Ponto Vermelho
Arrumar a tenda…
18 de Maio de 2014
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À distância de escassos dias seria de facto impossível não estabelecer paralelismo entre Turim e o Jamor. Porque poderá vir a ter influência na atitude e no comportamento da equipa do Benfica e porque as interessantes leituras têm animado as tertúlias e o espaço informativo com comentários e opiniões transversais de quem estava à espera do primeiro deslize dos encarnados para dar largas à sua alegria. Se isso é um facto normal do adepto comum dos nossos principais adversários e dos anti-benfiquistas convictos, já não o deveria ser em alguns plumitivos que deveriam pautar as suas opiniões com um pouco mais de decoro e de isenção. Não lhe ficava nada mal, antes pelo contrário. Mas isso é uma questão de ética e isso como se sabe é coisa que neles não existe…

Com exclusão de alguns fanáticos que não conseguem enxergar a sua própria sombra com receio de serem atingidos por alguma maldição, as opiniões foram praticamente unânimes em relação à arbitragem protagonizada pelo germânico-mundialista Felix Brych e dos seus 4 árbitros assistentes. Foi uma actuação demasiado habilidosa e vergonhosa para que possa ser considerada um fruto do acaso. Errare humanum est, mas foram erros a mais e demasiado grosseiros para que pudesse ser considerada uma noite de azar. Falhar sempre para o mesmo lado e ter influência no resultado é coisa que nos recusamos a aceitar por mais vontade que nos assista. Mas, já antes na meia-final, o seu colega britânico Mark Clattenburg tinha ajudado ao ter colocado fora da final influentes jogadores encarnados, com um critério que deixou muito a desejar. A miopia da UEFA fez o resto.

Já observamos o fenómeno do futebol os anos suficientes para saber que os jogos nem sempre se decidem apenas nas quatro linhas. A UEFA a nível das várias vertentes tenta promover o equilíbrio das várias influências e aí, apesar de toda a sua boa vontade lírica, o futebol português continua a ser o parente pobre sem qualquer tipo de influência e sujeito às mais incríveis arbitrariedades. E por isso perde em situações em que os adversários são melhores e o justificaram, e continua a perder quando foi superior em campo e só não chega à vitória quando há prejuízos ostensivos que o afastam de vitórias justas. É um facto iniludível que merece ser destacado sem qualquer tipo de prurido. Veja-se a urbana reacção encarnada.

Ainda sobre o jogo de Turim constatámos que os do costume apesar de não terem argumentos para branquear a actuação de Herr Brych com uma influência demasiado ostensiva no resultado final, se afadigaram em demonstrar que, mau grado essa evidência, o Benfica não conseguiu trazer a Taça devido a exclusivos erros ou insuficiências próprias. A isso, e só a isso, deveria ser atribuído o falhanço encarnado. Que chamar a esta visão redutora com lentes desfocadas? Fanatismo, anti-benfiquismo? Miopia? Talvez um pouco de tudo. Mas, para mal dos seus pecados, as suas perorações cada vez mais convencem menos. Até os mais distraídos. Citemos Aristóteles: «Que vantagens têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade».

Concluído para já este infeliz capítulo, o tempo urge e a ponte tem e deve ser feita rapidamente. O mítico Jamor é o próximo destino da nau encarnada. Pela frente um velho repetente que terá o ensejo de medir forças com o Benfica em três finais consecutivas: Taças da Liga e Portugal e Supertaça Cândido de Oliveira. Encerrada a questão da primeira, segue-se já hoje a de Portugal – a rainha. Sob os efeitos e ainda no rescaldo da final da Liga Europa ingloriamente perdida, o Benfica apresenta-se no Estádio Nacional disposto a levar de vencida o valoroso Rio Ave que naturalmente aspira a uma surpresa. Para isso conta com o desgaste encarnado (físico e psicológico) e com a vontade de fazer definitivamente história. Convenhamos que é um factor poderoso a levar em conta.

Poderá por isso ser um jogo interessante. Os vila-condenses apresentam-se na máxima força, frescos e dispostos a tudo fazer para levar a Taça para Vila do Conde e inscrever pela 1.ª vez o seu nome como vencedor da prova. Por sua vez o Benfica aspira a fazer outra vez história com um triplete nunca dantes conseguido por outra equipa portuguesa. E, finalmente, o árbitro que preparou muito bem o encontro (não era suposto?) e conhece as manhas de todos os jogadores, pelo que estão à partida reunidos todos os ingredientes para que o desafio, para além de ser uma festa, venha a ser aliciante. Quem terá mais possibilidades? Sem dúvida o Benfica que apoiado por uma multidão de adeptos tudo fará para alcançar o seu objectivo e encerrar a época em beleza e desmontar a tenda. É isso que esperam todos os benfiquistas!

P.S. Os nossos iniciados A acabam de se sagrar Campeões Nacionais. Parabéns a todos. Foram valentes e dignos da camisola que envergam. Uma vitória para a Formação.








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