Ponto Vermelho
Os inconvenientes da euforia
5 de Maio de 2014
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Com o título resolvido a duas jornadas do fim, as atenções benfiquistas viraram-se para todas as outras provas tendo em conta o facto dos encarnados terem atingido todas as finais. Na fila de espera estava a Taça da Liga cujo desafio das meias-finais foi encaixado à pressão no calendário com o Benfica a ser naturalmente o mais prejudicado. Agendar uma deslocação ao Dragão pese embora este não se encontrar a atravessar uma fase brilhante entre dois jogos de grande exigência para a Liga Europa, continua a parecer-nos que foi uma má opção do ponto de vista de defesa dos interesses dos clubes portugueses – neste caso o Benfica.

É óbvio que é com episódios destes que a Taça da Liga vai ficando diminuída, embora provavelmente até fosse um dos objectivos daqueles que desde o seu primeiro falhanço têm passado a vida a denegrir a competição. Face à proximidade da Liga Europa os encarnados acabaram por não apresentar todos aqueles que têm sido os seus titulares mais assíduos esta época, e disso ressentiu-se o espectáculo a despeito da excelente réplica encarnada perante todos os habituais titulares dos azuis e brancos e que culminou no apuramento encarnado através das grandes penalidades. O FC Porto saiu do mapa da competição e tal facto não terá acolhido, desta vez, a fina ironia de Pinto da Costa com o seu «desta já nos livrámos…».

A despeito do profissionalismo patenteado e das magníficas performances obtidas, quer-nos parecer que os jogadores encarnados poderão de algum modo estar a ser afectados pela sucessão de comemorações que têm sido levadas a cabo no universo benfiquista. Em Portugal e na diáspora. Sendo um acontecimento natural e intuitivo que ganhou ainda maior expressão pela dimensão e volume dos adeptos sobretudo os mais jovens que infelizmente têm vivido mais da expectativa do que da concretização, a comprovar-se, não deixa de refectir alguns inconvenientes para a equipa atendendo à fase decisiva que atravessa com três finais no horizonte no curto espaço de 11 dias, a primeira das quais já dentro de 48 horas.

Não havendo, por enquanto, razões objectivas que comprovem essa tese, a verdade é que numa modalidade altamente profissionalizada em que todos os pormenores são importantes e poderão vir a ter influência no rendimento dos jogadores, todo este turbilhão de emoções poderá vir a pesar no seu subconsciente. O tempo de espera levou à acumulação do entusiasmo e da euforia que tem vindo a ser libertado em doses maciças pelos adeptos e simpatizantes e ampliado pelos media, e sobre isso não há muito a fazer até porque tem origem e é promovido pela reacção expontânea de seres humanos num dos seus pontos mais altos de euforia clubística.

Temos como certo, no entanto, de que essa será uma das principais preocupações dos elementos mais ligados directamente à equipa. Estarão a criar barreiras para reduzir o impacto no subconsciente dos jogadores, que como seres humanos falíveis estarão também a fazer um esforço para não se deixarem afectar, em particular num vector que poderá fazer toda a diferença – a capacidade de concentração competitiva. Considerando o aproximar de rajada das 3 decisões essa será, por esta altura, o maior inimigo dos jogadores que têm vivido e disfrutado de intensas emoções nestes últimos dias. E nestas coisas como em muitas outras, essa questão vital varia muito de atleta para atleta. Contudo, confiamos que a sua experiência e grau de profissionalismo bem como o trabalho de focagem da equipa técnica dará os seus frutos.

Fiel à matriz que tem sido o farol da equipa esta época, deverá manter-se o lugar comum do jogo a jogo que tão bons resultados tem dado. É uma forma de manter a objectividade e a concentração nas metas a atingir em que o próximo jogo/objectivo é sempre o mais importante, evitando assim abarcar quaisquer outros que poderão ser tão ou mais importantes mas que só vêm a seguir. Nenhum deverá por isso ser considerado antes do tempo, mantendo o foco sem antecipações que poderão vir a dar mau resultado. E nesta altura do campeonato com a moral em alta o novo futuro que começa já dia 7 e se prolonga até dia 18 deve ser integralmente aproveitado, aplicando-se todas as coordenadas positivas que têm caracterizado o Benfica esta temporada. Se assim for, estaremos certamente mais próximos de todos os objectivos.








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