Ponto Vermelho
Preocupações à italiana
29 de Abril de 2014
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As dúvidas têm fervilhado na mente de muitas pessoas atentas ao fenómeno desportivo (o ex-internacional português Jorge Andrade que militou na Juventus foi apenas uma delas) e de muitos adeptos do futebol e não só em Portugal; iria a eliminatória que define a final da Liga Europa ser decidida apenas dentro das quatro linhas ou, em face da final se disputar no Juventus Stadium como reconhecimento do Presidente da UEFA e ex-jogador Michel Platini que teve uma carreira fabulosa no emblema da cidade da Fiat, poderia vir a haver algumas movimentações de bastidores que pudessem ajudar a Juventus a estar presente na final caso viesse a haver complicações?

Esta questão não teve no início grandes desenvolvimentos porque era convencimento dos interessados de que a disputa da eliminatória com o Benfica era apenas um mero passeio turístico a Lisboa que apenas serviria para confirmar a enorme superioridade da equipa de Turim. Mas pelo sim pelo não, não fosse o diabo tecê-las, para o jogo da Luz foi nomeado o turco Cuneyt Çakir apenas e por acaso um dos protegidos da eminência parda do Comité de Arbitragem da UEFA, Pierluigi Collina. Que cumpriu o seu papel ao não assinalar um penalty tão evidente que todo o estádio viu e que levou os espectadores encarnados a agradecer-lhe em coro tão ajuízada decisão. E no capítulo disciplinar usou a brandura para com os jogadores italianos não fossem não estar disponíveis para o jogo da 2.ª mão…

Mas, contrariamente ao vaticinado pelos promotores da Juventus à final, o Benfica demonstrou que a coisa não seria assim tão fácil e só a desastrada decisão do árbitro turco permitiu que, eventualmente, os italianos não levassem um resultado mais perigoso no regresso a casa. Da simples formalidade a cumprir aliás bem patente na descontracção de vários jogadores da Juve, passou-se a alguma preocupação. Havia pois que redefinir posições e passar ao plano B e aproveitar todas as brechas e situações favoráveis que pudessem ser exploradas nos bastidores para o que contariam, desde logo, com um aliado e promotor de peso.

Na disputa de um lance por alto dentro da grande área italiana, o jogador Claudio Marchisio (por sinal um nativo da bela capital do Piemonte) empurrou ostensivamente o jogador Enzo Pérez que respondeu ao gesto do jogador da Juve. Um lance normalíssimo daqueles que se vêem várias vezes durante um desafio. O árbitro decidiu nada assinalar e o jogo prosseguiu. Pedra de toque para a moralista Juventus que deu um magnífico exemplo ao Mundo quando foi compelida a descer de divisão devido a um dos maiores escândalos de corrupção que abalou o futebol italiano – o denominado calciocaos em 2006 –, ir fazer queixinhas à UEFA sabendo como sabe a importância que o jogador argentino tem no desenvolvimento e equilíbrio do jogo encarnado.

Nada afinal de surpreendente para quem tem um passado imaculado e julgava que tinha a final antecipada no bolso e, inesperadamente, viu perigar a possibilidade de a alcançar. Mas mais surpreendente mas não totalmente inesperado foi a actuação da UEFA. De repente, o jogador Enzo Pérez adquiriu uma importância suprema atendendo a que conseguiu, por si só, forçar o Comité do organismo sediado em Nyon a antecipar em praticamente duas semanas a reunião agendada que passou, pelos vistos, a ser rotulada de reunião de emergência. E num desaforo e desrespeito completo a obrigar o Benfica a apresentar a defesa do seu jogador em apenas 24 horas para ter tempo de colocar o jogador fora do 2.º jogo da eliminatória.

Os clubes italianos, que não só a Juventus, estão de facto em estado de desespero. Porque não é só a possibilidade da Juventus poder ficar afastada da final. O que está em causa é o próprio posicionamento do futebol italiano de equipas no ranking da UEFA. É que, com os sucessivos escândalos que têm ocorrido o futebol transalpino foi-se tornando cada vez mais desinteressante para os investidores e para os jogadores o que se tem reflectido na participação e nos resultados das suas equipas nas provas uefeiras. Para além do espectro de falências que são cada vez mais uma ameaça bem real. Consequência disso, o pobre e periférico Portugal, fruto das boas participações na UEFA, tem vindo a amealhar pontos e neste momento já encurtou em muito a distância para os italianos que já cheiram a ameaça. Do ponto de vista italiano como admitir isso? Por isso palpita-nos que as perspectivas para Enzo Pérez não serão nada promissoras…








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