Ponto Vermelho
Um mundo encarnado
21 de Abril de 2014
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1. Embora todos os dados apontassem para que o Benfica se sagrasse campeão ontem à tarde, mandava a prudência que seria de todo conveniente colocar o preto no branco antes de dar largas à alegria que fervilhava há muito no coração dos adeptos e simpatizantes benfiquistas. Já sem sequer fazer alusão ao passado recente de que os mais renitentes ter-se-ão definitivamente libertado, e porque essa questão ganhou mais espaço e importância do que seria suposto e serviu para justificar muita coisa que em boa verdade não era exactamente como tinha sido vendida.

2. O que aconteceu então ao Benfica já sucedeu a outros emblemas de nomeada e não vale a pena ficarmos agarrados a situações que urge ultrapassar o mais rapidamente possível. No futebol tudo acontece célere, e as alegrias ou as tristezas do momento deverão ser assumidas e partilhadas numa perspectiva realista sempre com os olhos postos no futuro. E, nesse enquadramento lógico, a vitória de ontem foi o culminar de uma época que começou deprimente, foi dando passos lentos mas seguros, para terminar no que ao título diz respeito, numa apoteose que só os benfiquistas conseguem atingir.

3. Tal como seria expectável, no jogo de ontem ao Benfica não bastava dominar. Esperava-se um Olhanense fechado na defesa tentando eliminar todos os espaços que pudessem servir de trampolim para colocar a sua baliza em perigo. Para isso, era preciso mérito, alguma sorte e menor eficácia dos jogadores encarnados. Tudo isso aconteceu durante a 1.ª parte onde a despeito das oportunidades o golo não surgiu. Convém não esquecer que por mais que a experiência assista, a proximidade da vitória e com ela o título, acabou por exercer influência no sub-consciente dos jogadores. Foi o que se notou em alguns momentos do jogo e, à medida que o tempo ia decorrendo, nas bancadas. Era inevitável numa multidão que, ainda que embuída no mesmo desejo, era heterogénea na sua filosofia de abordagem ao jogo.

4. Desbravado o caminho, todo o entusiasmo e euforia confluiram para uma festa digna e própria de um clube com o prestígio e a dimensão do Benfica. A partir do momento em que Carlos Xistra deu a última apitadela o entusiasmo soltou-se definitivamente, e homens, mulheres e crianças irmanados no mesmo sentimento benfiquista soltaram o que lhe ia na alma numa manifestação forte e continuada. Os que tiveram o previlégio e a honra de nela participar e pouco importa se foi em Lisboa, no Porto, na mais recôndita aldeia de Portugal ou na saudade da diáspora, demonstraram ao Mundo e não só ao do futebol que o Benfica é um fenómeno incrível de massas que arrasta multidões e consegue superar-se a cada momento. E os que por impossibilidade ou por qualquer outra razão que não vem ao caso assistiram através da rádio ou da TV, puderam testemunhá-lo e sentir o mesmo orgulho dos que nela participaram directamente.

5. É reconhecido por uma parte significativa dos observadores e dos adeptos do futebol que o Benfica foi um justo vencedor do campeonato. Porque apesar de um mau começo, teve o mérito e a capacidade suficientes para dar a volta por cima e constituir-se na equipa mais consistente e regular e aquela que atingiu as melhores performances. Como repetidamente temos afirmado, o grupo de trabalho é um todo e os adeptos e simpatizantes não devem cair na tentação de individualizar nas derrotas, do mesmo modo que a receita deverá ser igualmente aplicada na altura das vitórias. Para que a coesão do grupo não seja minada.

6. Contudo, recuando um pouco atrás e quando a velha teoria de Murphy parecia ditar leis, dois rostos emergiram como sendo os responsáveis: o presidente e o treinador. Por uma questão de coerência seria justo, agora, sublinhar a sua importante quota-parte na vitória. Embora reconhecendo isso mas mantendo a mesma filosofia, fazemos questão de destacar todo o esforço e labor do grupo de trabalho para alcançar o objectivo que neste momento anima o coração e a alma benfiquistas. E realçar em particular por ser inabitual, a presença de três elementos da formação – André Almeida, André Gomes e Ivan Cavaleiro. Esse terá sido, porventura, um aspecto sublime que nos faz perspectivar o futuro com confiança e optimismo. Todos, sem excepção, estão por isso de parabéns!








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