Ponto Vermelho
Tempo que aí vem…
13 de Maio de 2014
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Num dia de grande simbolismo religioso para os que encaram Fátima com grande devoção e num tempo em que o Futebol português se prepara para enfrentar mais uma prova confirmativa do seu grande valor e maturidade através do Benfica que se prepara já amanhã para tentar quebrar a tendência quase hegemónica de nuestros hermanos que apresentam uma percentagem de 75% de equipas candidatas a arrebatar as duas mais conhecidas provas organizadas pela UEFA, os órgãos de comunicação social têm atribuído grande destaque à pretensa movimentação de treinadores dos clubes, nomeadamente no nosso vizinho de Alvalade.

Com efeito, perante os dados que se vinham a acumular, parecia evidente que no final haveria tendência para que pudesse vir a ser eventualmente considerada uma forte hipótese de divórcio. Leonardo Jardim a quem podem ser já tributados vários êxitos na sua ainda curta carreira, tem, até agora, optado por não aquecer o lugar nos sítios por onde passou e já foram alguns. Foi assim com o Beira-Mar, SC Braga e Olympiacos pelo que não se estranha de todo estar agora a acontecer com o Sporting. Jardim está a gerir a sua carreira com inteligência e revela sagacidade na análise dos dados conjunturais dos clubes por onde tem passado. No Sporting não está a ser diferente.

A surpresa que constituiu a excelente performance realizada pelo Sporting esta época à qual, para além da estrutura directiva que esteve mais de perto ligada à equipa não é possível dissociar o grande trabalho de Leonardo Jardim no futebol apresentado, na inesperada classificação obtida e na afirmação plena de alguns jovens jogadores, criou como era expectável uma enorme vaga de optimismo na falange de adeptos leoninos ávidos de vitórias depois de anos e anos de completos insucessos. Esse facto, aumentou como está bom de ver largamente as expectativas dos adeptos que passaram por via disso a exigir a candidatura ao título na próxima época.

Esse eco acabou por afectar o seu jovem presidente que, embalado por uma notável recuperação em relação ao passado recente se deixou iludir com as verdadeiras coordenadas, olhando para uma conjuntura de entusiasmo com emoção quando deveria efectuar a análise com frieza e o pragmatismo de gestor. Depois dos vários sinais esta época em que claramente forçou Jardim a assumir a candidatura ao título durante a época que ora findou quando ainda todos os sonhos eram permitidos, culminou a intervenção com ele próprio a anunciar a candidatura para a próxima temporada. Isso criou uma disfunção discursiva nítida entre presidente e treinador, sendo que este último sempre teve um discurso mais consonante com a realidade objectiva. E foi por isso criticado.

Na actual conjuntura uma coisa é o Sporting no início de cada época, pelo seu passado histórico e na sua condição de clube grande, anunciar que os seus objectivos passam por tentar fazer o melhor possível incluindo a possibilidade de lutar pelo título. Outra completamente diferente é anunciar de forma peremptória que é um candidato assumido e pronto a vencer. Parece quase a mesma coisa mas o seu significado real é totalmente distinto. Poderá até acontecer mas, à partida, as armas e as condições de que dispôe continuam a não ter comparação com as dos seus dois rivais mais cotados. E isso, se não faz toda a diferença, é um factor de enorme desequilíbrio.

Jardim, melhor do que ninguém, percebeu que esta época apesar dos grandes ganhos colectivos, tinha sido atípica. Porque ganhou enorme crédito em contraponto à anterior e porque tinha acabado de beneficiar de uma situação favorável a partir de determinada fase, derivada do facto do Sporting estar apenas e só concentrado no campeonato. E isso permitiu-lhe gerir mais criteriosamente a exiguidade do plantel, não expondo os jogadores a maratonas de jogos com pouco descanso e evitando lesões sobretudo de natureza muscular que, a acontecerem, teriam tido efeitos dramáticos por falta de opções credíveis no plantel à sua disposição.

Essa foi a questão essencial transportada para esta época onde face às declarações de Bruno de Carvalho o patamar de exigência disparou para níveis impensáveis. Sendo reconhecidas as dificuldades para adquirir activos de nomeada que pudessem juntar valor acrescentado à equipa de forma a dotá-la dos indispensáveis valores que permitissem ao Sporting lutar pelos objectivos na próxima época, é fácil perceber que Jardim foi colocado numa posição desconfortável atendendo a que seria o primeiro a ser confrontado com um eventual insucesso. Porque, é bom não esquecer, não estamos só a falar do campeonato, mas também da Liga dos Campeões, da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Entende-se assim a forte possibilidade de divórcio.






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