Ponto Vermelho
Ponto final no campeonato
12 de Maio de 2014
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Caiu o pano sobre mais uma edição do Campeonato Nacional de Futebol. Vitória incontestável do Benfica que começou muito mal, esteve à beira de prolongar a agonia na 2.ª jornada em casa com os Galos de Barcelos e, a partir daí, foi sempre crescendo até se perpetuar no lugar mais alto do pódio com inteiro merecimento. Não foi fácil devido ao vendaval de críticas e à desconfiança de muitos adeptos que apenas se renderam às evidências no final, à vaga de lesões graves sem precedentes que dizimou jogadores nucleares por largos períodos e, por último, à réplica inesperada de um rejuvenescido Sporting que ultrapassou largamente as expectativas. Desta vez o FC Porto como maior rival dos últimos anos esteve muito aquém do esperado.

Se fizéssemos uma rápida retrospectiva ao passado recente observaríamos que muita água correu debaixo das pontes desde que se deu o pontapé de saída. Os dois finais de época consecutivos que deprimiram muitos benfiquistas estiveram sempre presentes durante boa parte da temporada, começando apenas a desanuviar quando se começou a perspectivar a inevitabilidade do título. Ultrapassada essa longa maratona de dúvidas apesar da equipa apresentar provas inequívocas de que estava no caminho certo e que não iria vacilar, as emoções e a euforia contidas transformaram-se num mar de entusiasmo difícil de descrever que ecoou pelos quatros cantos do planeta, dado que é impossível perspectivar um lugar no Mundo sem benfiquistas. E a saudade da diáspora tem mais força porque autentica ainda mais a honra e o orgulho de pertencer ao Glorioso.

Apesar de ter sido uma vitória que não deixou margem para dúvidas, ainda assim repetiram-se argumentos e houve insistências nas teses miserabilistas que têm feito escola no panorama do futebol português. Com o FC Porto a caminhar para talvez a pior época de todo o consulado de Pinto da Costa e por isso mesmo intensamente focado na procura de explicações para o descalabro inexplicável aos olhos dos seus adeptos que não estavam preparados para uma surpresa tão desagradável sobretudo os mais jovens, as despesas da desvalorização couberam ao nosso vizinho Sporting e ao verdadeiro enxame de paineleiros estrategicamente distribuídos pelos vários órgãos de comunicação social desde há muito, e que animados com a carreira do seu clube ou por serem simplesmente anti-benfiquistas, tudo fizeram para colocar em causa e desvalorizar a vitória encarnada.

O grande enfoque foi, como não podia deixar de ser, o seu velho cavalo de batalha – a arbitragem – em que conseguiram descobrir uma tenebrosa conspiração engendrada por homens sem rosto travestidos de encarnado para afastar o Sporting da luta pelo título. Aproveitando algumas situações em que foram efectivamente prejudicados, partiram para a cruzada do choradinho que semana após semana foi replicada na comunicação social, fazendo tábua rasa de alguns benefícios recebidos mas estrategicamente deixados esquecidos na gaveta. É certo que há uma tendência de todos para apenas fazer ressaltar as situações desfavoráveis, mas o caso leonino foi levado ao exagero por alguns dos seus pontas de lança. Em Alvalade logo na 3.ª jornada com o Benfica e na 23.ª com o FC Porto adversários directos, foi indiscutível que o Sporting beneficiou dos favores das arbitragens que tiveram influência no resultado final.

Subjacente a tudo isso parece continuar a estar o eterno complexo que leva muitos adeptos sportinguistas a começar por alguns mais influentes, a festejar as derrotas do Benfica mais do que as suas próprias vitórias, significando que estão sempre a olhar desconfiados para o outro lado da 2.ª Circular na esperança que as desgraças se abatam sobre o vizinho. É uma situação profundamente enraízada em muitos espíritos leoninos que tem vindo a ser propagada ao longo de gerações, que será muito difícil de erradicar quando se confunde a rivalidade de mais de um século com uma forma de estar doentia e obsessiva e que reverte em última instância para o acentuar da sua própria depressão. A mensagem ontem exibida em Alvalade por uma das claques quando o que está em jogo na 4.ª é, para além do mais, o prestígio do futebol português, ilustra bem até que ponto a doença se afigura ser de todo incurável.

Indiferente a isso o Benfica prossegue com espírito de missão. Faltam dois jogos que irão determinar até que ponto a temporada será somente boa ou excepcional. Muitos têm sido os escolhos que têm surgido nos últimos tempos, desde lesões a castigos de jogadores importantes (apesar de ainda haver alguma esperança sobre Markovic). E, para um maior sublinhado, temos tido agora mais um folhetim com a saída do treinador e de vários jogadores do plantel. Ao que fez constar hoje um eminente especialista do mundo da especulação, aos dirigentes do Benfica está apenas reservado o papel de marionetas submissas ao papel todo poderoso do capital e dos empresários. E esta, ein? Resta apenas acrescentar que o foco continua todo em Turim e no Jamor e este tipo de notícias próprio do defeso, terá o seu tempo. Afinal ainda falta muito para o Campeonato do Mundo…








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