocional.

No clássico de ontem não teve, na nossa modesta opinião, erros técnicos de monta quer para um lado quer para o outro. Mas já o mesmo não podemos dizer o mesmo do critério disciplinar. O 1.º cartão amarelo a Siqueira é um duplo erro pois não havendo falta não havia lugar à amostragem do cartão, com a agravante que o cartão é exibido às costas do jogador e que levou o mesmo a afirmar depois que não se tinha apercebido. A partir daí foi um festival de cartões como há muito não se via, culminando com a cereja no topo do bolo da expulsão dos dois treinadores o que admitimos poder ser eventualmente uma situação inédita a nível mundial. Mais uma medalha no rico currículo de Pedro Proença. Não deveria o Conselho de Arbitragem ponderar tudo isso?








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