Ponto Vermelho
Em Português
25 de Maio de 2014
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Por Bolandas

1. Lisboa foi ontem a Capital do Mundo e o Estádio da Luz palco de mais uma final. Apesar de algum regionalismo aqui e ali e desejos de boicote de circunstância, a realização de um evento que ainda no ano passado tinha contado com uma audiência global de 150 milhões de telespectadores deixou na generalidade os portugueses orgulhosos. Ironicamente juntaram-se fado e futebol, que reza a História no todo ou na soma das partes deram a Portugal a visibilidade internacional que (des)governantes agora apenas conseguem por via de ecos derivados do nosso pobre país andar pelas ruas da amargura. Depois de cinzentos Bayern vs. Dortmund em 2012/13 e Chelsea vs. Bayern em 2011/12, a prova maior de clubes voltou a ter muita emoção na final, com os rivais de Madrid a medirem forças para entrarem na história; de um lado a tão ambicionada décima; do outro, a entrada no Olimpo... Desta feita não se premiaram autocarros e orçamentos mas somente as melhores equipas em prova, provando que o futebol de vez em quando sabe ser justo. Tão diferentes que são Real Madrid e Atlético, mas tão eficazes e merecedores da sua presença em Lisboa; ao talento dos merengues tinham sucumbido nos oitavos Shalke, nos quartos Dortmund e nas meias-finais Bayern, à raça colchonera Milan, Barcelona e Chelsea. O Atlético esteve a escassos 2 minutos e meio de erguer a desejada, mas o prolongamento foi-lhe fatal. Parabéns aos dois sobretudo ao vencedor. E parabéns também à magnífica organização. E à FPF, à CML, ao Benfica, enfim a todos os que contribuiram para levar Lisboa e o Estádio da Luz aos quatros cantos do planeta.

2. O Basquetebol benfiquista é tricampeão, reagindo da melhor forma ao título do FC Porto em 2010/11 em que viu a sua hegemonia ser questionada. 2013/14 foi uma época quase incólume por parte da secção, e onde a única nota negativa deve ser atribuída aos benfiquistas que mesmo podendo não se deslocam aos pavilhões, contribuindo para ambientes desoladores que estes profissionais não merecem. Existem muitos obreiros desta hegemonia, mas Carlos Lisboa é um dos grandes responsáveis. Ouviu-se e leu-se de tudo em pouco em relação a esta figura incontornável do Benfica desde que regressou ao comando da equipa de Basquetebol, e ele limitou-se a responder com trabalho e dedicação. O resultado está à vista; 3 Campeonatos Nacionais (2011/12, 2012/13, 2013/14), 1 Taça de Portugal (2013/14), 2 Taças Hugo dos Santos (2012/13, 2013/14), 2 Troféus António Pratas (2011/12, 2012/13) e 3 Supertaças (2012/13, 2013/14). O Basquetebol encarnado está bem e recomenda-se, e Carlos Lisboa é a cada dia que passa melhor técnico. Se o aperfeiçoamento das técnicas de treino e a leitura dos jogos são aspectos que se aprendem com o tempo, já o carisma e conseguir transmitir aos atletas o que é o Benfica é algo que nasce com as pessoas. Também por aí se explica este sucesso.

3. João Querido Manha debruçou-se recentemente sobre a aposta na formação por parte do Benfica, dando o mote para o que procederá cada contratação encarnada neste defeso. Segundo parece, estranha a «dificuldade na transição para a equipa principal». Talvez tenha conhecimento de atletas das equipas B de FC Porto e Sporting que têm já assegurada a sua presença no plantel principal dos seus clubes, esteja distraído quanto à equipa mais activa no mercado ou porventura tenha visto em Nélson Oliveira, Roderick, David Simão, entre outros nomes sonantes da formação encarnada, épocas que infelizmente não lhes vimos. Pode até ter visto, no pontapé de saída para 2013/14, mais talento num dos jovens da Equipa B do que num dos estrangeiros contratados que fez parte da equipa principal. Da nossa parte, resumimo-nos aos factos que temos ao nosso dispôr, um deles que existe qualidade, bastando ver os jogos da formação, olhar para a representatividade benfiquista nas camadas jovens, ou saber que os jovens atletas encarnados desde cedo despertam cobiça além-fronteiras. Outro que tudo se tem feito para proteger estes activos e o seu futuro, quer através de contratos profissionais quer por via da criação da equipa B que os acolhe e lhes facilita a transição para o futebol profissional, para então progressivamente passarem a marcar presença assídua na A. O intercâmbio existe, e André Almeida, André Gomes e Ivan Cavaleiro, embora apenas este último possa ser considerado na sua totalidade um produto da formação encarnada, fazem parte do balanço mais visível desde o reaparecimento das equipas B. A estes certamente se juntarão outros num futuro próximo, como nos parece ser o caso de Bernardo Silva, que em virtude da standardização do modelo de jogo entre escalões ainda não ser o melhor quase tudo terá de aprender para além do inegável talento que possui. Tudo tem naturalmente a sua lógica e o seu timing, importando reconhecer que por vezes são as circunstâncias e até as necessidades que ditam as chamadas, sem esquecer que dos três grandes o Benfica é aquele que tem o plantel mais competitivo. Andar com a bandeira do nacionalismo - para mais num jornal que dá mais visibilidade ao futebol internacional do que ao futebol-formação - ou acreditar que a hegemonia benfiquista se faz em exclusivo com a formação é que não pega....

4. Como era expectável a convocatória de Paulo Bento causou alguma celeuma e sobre ela muito se tem escrito, felizmente que para além da casmurrice compreendendo-se que as ideias do técnico são em prol do colectivo. A não chamada de Quaresma terá sido porventura a decisão mais sonante, mas até aqui o atleta ao que parece - sem ser naturalmente indissociável a sua tristeza pela última oportunidade desperdiçada - parece ter reagido com a maturidade que muitas vezes não demonstra nos relvados. Sabe-se que o jogador portista tem magia no seu pé direito, mas as suas intermitências e pouca solidariedade defensiva põem por variadíssimas vezes em causa o colectivo. Como aliás os resultados do FC Porto pré e pós-Quaresma ditam mas muitos não querem ver.












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