Ponto Vermelho
Tema do momento
19 de Abril de 2014
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Se nada acontecer de absolutamente inverosímel este fim de semana, teremos estruturada a classificação definitiva dos três da frente. Se no princípio da época a posição do intruso Sporting não estava nas cogitações de ninguém até mesmo dos adeptos leoninos mais fanáticos, o desenrolar do campeonato transmitiu a certeza de que, afinal, foi um facto natural e consequente, fruto de um conjunto de circunstâncias que para isso concorreram. Pena foi que o pecado da gula tenha afectado o discernimento do principal responsável que não contente com a performance e o surpreendente 2.º lugar com entrada directa na Champions, queria no fundo alcançar tudo e, como não o conseguiu, apressou-se a enveredar por tiques de uma escola que tão bem conhecemos…

O entusiasmo juvenil de que em determinados momentos deu mostras, levaram-no a tentar dar um salto maior do que a perna, numa óbvia tentativa de se superar. Não é todos os dias que se vai a lugares nunca sonhados e que galvaniza qualquer um que esteja menos preparado. E os presidentes dos grandes clubes têm essa possibilidade, ou porque estão na mó de cima ou porque são novidade. Veja-se a propósito os desfiles e os repastos do seu homólogo portista na Casa da Democracia realizados anualmente, que são uma prova viva disso mesmo. Este ano, dadas as circunstâncias invulgares, afigura-se-nos que os seus promotores deverão agendar tão rapidamente quanto possível, esse tradicional acontecimento mundano...

Num outro tabuleiro os dados publicitados indicam haver pressa na preparação da próxima época. No Sporting, Bruno de Carvalho anuncia desde já que o Sporting será candidato ao título (se o deixarem, claro…). Mas não será isso uma redundância se atendermos que qualquer dos três grandes não precisa de anunciá-lo porque o é sempre naturalmente pelo seu passado histórico? Se o será mais ou menos isso já é outra história que se confirmará ou não na maratona ainda maior que iremos ter na próxima época. De qualquer forma ficou registada a sua preocupação em marcar posição antecipada que esperamos, sem sarcasmo, que se concretize para bem da competitividade do nosso campeonato.

Enquanto que no FC Porto até a ironia parece ter sido congelada o que revela um facto deveras insólito ainda que previsível desde há 3 temporadas a esta parte, no Benfica, a sucessão de resultados e as perspectivas em cima da mesa de um possível happy end encarnado ameaçam pulverizar todos os comentários e opiniões cáusticas e pessimistas que se foram acumulando ao longo de toda a época. Dentro e fora do universo encarnado. Há pois que partir para outra antes mesmo dela acabar e, enquanto o Campeonato do Mundo não começa a fervilhar, colocar temas apelativos no topo da actualidade que desviem as atenções sobretudo se preencherem os quesitos que os adeptos tanto gostam.

Tal como há um ano, volta o tema Jorge Jesus. Antes da débacle as críticas eram preenchidas pela hesitação de Luís Filipe Vieira renovar ou não com o treinador. Nesta altura a questão colocada é se a época que ainda falta cumprir do seu contrato será interrompida pois Jesus poderá rumar a outras paragens. Mais dramático ainda é o facto do Benfica e nomeadamente o seu presidente estarem prisioneiros do treinador que precisa menos do Benfica do que o contrário… Pasmamos com certos raciocínios que se aproximam perigosamente do delírio em que são construídos cenários fantasmagóricos para provocar discussões acesas entre os adeptos benfiquistas.

Não é segredo para ninguém que Jorge Jesus nunca foi consensual entre os benfiquistas. Habilmente exploradas e empoladas certas facetas do seu comportamento, por vezes não sobra tempo para análises frias e objectivas. E para o essencial. O balanço global tendo em conta as condições e condicionantes encontradas ao longo da conjuntura versus resultados apresentados. Se os títulos funcionam como barómetro para aferir o sucesso, a realidade é que, do nosso ponto de vista, é preciso olharmos para o todo e saber, em cada momento, se houve evolução ou regressão, e se foram ou não criadas as bases para um futuro sustentado.

Admitindo desde já a consumação de mais um título, deixamos ao livre arbítrio de cada um fazer o seu próprio balanço sem deixar de analisar todas as coordenadas e incidências ao abrigo da conjuntura em que se tem desenrolado o seu trabalho. Sem deixar de equacionar que, por muito mérito ou demérito que tenha tido, está inserido numa plataforma global e numa equipa muito vasta que começa no vértice da pirâmide e atravessa todos os escalões intermédios sem esquecer a importância que os adeptos e simpatizantes têm tido na prossecução dos diversos objectivos. Valorizar aspectos pessoais e permitir que eles influam nas análises e nos julgamentos que se fazem sobre o trabalho desta ou daquela pessoa, é um erro que não deve ser cometido. Mesmo que não se aprecie de todo o estilo






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