Ponto Vermelho
Novos tempos, novas perspectivas
22 de Maio de 2014
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1. Encerrada a época desportiva e divulgado o nome dos 23 seleccionados para o Mundial do Brasil com a tradicional polémica que sempre acompanha estas escolhas porque existe em cada um de nós um seleccionador em potência, enquanto vivemos o hiato até à ‘Copa 2014’, as atenções estão centradas na movimentação de jogadores e treinadores. A avaliar pela amostra a coisa promete agitar os adeptos que no início de cada época estão sempre expectantes sobre que irá acontecer à sua equipa em termos de saídas e reapetrechamento do plantel (ainda que sem o fulgor de outrora), e em vários casos do próprio treinador. Este ano já temos 2 grandes com novo treinador ainda que por razões diametralmente opostas.

2. No FC Porto depois de uma época decepcionante que se saldou com um enormíssimo fiasco (A Supertaça diz respeito à época anterior), de ter rescindido com Paulo Fonseca (uma prática inabitual no Dragão) e ter requisitado o treinador da equipa B Luís de Castro para comandar a equipa interinamente, a mudança era inevitável atendendo a que a super-estrutura não conseguiu impôr as directrizes e o controle e a situação acabou por descambar com vários casos públicos de insatisfação por parte de alguns profissionais. E quando são os mais influentes...

3. Foi entendido ser altura de regressar à fórmula dos treinadores estrangeiros tendo sido escolhido o basco Julen Lopetegui sem experiência de treinar equipas de clube mas com uma experiência interessante ao serviço das Selecções jovens espanholas. Chega ao FC Porto com a dupla missão de fazer regressar os portistas às épocas vitoriosas recentes e simultaneamente tentar impedir que o Benfica repita nova época de sucesso. Pelo que tem sido possível observar tem levado um intensivo banho de portismo pois não tem havido clássico com o Benfica no perímetro circundante do eixo Dragão/Olival (seja qual for a modalidade ou a categoria – daqueles que sempre acontecem por coincidência no final de cada época em casa dos portistas –). É pois de crer que logo que comecem as suas intervenções públicas correntes o seu discurso apareça já modelado.

4. Sobre o seu trabalho há que aguardar, mas os indicadores não são para já muito agradáveis face aos problemas que têm ressaltado, quer com os rumores de ordenados em atraso, quer com a aquisição de jogadores de nomeada, quer ainda com a transferência de outros dada a premente necessidade de vender quando se verifica uma acentuada desvalorização devido à época falhada. Como em tudo na vida o tempo será o mestre mas a realidade demonstra que se porventura estivéssemos na pele de adeptos portistas não deixaríamos de reflectir apreensão e pessimismo. A ver vamos qual o panorama que o futuro delineará, pois segundo vaticinam os optimistas (incluindo os sportinguistas de costela azul), a época passada foi apenas um caso sem exemplo…

5. Nenhuma surpresa também com a situação dos nossos vizinhos. Depois de Bruno de Carvalho não ter refreado o entusiasmo e ter colocado a fasquia a um nível demasiado alto sem estar em condições de poder garantir os meios necessários para a atingir, era expectável que Leonardo Jardim se demarcasse pois ele melhor do que ninguém sabia que é muito bonito desejar omeletes suculentas mas para isso é fundamental primeiro garantir que as galinhas ponham os indispensáveis ovos. A sua saída acabou por não constituir surpresa pois corria o risco de vir a ser a grande vítima caso não garantisse o céu na época que se avizinha. O único dado curioso da questão foi, mal se começou a desenhar a sua não continuação, as dicas/comentários que logo surgiram na imprensa que o configuravam, de forma sub-reptícia, como um rato a abandonar o navio. Pois…

6. Chega agora Marco Silva tido como um D. Sebastião pois de acordo com os mentideros era o mais desejado, no Dragão, em Alvalade e até na Luz. Na sua ainda curtíssima carreira o seu trabalho e a sua postura têm falado por si e apresentam-no com futuro risonho. Entra sob os efeitos do paralelismo com Paulo Fonseca que um ano antes, face à conjuntura atravessada pelos principais clubes, tinha passado pela mesma situação. Mas cada caso é um caso. O falhanço de uns não significa necessariamente repetição noutros lados a despeito da realidade ser teoricamente mais desfavorável.

7. Reiterado o objectivo de Bruno de Carvalho na apresentação de Marco Silva – ser campeão – (embora andem já por aí alguns a querer disvirtuar objectivos para prevenir eventuais falhanços), é tempo do primeiro começar a garantir meios ao segundo para tornar viável esse desiderato. Porque para além da interrogação que paira sobre a sua adaptação a uma nova realidade muito mais pressionante e exigente, os leões não passam apenas a jogar de semana a semana; estão envolvidos à partida em 4 provas com diferentes graus de complexidade e exigência e isso requer obviamente material humano em quantidade-qualidade suficiente para as enfrentar com um mínimo de possibilidades. Concedemos pois tempo ao tempo…






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