Ponto Vermelho
Malapata
16 de Maio de 2014
Partilhar no Facebook

Por Bolandas

Faltam as palavras. 10.ª final europeia, 8.º desaire consecutivo. Não é maldição, é malapata, ou se quiserem borrego, por acaso bem grande e que decididamente nos ocupa(rá) cada vez mais o subconsciente. Sobretudo aos mais sensíveis e supersticiosos. Ou muito nos enganamos (e oxalá que sim), ou tão breve o Benfica não reunirá condições tão favoráveis para conquistar o seu quarto título europeu, jogando frente a uma equipa perfeitamente ao seu alcance, em casa e para mais com a moral no pico máximo, para a qual tanto contribuiu termos sabido renascer das cinzas juntando a isso conquistas saborosas e até apuramentos épicos...

Dissimulações não faltarão por parte de quem não sentindo a dor benfiquista que nos vai na alma tem por missão vender papel ou promover audiências. Desfilarão justificações mais ou menos cabais dos mais variadíssimos quadrantes, como que querendo acentuar e perpetuar a nossa tristeza. Mas isto não é para se perceber, é para digerir... e rapidamente! Falhas clamorosas ao nível da concretização, um problema tão português... Entrámos relativamente bem no jogo, ainda que nervosos e longe da equipa pressionante que costumamos ser. Deixámos o nervoso miudinho apoderar-se de nós à medida que fomos falhando passes querendo fazer tudo depressa e bem, e com isso permitimos ao adversário algum descanso defensivo onde precisamente reside uma das suas principais lacunas. Foi a história de grande parte do primeiro tempo, embora na recta final do mesmo houvesse já um numeroso desfile de oportunidades perdidas.

Daí em diante houve um Benfica a querer ser autoritário e mais perto do seu valor, sempre mais equipa do que o conjunto da Andaluzia cujos contra-ataques iam saindo cada vez menos. O sinal mais pertencia ao Benfica, ante um adversário que dentro e fora do campo ía dando sinais que o prolongamento e as grandes penalidades talvez pudessem ser o seu único caminho de saída. Algo que infelizmente veio a verificar-se. Compreensível festa quando o árbitro alemão apitou para o final do tempo regulamentar e depois para as grandes penalidades - notório desconforto português. Os estados de espírito eram distintos; de um lado uma equipa que não foi compensada por assumir as despesas de jogo e criar as oportunidades de golo que criou; do outro a recompensa de quem a partir de dada altura jogou para o 0-0 e desempenhou bem a tarefa. Foi visível no rosto dos jogadores benfiquistas o pavor que subitamente se apoderou de todos. O grito de guerra do Sevilha e ainda terem a seu favor o facto de escolherem a baliza nada de bom faziam antever, por muito optimistas que estivéssemos a ser. As esperanças encarnadas esvaíram-se quase na totalidade logo que Cardozo falhou a sua grande penalidade, e a partir daí a história que sabemos e não merecíamos.

Chorando sobre leite derramado e para além das culpas próprias, lamentáveis foram também os erros do árbitro alemão que em três possíveis grandes penalidades a favor do Benfica (e pelo menos uma expulsão ainda durante a 1.ª parte) conseguiu... não assinalar uma. Acontece, como aconteceu a lesão precoce de Sulejmani, a juntar a outros problemas nas alas que adviram do segundo jogo ante a Juventus, caso do amarelo exagerado a Salvio e ainda a expulsão sui generis de Lazar Markovic. Também para estas coisas é preciso sorte. E nós não a tivémos...

Mas, perante a consumação do facto, importa agora sobretudo olhar em frente, até porque haverá bastante tempo para meditar sobre este desfecho europeu mas pouco para levar de vencida uma já q.b. enguiçada Taça de Portugal. Ao fim ao cabo as últimas impressões são sempre as que ficam, mas, com o devido respeito pelo Rio Ave, essa é a festa que fizémos por merecer e que não queremos perder. Apesar de compreendermos que o enorme esforço dispendido e desgaste provocado pela injustiça do resultado da final de Turim poderão ter efeitos algo perniciosos no sub-consciente dos atletas, acreditamos que no Domingo seremos compensados e alcançaremos o triplete.










Bookmark and Share