Ponto Vermelho
Vendilhões do Templo-(Conclusão)
24 de Maio de 2014
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Por EagleView

No seguimento das considerações que ontem formulei sobre o tema, deixo aqui então alguns excertos da prosa do editor do Record, Jorge Barbosa (JB) sobre Jorge Jesus:
(…) " – só não ganhou a Liga Europa porque nos jogos de grande risco, como era o caso do jogo com o Sevilha, as suas ambições encolhem-se em demasia sem se perceber bem porquê, arrastando a equipa consigo".

Tais afirmações, do meu ponto de vista, são inadmissíveis. Basicamente por reflectirem uma grande mentira quando as opiniões da esmagadora maioria, profissionais de futebol, opinadores de TV, jornalistas, etc., e acima de tudo as imagens de TV que nos foi dado observar, não mentem e desmentem-no de forma clara e provam que a perda do jogo através da lotaria dos pénaltis não foi derivada de um menor empenho dos jogadores ou a um menor desempenho do treinador mas sim, para além de razões de falta de eficácia e algum azar, essencialmente a razões exógenas ao jogo sob a forma de uma arbitragem inadmissível, isto é, de outros profissionais que o não souberam (ou não o quiseram) ser.

Podemos também falar de outros jogos de elevado risco, como os jogos com o seu clube de eleição, quando havia algo a ganhar e a perder, ganhando-os todos, em casa para o campeonato, em casa para a Taça e fora para a Liga, mandando às malvas uma teoria que ameaçava fazer parte da escola derrotista. Portanto o que JB afirma é, repito, uma refinada inverdade! A não ser que na opinião do jornalista o FC Porto tenha passado a ser um adversário sem qualquer risco o que seria obviamente ridículo.

Em nova investida: (…) "… os indicadores apontam para uma saída airosa, tanto mais numa fase como esta em que o mais difícil é fazer melhor".
É difícil fazer melhor na sua opinião, pois para além de haver mais conquistas, existem outros parâmetros pelos quais se medem os êxitos que ele bem sabe mas omite. Como, por exemplo, as conquistas contínuas de campeonatos e de Taças restabelecendo a cultura de vitória continuada. Estará nesse facto uma das razões para o seu artigo de opinião? Não me restam grandes dúvidas, pois a continuação de Jesus no projecto da estrutura assume contornos de ameaça muito séria à hegemonia portista e à consequente quebra de ciclo.

A confirmação:
(…) "Jesus aos 59 anos precisa de voar alto para provar a si próprio que o seu êxito não se circunscreve ao Benfica, enquanto, por seu turno, o Benfica precisa de um treinador que, nos momentos de maior tensão, como foram os casos de Amesterdão e Turim, e com passagens pelo Dragão, se solte e se afirme, seja igual a si próprio e fiel às suas ambições. Só assim é que terá a devida projeção europeia, que é, no fim de contas, o que lhe tem faltado. Para além de não se saber também como será possível a ambição elevada na próxima época quando quase tudo se ganhou nesta. Basta recordar os exemplos de Mourinho e Villas-Boas no FC Porto para se perceber melhor porque é que Jesus terá de sair…"

Desta citação ficámos a saber portanto, que este profissional em tons de azul é um profundo conhecedor das necessidades do Benfica. Para além disso, entra em completa contradição ao não se coibir de fazer afirmações tendenciosas quando acusa Jesus da perda das 2 finais da Liga Europa, quando toda a gente sabe as condições em que elas aconteceram, as condicionantes que existiram, os clubes com quem jogámos, os interesses poderosos que os suportavam. O Benfica não joga sozinho, as lesões também jogam, assim como os bastidores do Futebol, que são ou deviam ser sobejamente conhecidos do jornalista, pois assumem um papel muito importante que em ambos os casos foi decisivo. Mas para alguns o que ficou retido foi apenas a parte da história que lhes interessava para propagandear as suas teses miserabilistas.

Para já não falar de outros sectores de actividade, enquanto o futebol e o jornalismo desportivo em Portugal não forem limpos dos seus piores profissionais, de pessoas sem ética, de pessoas corruptas, e de outras engajadas para exercerem um papel para o qual não são pagos pela sua entidade empregadora, que colocam os interesses dos clubes de que são adeptos e eles próprios às vezes até acima dos interesses das instituições que lhes pagam o salário, é evidente que não sairemos desta mediocridade. E se há adeptos e pessoas que ao lerem essas patranhadas sabem reconhecer o logro, infelizmente muitas outras há que acreditam piamente nessas falácias de profissionais que sem respeito pela ética e pelo rigor fabricam notícias a rogo e assim executam um duplo papel – agradam à entidade patronal que assim aumenta as vendas enquanto, ao mesmo tempo, cumprem a sua missão clubística






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