Ponto Vermelho
A dificuldade da escolhas
27 de Abril de 2014
Partilhar no Facebook

1. Consequência directa de uma má calendarização da Liga, dos sempre em actualização expedientes do FC Porto quando algo não lhe corre bem e da ligeireza irresponsável com que os hilariantes Conselho de Disciplina e de Justiça da Federação resolveram o imbróglio da reclamação leonina cuja fundamentação e decisão deste último ganhou por mérito próprio a glória de se ter transformado numa raríssima peça de museu, o Benfica está a sofrer as consequências e o futuro dirá se também não o Futebol português.

2. É na ocasião o Benfica, como podia ser o FC Porto, ambos, ou se as omissões da Liga e a justiça tivesse funcionado como se infere da brilhante dissertação do Presidente do Conselho de Justiça, o Sporting. Como amanhã qualquer outro que se encontre nas mesmas circunstâncias. Os órgãos de cúpula e a justiça desportiva não protelando as decisões, existem para defenderem os interesses dos clubes neles filiados e do Futebol português mas neste particular mais uma vez tal não aconteceu.

3. Se o processo previsivelmente sofreu os recorrentes atrasos na resolução de uma questão simples e comezinha, os interesses de qualquer equipa que estivesse em prova na Europa fosse ela qual fosse, deveriam ter sido salvaguardados. A Liga, ao marcar o jogo das meias-finais para uma das piores alturas, não só não defendeu os interesses de um dos seus clubes como também não o fez em relação aquilo que seria o mais aconselhável para o futebol português. É urgente que sejam estabelecidos prazos razoáveis para a justiça desportiva tomar decisões porque isso pode ter implicações sérias na calendarização das provas e na programação que os clubes estabeleceram.

4. É nesse enquadramento que surge a decisão que irá determinar qual será o finalista que medirá forças com o Rio Ave na final da Taça da Liga. Entalado entre dois jogos de capital importância para o futuro dos encarnados na Liga Europa, surge o FC Porto-Benfica no Dragão, que face à conjuntura e à realidade de ambos os clubes, desvirtua de alguma forma os princípios por que se deveria caracterizar um clássico sempre apetecível para quem gosta e aprecia futebol. Por ter sido encaixado no calendário desportivo de forma destrambelhada.

5. Milhentas conjecturas têm sido feitas sobre o jogo com o desfile de toda uma casta de especialistas que analisam e antecipam ao pormenor todas as incidências que irão ter lugar logo à tarde. A principal das quais será o onze inicial que Jorge Jesus escalará para entrar no Dragão perante um FC Porto que irá entrar na máxima força e devido à Taça da Cerveja acabar por ser a última hipótese que os portistas dispõem para vencer um troféu esta época, dado que a Supertaça para além de ser apenas disputada num jogo, é relativa à época anterior.

6. Deixando de lado a ironia dos portistas estarem a lutar por um troféu de que sempre desdenharam e que funciona como tábua de salvação para um náufrago em perigo sério de afogamento, importa olhar para a forma como se perspectiva e determina o interesse do Benfica na prova. Desde logo a questão que se enraízou no espírito dos adeptos encarnados e que tem a ver com o traumatizante final da época passada; é preciso ultrapassar de vez esse handicap e para isso é necessário fazer não mais, mas melhor. E isso implica não só estar presente na última decisão como conseguir desequilibrá-la a seu favor.

7. O primeiro grande desiderato foi conseguido e agora seguem-se os restantes em função das prioridades. Na cabeça de cada adepto fervilha o desejo, natural, de fazer o pleno. Salvaguardando alguma impossibilidade, há que hierarquizar e aí as escolhas diferem. Há quem considere que o segundo objectivo deverá ser a Liga Europa por emprestar maior prestígio e retorno ao Benfica e há quem defenda que Taça de Portugal deve ser o alvo a ocupar o primeiro lugar na fila. Mas, entretanto, há a Taça da Liga onde os encarnados têm um histórico a defender.

8. A decisão ocorre num clássico em casa do maior rival das últimas décadas o que implica uma abordagem diferente dadas as implicações subjacentes. Sendo previsível que os jogadores portistas façam o jogo das suas vidas, importa que o Benfica saiba estar à altura e não deslustre o nível que vem protagonizando. Se fossemos confrontados para optar, escolheríamos a Liga Europa, ainda que reconheçamos que um bom desempenho hoje pode ajudar na moralização para Turim. Seja como for a pressão está todinha no FC Porto que tem tudo a perder e muito pouco a ganhar ao inverso do Benfica. Acreditamos que Jorge Jesus saberá conciliar essas vertentes e apresentará no Dragão um onze competitivo sem enfraquecer as hipóteses na Europa.




Bookmark and Share