Ponto Vermelho
O mérito de acreditar
28 de Abril de 2014
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Mais uma vez o Futebol e as suas componentes provaram que as surpresas – boas e más consoante a parte interessada – continuam a fazer parte do seu quotidiano. São situações incontroláveis que estão a transformar o rabioso Inverno de tristeza numa Primavera que promete poder vir a ser a mais florida de sempre. Uma viragem de dimensões inimagináveis para a grande percentagem de adeptos (benfiquistas incluídos), mas que não será de todo surpresa para quem sempre acreditou: – o grupo de trabalho e a parte dos adeptos encarnados que tem o defeito de ser positiva e optimista. O crescimento acelerado das assistências de há um tempo a esta parte e o entusiasmo comprovam, sem margem para dúvidas, que as transferências para este último grupo têm sido exponenciais.

O trajecto em crescendo da equipa encarnada esta temporada tem sido, de facto, marcante. Depois de um percurso entusiasmante na última temporada que culminou com a presença em todas as decisões (excepto na Taça da Liga em que ficou apeada nas meias-finais através da marcação de pontapés da marca da grande penalidade), a equipa, como se sabe, acabou por perder tudo num ápice. Como a História só retém o nome dos vencedores, todo o mérito por ter chegado às decisões se desvaneceu e, pior do que isso, passou a ser, estranhamente, considerado como um aspecto negativo e até mesmo deprimente.

Ainda que seja perfeitamente compreensível essa assumpção e estado de espírito, a verdade é que apenas existiu alguma justificação na final da Taça de Portugal onde realmente a equipa esteve muito longe daquilo que poderia e deveria ter feito, por certo já afectada pelo desencanto sobre a linha da meta nas circunstâncias cruéis em que aconteceu e que pesou fortemente na componente psicológica e na reacção às terríveis adversidades que tinham acabado de ter lugar. Os seres humanos por melhor que estejam preparados não são, afinal, máquinas insensíveis ao mundo que os rodeia.

Fruto dos êxitos e da trajectória ascendente que vem registando, foi com estado de espírito fortalecido que o Benfica se apresentou no Dragão para a Taça da Liga. As peripécias que rodearam a marcação do jogo forçaram a algum desvirtuamento da prova, com as duas equipas a estarem inseridas em contextos completamente diferentes: o FC Porto contra a sua vontade a ter que atribuir-lhe importância por a mesma se perfilar como a derradeira possibilidade de ganhar um troféu referente a esta época, o Benfica a ser forçado a apresentar um onze alternativo dada a proximidade do jogo da 2.ª mão na Liga Europa.

Não lhe restava aliás outra alternativa porque se é certo que a Taça da Liga deverá merecer a devida importância, como é óbvio não tem a mínima comparação com a Liga Europa. Que por ser uma montra com palco previlegiado de visibilidade, propicia receitas de vária natureza e prestígio que deve ser mantido e reforçado até pelo passado das equipas portuguesas na prova, passando pelos pontos a amealhar para o ranking que é preciso manter e se possível melhorar. Acresce que iremos ter a final da Liga dos Campeões masculina na Luz e a feminina no Restelo e isso também conta e de que maneira para o reforço do prestígio do nosso futebol na Europa e no Mundo. Tudo está interligado.

Nesta conjuntura, a grande dúvida era que equipa iria Jesus apresentar e como iria lidar o melhor conjunto portista com a pressão de não poder falhar perante um adversário previsivelmente desfalcadíssimo e num jogo de uma prova por si sempre escarnecida. Se nos primeiros 15m o FC Porto foi subjugado tacticamente, a verdade é que após esse período e aproveitando as brechas que se iam abrindo na defesa encarnada com um Steven Vitória em dia de completa negação, o FC Porto podia, por mais do que uma vez, ter chegado à vantagem. Faltou-lhes a serenidade no último momento e disso não tem culpa o Benfica que teve a fortuna negada noutras ocasiões.

Com a expulsão de Steven Vitória pouco depois da meia-hora, todos os dados apontavam para que a tarefa do Benfica fosse ainda mais complicada. Puro engano; com a entrada de Garay, o reajustamento de posições e a diminuição de espaços entre linhas, o Benfica partiu para uma 2.ª parte de grande acerto defensivo em que, ao contrário da etapa inicial, o FC Porto passou a errar mais passes e não teve chances de golo. Foi então nítida a capacidade de entreajuda e força mental dos encarnados que mantiveram as suas redes invioláveis. Na lotaria dos pénaltis a sorte acabou por favorecer a equipa mais serena que assim atingiu mais uma final, ao contrário dos portistas que irão ter um final penoso e impensável. A estrutura de sonho esta época falhou em toda a linha…






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