Ponto Vermelho
Turim: será que esperas por nós?
1 de Maio de 2014
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Estão prestes a completar-se 65 anos sobre a tragédia que enlutou toda a família do futebol e devastou por completo a grande equipa do Torino depois de um particular realizado com o Benfica. Foi uma situação que ficou registada para sempre na história dos encarnados que aproveitaram os dois jogos com a Juventus e a deslocação à capital do Piemonte para relembrar o infausto acontecimento e prestar, mais uma vez, a sua homenagem. Em termos institucionais e via claque Diabos Vermelhos, uma situação que acabou por ser naturalmente muito apreciada pelos adeptos do Torino e disso fizeram questão de dar conta através da imprensa e das redes sociais.

Atendendo a que a UEFA é muito rigorosa nesse particular, o pedido do Benfica para a exibição da tarja apesar de sancionado por aquele organismo ficou dependente da anuência da Juventus que não se terá mostrado favorável a despeito da mesma reflectir apenas fraseologia de homenagem ao Torino pela triste situação então vivida. Não tinha qualquer conteúdo directa ou indirectamente relacionado com a Juventus, não comportava qualquer tipo de provocação e apenas tinha um objectivo bem claro: homenagear de novo as vítimas de Superga e o Torino. Mesmo assim a Juventus à luz de uma rivalidade doentia não deu luz verde. Como a tarja acabou por ser exibida, caberá agora à UEFA apreciar o caso na sua próxima reunião e determinar a sanção ou o arquivamento.

Com a participação sobre Enzo Pérez que a UEFA apreciou e decidiu em tempo recorde, sobe assim para dois os casos visíveis extra-quatro linhas protagonizados pela Juventus numa atitude reveladora de que como funcionam os responsáveis da vecchia signora e o grau de preocupações que os atinge na presente eliminatória, bem como o receio de não conseguirem atingir a final da Liga Europa há tanto tempo programada e assumida como um dado antecipadamente adquirido. Terá havido pois precipitação na avaliação das próprias possibilidades futebolísticas e algum menosprezo pela capacidade do Benfica na discussão da eliminatória, e isso fez soar a campainha de alarme e deu origem a outros expedientes num terreno em que a Juventus parece conhecer bem.

Alguns entenderam o facto da UEFA ter mandado arquivar as queixas juventinas sobre Enzo Pérez como uma prova inequívoca de que Nyon decide em conformidade, aparte serem ricos com influência ou pobres sem estatuto. É uma possibilidade. Mas sem levantar quaisquer processos de intenção e apesar das nossas reservas iniciais, inclinamo-nos para admitir que à UEFA, neste caso, não restaria outra alternativa. Porque a posição do árbitro permitiu-lhe analisar o lance com algum detalhe e, se não agiu, foi porque terá considerado que o empurrão de Chiellini e a reacção de Enzo não terão sido nada de transcendente que justificassem sanção. Além de que são lances que costumam suceder com alguma regularidade ao longo de todos os desafios.

Acresce que o desenvolvimento e progresso das comunicações e das redes sociais é neste momento um facto iniludível e o barulho e a pressão exercida não deixaram de ter algum impacto. Não estamos, como é evidente, a insinuar que terá sido isso que pesou minimamente na decisão de arquivamento. Mas parece-nos claro que se a decisão tivesse sido outra, a UEFA correria o risco de ser acusada de ceder às pretensões da Juventus e ignorar ostensivamente a decisão do árbitro, o que vinha contrariar as teses defendidas pelo seu presidente que, como se sabe, tem combatido tudo o que venha a diminuir ou pôr em causa o peso decisório das equipas de arbitragem.

Isso não significa, todavia, que possamos estar descansados. Um jogo de futebol está repleto de incidências sujeitas à apreciação de juízes de campo que continuam a deter um poder incomensurável nas mãos. Por exemplo, em desafios em que se perspectiva poderem vir a ser decididos através de detalhes, o duvidoso afastamento (ou não) de um jogador pode criar condições favoráveis à equipa que recolher o benefício, enquanto que num qualquer lance que até pode gerar dúvidas de apreciação, o simples julgamento do árbitro pode vir a determinar o resultado final do jogo. E da eliminatória que, por acaso dá acesso a uma final onde, a partir da eliminação da Juventus na Liga dos Campeões, tudo foi programado para a sua presença na final da Liga Europa. E isso é que francamente nos preocupa!








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