Ponto Vermelho
Mais uma final que se foi...
15 de Maio de 2014
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1. Foi um lento despertar para a realidade. Hoje, ao acordar, como que ainda não estávamos cientes que o Benfica tinha deixado fugir mais uma final europeia, a 8.ª consecutiva, o que coloca o Clube encarnado no topo dos emblemas com mais finais perdidas ao longo de mais de meio século. O que prova que o Benfica mesmo inserido no subjectivo e pouco competitivo futebol português, tem conseguido demonstrar durante todo esse tempo uma capacidade digna de realce que merece e justifica ser destacada. Mesmo apesar da sua participação em finais se saldar por um balanço deveras negativo.

2. Bem sabemos que a História apenas concede a glória aos que inscrevem o seu nome como vencedores dos troféus e tende a ignorar os vencidos que ficam apenas com um simples registo de participação. Mas para a história completa das provas não é possível escamotear todo um passado que não se circunscreve a uma simples aparição ou até mesmo de vitórias esporádicas fruto de um conjunto de circunstâncias favoráveis em determinados momentos, mas antes feito de factos consistentes e consolidados em conjunturas muito diversificadas, logo revestidas de diferentes graus de dificuldades. Não são, portanto, meros acasos.

3. A sequência de derrotas em finais europeias que se iniciou no longínquo ano de 1963 tem vindo a alimentar um mito que entronca no desabafo do então treinador bicampeão europeu Guttmann. E a estátua recentemente inaugurada na Luz com o intuito de homenagear o até agora único técnico que venceu finais europeias ao serviço do Benfica, terá contribuído de algum modo para que alguns alimentem a maldição. Como já tivemos ocasião de o referir, o simples facto de a evocar é contribuir para manter vivo esse mito que sempre surge quando o Benfica disputa uma final europeia. Urge erradicá-lo de vez mas para isso nada melhor do que uma próxima vitória.

4. Ontem, mais uma vez, estivemos muito próximo. A percentagem de favoritismo que nos era atribuída esteve bem patente ao longo dos 120 minutos de jogo mas acabou por não se concretizar no final. Verdade seja dita que vários foram os handicaps que o Benfica teve que enfrentar. Desde logo as lesões que conjugadas com os castigos de elementos-chave da equipa retiraram força, potencial e equilíbrio. Não que os jogadores que os substituiram não tenham desempenhado bem o papel e mereçam toda a confiança, mas é inegável que por alguma razão os jogadores que não puderam dar o seu contributo pelas razões enunciadas são aqueles que mais vezes são chamados à equipa.

5. Com efeito, ficar de uma assentada privados da espinha dorsal do meio-campo e dos elementos que costumam actuar no flanco direito teria fatalmente que causar mossa tendo em conta que não se tratava de um jogo qualquer mas sim de uma final europeia. Se a isso adicionarmos o inutilização de Sulejmani praticamente na alvorada do desafio através de duas entradas duríssimas, temos que convir que é demasiado. Mas se ainda juntarmos uma actuação verdadeiramente deplorável do apitador germânico e demais elementos, as dificuldades a enfrentar aumentaram exponencialmente reequilibrando de algum modo as operações, ao mesmo tempo que atenuaram a superioridade antevista do Benfica.

6. Mau grado todos esses factores adversos e à excepção de fugazes períodos, os encarnados revelaram supremacia durante todo o jogo. Para que ela pudesse ser materializada impunha-se, para além de um pouco de sorte (que não tiveram), eficácia na concretização das oportunidades de que amplamente disfrutaram e que por uma razão ou por outra não foram materializadas. Até porque não é costume o Benfica ficar em branco. E pela forma como o jogo se estava a desenrolar e pela forma receosa com que o Sevilha estava a abordar o encontro, parecia evidente que caso os encarnados marcassem praticamente sentenciavam o desafio.

7. O Benfica não conseguia concretizar as oportunidades que íam surgindo e os andaluzes perceberam que a única chance seria tentar arrastar a decisão para os pénaltis. E aí, é indiscutível que foram mais competentes para além do apitador ter feito vista grossa às irregularidades do seu guarda-redes. Em resumo: mais uma final perdida devido a múltiplas razões e onde o Benfica demonstrou, apesar de amputado de elementos nucleares e ter sido forçado, mais uma vez, a enfrentar para além do adversário em si, forças estranhas, que é uma excelente equipa que dignificou mais uma vez o futebol português. Já com outra final no horizonte, é vital que os jogadores e a estrutura ultrapassem este momento de tristeza e se concentrem na final do Jamor. Os adeptos apesar da frustração, por certo compreenderão e não regatearão o apoio que amplamente merecem e justificam por tudo o que têm feito.






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