Ponto Vermelho
Não houve mesmo duas sem três…
2 de Maio de 2014
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Em Turim o Benfica acabou de escrever uma das mais belas páginas do seu longo e brilhante historial. Os desejos e a forte convicção de Luís Filipe Vieira ameaçam transformar-se em realidade, sendo que até ver, as suas previsões mantêm-se intactas. Maio volta a ser o tempo das grandes decisões e no curto espaço de onze dias os benfiquistas acreditam e mal podem esperar por um final que seja diferente, com a particularidade de este ano as possibilidades de êxito se terem alargado, dado que contrariamente ao ano passado, os encarnados estão também na final da Taça da Liga. Que pode ser desprezada e vilipendiada por alguns mas que os benfiquistas fazem questão de tentar vencer não por questões de mera estatística de contabilização de troféus, mas porque é uma prova que deveria merecer o respeito de todos. Apesar de, por enquanto, ter o handicap de não dar acesso a qualquer prova europeia e de precisar de reformulação para a tornar mais competitiva e interessante.

No Juventus Stadium o Benfica deparou-se com o 3.º jogo de elevado coeficiente de dificuldade em curto espaço de tempo em que as circunstâncias dos próprios jogos obrigaram a que a equipa tivesse de enfrentar desafios suplementares e mais exigentes. Na Taça de Portugal, enfrentar os portistas na Luz a partir dos 11 m da 2.ª parte já com menos um elemento e a necessidade de recuperar dois golos de desvantagem e consegui-lo, não está ao alcance de qualquer um; disputar com o mesmo adversário no Dragão o acesso à final da Taça da Liga igualmente com menos um jogador a partir dos 30 m e vencer nos pénaltis, foi muito gratificante; e, como não há duas sem três, ontem para a Liga Europa o Benfica bateu todas as estatísticas anteriores ao suportar 32 m sem Enzo Pérez e 8 sem Garay, naquele que terá sido sem dúvida o teste mais complicado da época. E conseguir o apuramento para a final foi, sem sombra de dúvida, épico! Para aqueles que passaram a época a reclamar que o Benfica não tinha tido testes exigentes esperamos que tenham ficado de vez convencidos.

Embora o apuramento para a 2.ª final consecutiva da Liga Europa tenha sido o grande destaque, entendemos que o factor mais relevante terá sido, porventura, a confirmação da recuperação de alguns valores que têm andado arredios. Sempre que os objectivos de um clube como o Benfica não são atingidos ao longo de várias temporadas, existe a tendência natural de debitar teorias sobre as causas que os adeptos vão absorvendo e ampliando. As teses mais comuns são o treinador, os jogadores, a organização, a Direcção e, no topo da pirâmide, o Presidente. Mas também tem havido outras, fruto dos novos tempos em que os jogadores deixaram de sentir a camisola e se transformaram numa placa giratória que envolve toda uma panóplia de interesses. O facto do Benfica, por força das circunstâncias, ter recorrido com insistência ao mercado estrangeiro, levantou outra questão; a que os jogadores nem sequer estavam interessados em aquecer o lugar, mas apenas pensavam (eles, os agentes e empresários) no clube como um ponto de passagem para mais altos voos.

Impossível negar a existência de mercenarismo nos tempos actuais. Os exemplos são tantos que não vale fingir que o mundo (e não só o do futebol) está diferente nesse particular e para muito pior. E até mesmo no Benfica têm acontecido alguns casos que ilustram bem essa nova era. Contudo, temos registado com particular agrado ultimamente, a tendência crescente de jogadores que passaram pelo Benfica em mostrarem-se gratos ao clube que os projectou, uma situação que não é do momento pois perdura. Todos nós conhecemos casos que a indispensável contribuição das redes sociais tem ajudado a difundir. Isso demonstra que algo de substancial tem vindo a mudar e essa é uma excelente constatação que se pode fazer, que não deixa de ser benéfico para o Clube porque o ajuda a reforçar o seu prestígio.

Num ambiente e condições terrivelmente adversas, perante uma equipa de gabarito que estava programada para a final no seu estádio, os jogadores encarnados (com 10 estrangeiros no onze inicial) deram uma autêntica lição de camaradagem, de entreajuda, de bravura e de sacrifício, compensando todas as vicissitudes porque passou a equipa e demonstrando que a velha mística está de volta. Ver a forma como lutaram até à exaustão por um objectivo foi das coisas mais marcantes a que assistimos nos últimos tempos, quase que nos atrevendo a dizer que não deixaram ninguém indiferente. Até alguns adversários que passam o tempo a tentar denegri-los. A jogar assim com todas aquelas virtudes podem crer que encherão de orgulho os benfiquistas, ao mesmo tempo que merecerão o respeito dos adversários.










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