Ponto Vermelho
Clássico estranho
10 de Maio de 2014
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Enquanto a contagem decrescente para as finais de Turim e do Jamor continua a seguir a sua tramitação normal e para onde se viram todos os olhos e todas as atenções, falta ainda disputar a última jornada do Campeonato Nacional com praticamente tudo resolvido, à excepção de quem irá ser relegado para a II Liga, já que, numa sábia decisão dos especialistas que abundam no nosso Futebol, a I Liga foi de novo alargada para 18 clubes na próxima época. Se isso correspondesse a uma real competitividade do Futebol português estaríamos de acordo, mas infelizmente não essa a realidade e continuam a fazer-se arranjinhos que nada têm a ver com o desenvolvimento e progresso do futebol. Adiante portanto.

Assim sendo e num conjunto de jogos para quase só preencher calendário, as atenções estão viradas para Setúbal, Restelo e Paços de Ferreira pois será aí que se traçará o destino dos candidatos à descida. Uma situação algo anormal se atendermos que hoje é dia de clássico FC Porto-Benfica que por motivos óbvios deveria concentrar em si todos os focos, para já não falar de um interessante Sporting-Estoril dado o crescimento que o clube da Linha vem registando nas últimas épocas bem traduzido nas classificações obtidas. Mas as coisas são o que são e não como gostaríamos que elas fossem, embora no caso benfiquista seja um momento há muito esperado em que os encarnados visitam o Dragão como campeões e sem qualquer tipo de pressão.

Correu mundo e foi intensamente glosada a cena por esta altura da época passada de Jorge Jesus ajoelhado no tapete verde do Dragão depois do inesperado e impensável golo de Kelvin quando já todos – mas mesmo todos! –, não concebiam outro desfecho que não fosse o empate e a possibilidade do Benfica se sagrar campeão na última jornada. Mas as ironias do destino particularmente do Futebol, dão origem às situações mais inesperadas e hoje, no tal jogo que não entusiasma e provavelmente irá ter a mais baixa assistência das últimas décadas, Jesus terá a sua oportunidade de ouro de se desforrar e poder, pela primeira vez em muitos anos, assistir calmamente sentado e sem qualquer excitação no banco de suplentes encarnado. Não é todos os dias que pode gozar desse previlégio. Quanto à cena de estar ajoelhado e tanto quanto nos lembramos, era a sua imagem de marca quando treinava o Belenenses pelo que não foi um caso inédito na sua pessoa.

Dado o enquadramento do desafio e a proximidade da final da Liga Europa a convocatória efectuada pelo treinador do Benfica reflecte isso mesmo, numa gestão e rotação do plantel que esta época respondeu a todas as críticas anteriores quando por esta altura os jogadores nucleares se encontravam sem dúvida algo fatigados devido à intensidade e sobrecarga de jogos efectuados até então. Não é caso virgem no mundo do Futebol e ainda esta época, neste preciso momento, estamos a observar outros emblemas de nomeada a começar pelo Real Madrid, a verem as suas equipas a serem dizimadas por lesões fruto do esforço e do cansaço pelo anormal número de jogos. Por mais que os especialistas afirmem que é possível gerir o cansaço desde que se verifique um intervalo de descanso suficiente entre os jogos, a realidade é que os jogadores continuam a ser humanos e como tal…

Promete, pois, Jorge Jesus apresentar uma equipa inédita no Dragão. É justamente aí que reside a curiosidade da contenda. Saber até que ponto jogadores menos rotinados e com muito menor experiência do que os consagrados, conseguirão responder à equipa do FC Porto que projecta apresentar os seus melhores intérpretes de momento. A tudo isso é preciso acrescentar o ambiente adverso que sem chegar à expressão que atingiria noutras circunstâncias se porventura o jogo fosse disputado noutro enquadramento competitivo, ainda assim terá alguma hostilidade ou não prevalecesse a rivalidade doentia que costuma caracterizar grande parte dos adeptos portistas. É de facto um bom desafio para testar a capacidade de reacção dos jovens benfiquistas que estamos convictos serão capazes de estar à altura de corresponder às exigências.

Estes são os jogos que dão calo e asseguram o crescimento emocional dos jogadores que assim se vão preparando para um patamar mais competitivo quando amanhã pisarem outros palcos onde o grau de exigência dos desafios e dos adversários exigem, para além da sua capacidade de futebolistas, um controle emocional que os ajude a contornar os problemas que se lhe deparem e não cometam erros que por vezes deitam tudo a perder. Individual e colectivamente. Quanto ao jogo em si, apesar de tudo, não se poderá exigir demasiado num desafio típico de fim de época onde não existem exigências para qualquer dos adversários em confronto.








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