Ponto Vermelho
Vendilhões do Templo-Parte I
23 de Maio de 2014
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Por EagleView

Todos os benfiquistas sabem que a extraordinária época que a equipa profissional de futebol conseguiu e que, para além de ser única ao ponto de até o próprio site da UEFA o ter realçado, acabou por constituir uma autêntica pedrada no charco e uma estalada de luva branca em todos os seus detractores, sejam eles simples adversários ou anti-benfiquistas convictos. E também sabem que a inveja e a azia andam invariavelmente de mãos dadas nestas ocasiões, tornando ainda mais difícil a sua existência terrena. Sabem ainda que, toda essa gente não hesita na utilização de quaisquer meios, lícitos ou não, para impedir o prolongamento desse estado de graça. Para isso contam com um bom mestre no Dragão que tem uma intensa experiência de mais de 3 décadas nesse capítulo e que os pode ajudar se necessário for.

Não estranhamos por isso (eu pelo menos não estranho), que ainda com a temporada a decorrer e logo que a perspectiva da vitória benfiquista no campeonato começou a ganhar forma, tenham começado as movimentações tendentes a impedir que na próxima época tal volte a acontecer. A partir do momento em que a dimensão da vitória encarnada ganhou foros de excepção, então foi o pânico generalizado em certas hostes porque passou a existir o receio que seja para repetir. Tudo passa a ser possível, nomeadamente a tentativa de desmembrar o plantel e da qual nem sequer escapa a equipa técnica, em particular um dos seus principais elementos – o tão vilipendiado Jorge Jesus que agora assume uma importância estratégica que nem o próprio alguma vez terá sonhado…

Essas estratégias assumem contornos multifacetados como por exemplo, a sua eminente transferência para o Mónaco ou para o Valência sem que para além da especulação para atingir fins evidentes, nenhum fundamento existia. Sem contar com os inúmeros jogadores a aguardar a sua vez na fila das transferências, uma das teses agora paradoxalmente muito em voga é que o Benfica é já demasiado pequeno para Jesus que necessita do desafio num clube de outra dimensão galáctica para poder provar que os seus êxitos não são efémeros e não se esgotam apenas no Benfica. Percebo o que pretendem atingir, não passando pelo lógico crescimento próprio mas sim pela tentativa de enfraquecimento dos outros, auto-nivelando-se por baixo. Por isso o Futebol português está como está e assim promete continuar enquanto gente com este tipo de mentalidade mesquinha e invejosa por cá andar.

Um dos veículos promocionais dessas teses miserabilistas e complexadas, como não podia deixar de ser, são os media. Em face da concorrência desenfreada e da guerra das vendas e das audiências, há orgãos de informação nomeadamente jornais que por vezes me tiram do sério. O Record é um bom exemplo ilustrativo. As suas edições contêm constantes campanhas de mentiras e invenções com propósitos pouco claros. Tentar vender papel à custa do Benfica é legítimo porque ninguém vive do ar; não conseguir esconder as simpatias clubísticas também é legítimo desde que não influencie o rigor e a objectividade das notícias. O que já não é legítimo são as constantes tentativas, através de jornalistas-recadeiros que emprega, de manipular e tentar intoxicar a opinião pública.

Pessoalmente defendo que toda a gente, empresa ou instituição, tem o direito de não esconder as suas simpatias clubísticas. O que já não posso esconder nem deixar de denunciar é o acolhimento que alguns jornais fazem a jornalistas e colunistas que deixam muito a desejar em termos éticos e profissionais. Um jornal sendo um espaço de debate, não devia descer por vezes, a um nível que me dispenso de adjectivar. Profissional que desconhece ou se recusa a respeitar o código deontológico da sua profissão é objectivamente um mau profissional e devia ser impedido de exercer. Isso passa-se em todas as profissões. Porque deverá ser o jornalismo excepção?

Neste particular, estou a referir-me em concreto ao jornalista-editor do Record, Jorge Barbosa (JB), conhecido adepto do FC Porto. O problema não reside no facto de ser adepto dos portistas (um direito que lhe assiste como é óbvio) mas de utilizar o jornal onde escreve como veículo de propaganda para tentar passar mensagens que lhe são segredadas por alguém de dentro do seu clube do coração. O estilo de escrita e de mensagens não mentem, são como as impressões digitais que comprometem quem as possui.

É pública a tentativa do FC Porto de tentar retirar JJ do Benfica, até há jornalistas que afirmam a pé juntos que a contratação do Lopetegui foi uma tentativa de aproximação a Jorge Mendes com essa segunda intenção. Eu não vou tão longe mas não me admirava nada. Há muito tempo que observamos que JB não passa de uma caixa de ressonância da Torre das Antas, um porta voz dentro do Record daquilo que querem que seja veiculado para a opinião pública. Ora isso não é jornalismo sério e independente porque serve objectivamente um clube na sua guerra de bastidores com o seu maior rival, e é propaganda e manipulação de massas. Poderá ser admissível em ditaduras mas não em democracias. Mas como diria o jornalista Afonso de Melo, lá vive-se a Oeste de Pecos

Nota: Conclusão amanhã.






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