Ponto Vermelho
Fome
6 de Maio de 2014
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Por Bolandas

Ainda a respeito do tema da descompressão, eventual deslumbramento por parte dos adeptos, e onda de euforia em torno do nosso Clube... Importa desde logo dizer, até porque não é de toda a nossa intenção ensinar a missa ao padre, que uma estrutura altamente profissionalizada como a do Sport Lisboa e Benfica deve conseguir absorver, se não toda, pelo menos grande parte da onda de ruído e de entusiasmo vindos do exterior. Admitimos que é uma alegria contagiante, difícil (senão mesmo impossível...) de estancar na totalidade nestes tempos de redes sociais e em que os nossos orgãos de comunicação tudo fazem para empolar a festa e retirar os dividendos. Contudo, pelos ensinamentos adquiridos (e que até datam de 2010...), há que saber canalizar as boas energias de forma a manter a confiança dos jogadores, sem contudo beliscar os níveis de concentração necessários que poderão fazer toda a diferença no ciclo decisivo que se aproxima.

Saber-se-á de antemão, por via de uma das regras elementares do futebol - chamem-lhe bipolaridade, volatilidade ou outra coisa qualquer -, que à mínima contrariedade (basta perder uma das finais), alguns dos fogosos adeptos que hoje aplaudem e rejubilam com o estado de graça da equipa de futebol facilmente mudarão de opinião à luz de experts da matéria. Tal como o fizeram no passado recente. Por outras palavras, traduzir-se-á num aumento de suspeição em que nada beneficiará a equipa que tanto trabalhou para ultrapassar o clima de desconfiança de início de época. Na gíria diz-se que uma final é uma final e tudo pode acontecer, mas importa assumir sem tibiezas que o Benfica é claramente favorito e, sendo igual a si próprio e encarando o jogo com o máximo de seriedade, levará de vencida os seus oponentes. Caso contrário, sabe-se que tudo o que não redunde numa vitória assumirá contornos negativos e, caso a sorte não nos sorria em dois dos três embates, decerto o valoroso 33.º título perderá parte do brilho. É o peso de se ser grande.

Diga-se que apesar do Benfica ser favorito em qualquer uma das finais, terá de jogar ao melhor nível se quiser vencer adversários difíceis que seguramente terão tanta ou mais fome de vencer as finais do que nós. Caso contrário, se a equipa se alhear ainda que seja por breves momentos das partidas e se perder a concentração, arrisca-se a dissabores, a ver os adversários crescerem, e até a um final amargo. Acresce que, além da natural motivação e qualidade de Rio Ave e Sevilha, sabe cada uma destas formações a equipa de qualidade que terá pela frente, algo que os obrigará a cuidados redobrados e pelo qual não abdicarão de 90 minutos de concentração máxima. E no que diz respeito à formação vila-condense, tão pouco se debruçará sobre minudências como eventualmente nós poderemos vir a fazer no capítulo - contraproducente - da hierarquização de competições.

Por todos os motivos e mais alguns, importa pois que Jorge Jesus assuma as fraquezas da sua equipa internamente, até porque depois da 1.ª parte do Benfica-Juventus, importa referir, os seus pupilos não voltaram a fazer minutos pressionantes em qualquer partida e ficaram aqui e ali à mercê dos seus adversários; por natural limitação física (2.ª parte do Benfica-Juventus), por incapacidade (1.ª parte do FC Porto-Benfica), e obviamente por instrução do técnico que, quer em Turim quer no Dragão, na generalidade colocou especial enfoque no capítulo defensivo, apesar do bluff para com Conte.

Admitamos assim que, quer no Dragão - 30 minutos a ver jogar na 1.ª parte depois de 10 minutos iniciais de bom nível - quer no Juventus Stadium - em que a turma italiana esteve perto do golo por várias vezes -, o golo do adversário até podia ter chegado se a sorte não estivesse do nosso lado. E, não estando e os adversários tivessem marcado, ninguém certamente assumirá de pronto que o Benfica teria conseguido reentrar na discussão desses jogos, ante adversários de qualidade e cumulativamente confiantes com o resultado a seu favor.

Esperamos pois que, para além do exigível sentido de responsabilidade e espírito de missão que terá de acompanhar os atletas, também Jorge Jesus comprove os ensinamentos adquiridos nos últimos anos e prefira gerir o aspecto anímico dos atletas em detrimento do físico, algo que por esta altura apenas o Clássico permite. Transmitir a mensagem certa, neste ciclo, decerto sobrepor-se-á a tudo o resto...








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