Ponto Vermelho
Vem aí a Juventus…
23 de Abril de 2014
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1. A contagem decrescente para o embate da 1.ª mão das meias-finais da Liga Europa com a Juventus está em franca aceleração e, como é normal nestas circunstâncias, emitem-se opiniões e fazem-se conjecturas sobre o que se pode esperar do desafio que para muitos, tendo em conta o valor e o prestígio das duas equipas históricas, não é mais nem menos do que a final antecipada da competição. Não vale a pena perder muito tempo com isso nem sequer evocar as estatísticas do passado para ajudar a perceber a trajectória de ambos os conjuntos nas duas principais provas da Europa ao longo dos anos. O sorteio assim o ditou e como tal…

2. Mas mesmo indo por aí percebe-se facilmente a dimensão real de ambos. Certo é que a Liga Italiana que não há muitos anos dava cartas e era uma das mais desejadas pelos jogadores, por um conjunto de razões alargado e abalada por sucessivos escândalos foi perdendo brilho e paulatinamente influência e hoje em dia situa-se claramente atrás das Ligas espanhola, inglesa e alemã, estando ainda situada um pouco acima da francesa mesmo depois desta ter visto serem injectados milhões e milhões nos seus principais clubes, em particular no PSG e no Mónaco.

3. Historicamente o Benfica é tido como cliente assíduo de clubes italianos que, no apogeu do catenaccio, construiram um saldo deveras positivo mas que tem vindo a ser gradualmente atenuado com o passar os anos face à nova conjuntura. É impossível esquecer por exemplo, as duas finais da então Taça dos Campeões Europeus perdidas pelo Benfica ante o Milan e depois perante o Inter na casa deste, que deixaram um sabor amargo a todos os benfiquistas pelas circunstâncias especiais em que ocorreram com a provocada lesão de Coluna no primeiro, e do guarda-redes Costa Pereira no segundo, num tempo em que não eram autorizadas substituições.

4. Nos anos mais recentes as principais equipas portuguesas e em particular o Benfica têm registado um saldo mais favorável contra equipas italianas o que, se por um lado demonstra alguma subida de nível das nossas equipas, por outro confirma a curva descendente das equipas transalpinas bem traduzida a nível da principal prova da Europa. Esta temporada mais uma vez se confirmou essa tendência, com as equipas italianas fora da prova a começar pela Juventus que nesse capítulo imitou o Benfica e foi eliminada nos oitavos-de-final da prova num grupo tido como acessível. Houve no entanto acentuada diferença pontual porquanto os encarnados atingiram os 10 pontos enquanto a Juve se ficou pelos 6.

5. Isso não implica, de modo nenhum, que se deixe de considerar a Juventus como um dos principais candidatos a vencer a Liga Europa até porque tem o lenitivo importante da final se disputar no seu estádio. Apesar da sua carreira na LC não ter sido brilhante, a realidade é que lidera destacada o campeonato italiano e tudo indica que será de novo campeã pois disfruta de um apreciável avanço sobre o 2.º classificado, a Roma. Isso não acontece por acaso pois dispõe de um excelente plantel onde pontificam jogadores muito experientes e de enorme categoria que poderão, num momento de inspiração, resolver um desafio. Seja com quem e onde for.

6. Nada disso, todavia, deve influenciar a forma como o Benfica deverá abordar o desafio. Os encarnados deverão manter-se fiéis à sua matriz de jogo perante uma Juventus que apostará no cinismo tradicional que costuma caracterizar as equipas italianas e esperará pela iniciativa do Benfica para lançar os seus venenosos contra-ataques interpretados por jogadores do mais fino quilate. E, num outro vector – as bolas paradas –, dispõe igualmente de grandes especialistas como Andrea Pirlo que poderão resolver o jogo em qualquer momento.

7. Têm sido publicitadas declarações atribuídas a jogadores da Juve dando conta do enorme optimismo que grassa nas hostes da vecchia signora, encarando a eliminatória como um simples pró-forma para atingir a final. Cremos tratar-se dos velhos jogos florais que costumam ter lugar na antecâmara dos jogos para impressionar o adversário. Longe de causar qualquer constrangimento, tal situação deverá servir para motivar ainda mais o balneário do Benfica. Amanhã, dentro das quatro linhas, se verá até que ponto é que essas declarações tinham ou não qualquer razão de ser. Pela nossa parte defendemos o lugar-comum de que irá ser um jogo complicado para qualquer dos contendores mas, enquanto benfiquistas, mantemos a confiança de que o Benfica tem condições para se bater de igual para igual com o seu poderoso adversário e até levá-lo de vencida. Assim tudo possa correr bem, incluindo à 3.ª equipa…






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