Ponto Vermelho
Perfeitamente escusado…
26 de Maio de 2014
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Tudo o que está a acontecer em torno do treinador do Benfica é uma situação natural no mundo do futebol. E na vida. Não surpreende por isso, havendo a acrescentar que não se trata de um caso de todo inesperado por ser, infelizmente recorrente no passado benfiquista de Jorge Jesus. Ao longo das 4 épocas já transcorridas, por mais do que uma vez, veio à baila a possibilidade de demandar a outras paragens. Normalmente nacionais e localizadas, mas em face da internacionalização do Benfica sob o seu comando, a partir desta época também internacionais ainda que de horizonte restricto por um conjunto de handicaps pessoais.

Muito se tem especulado sobre o trabalho, as atitudes e o expansionismo verbal e mímico de Jorge Jesus durante a sua permanência à frente dos destinos encarnados. A questão que se tem colocado invariavelmente, é quem mais tem lucrado com essa parceria; o próprio Jesus, o Benfica, ou ambos. Têm-se reflectido normalmente duas correntes de opinião (dentro e fora do Benfica) que assumem conclusões antagónicas. Uma que apesar de lhe reconhecer trabalho meritório na recuperação encarnada, defende que Jesus com os plantéis que têm sido colocados à sua disposição deveria já ter conquistado mais títulos, e outra que é de opinião que a revitalização desportiva do Benfica a ele se deve quase em exclusivo. Existe ainda uma terceira corrente minoritária que ao sobrelevar méritos, entende conceder justiça em termos plurais, leia-se à estrutura em todas as suas múltiplas vertentes. Enquadramo-nos nesta.

Regressando por breves instantes à época de 2011/2012 constatamos que coincidiu com a sua primeira renovação numa conjuntura complicada, visto que após uma temporada em que o Benfica venceu o campeonato depois de 4 anos de jejum, se seguiu uma época desastrosa com várias vozes a clamaram pela sua não renovação. Subjacente a essa campanha estava a intenção de Pinto da Costa de desviar o treinador para o Dragão conforme foi confirmado. Aproveitando essa embalagem Jesus conseguiu negociar um contrato com o Benfica que o tornou no mais bem remunerado treinador português a exercer em Portugal. Com alguma estranheza por estar então na mó de baixo, mas que LFV entendeu sancionar por dispôr de mais dados, ainda que numa aposta com algum risco.

As duas temporadas seguintes trouxeram desilusão porque o campeonato esteve quase. Na primeira a intervenção do velho factor da arbitragem em jogos decisivos em conjunto com erros próprios deram a resposta, e na última, insuficiências internas da equipa aliadas a uma certa malapata nos derradeiros minutos, transformaram a forte possibilidade de sucesso em três provas num desastre de proporções inesperadas. Na última delas – a Taça de Portugal – ficaram já bem patentes os efeitos colaterais anteriores e, conforme o próprio Jesus recordou há escassos dias, a subida das escadas para a Tribuna do Jamor foi inenarrável. De novo coincidiu com mais um fim de contrato e o panorama apresentava-se ainda com mais sinais de deterioração. E também com novo namoro de Pinto da Costa.

Sabe-se o que aconteceu. LFV decidiu-se pela renovação num momento em que a esmagadora maioria dos adeptos aconselhava o contrário. Como então escrevemos, o assunto deveria ser ponderado entre os dois intervenientes e, caso concluíssem que havia condições para continuar e ter sucesso, então era de avançar. Porque embora a nossa condição de simples adeptos nos segredasse que a não renovação seria a decisão mais lógica, os dados completos em equação apenas do conhecimento interno, poderiam apontar noutra direcção. Como aliás se veio a verificar com sucesso quase absoluto e que levou à conversão no final de inúmeros adeptos e plumitivos acérrimos defensores da tese contrária.

O sucesso alcançado veio levantar outro tipo de questões junto dos nossos adversários que passaram a temer prolongamento. E apesar de Jesus ter mais uma época de contrato, as tentativas para que não a cumpra têm-se sucedido, aproveitando a boleia da temporada única que o Benfica realizou sob o seu comando. Numa altura em que o mercado global dita as suas regras e tal como os jogadores, também há treinadores a serem cobiçados. Jesus será um deles embora, por ora, o seu mercado de trabalho se apresente com algumas limitações. É uma consequência natural e não há que estranhar que possa acontecer, muito embora se torne necessário distrinçar a verdade, do marketing e da especulação.

Mas, se tudo isso é real, importava antes do mais que tudo acontecesse sem as contradições que estão a surgir, com Jorge Jesus a alimentar quase de forma diária a sempre ávida comunicação social com frases dúbias e incompletas que deixam lugar a toda e qualquer conclusão. E, ainda a saborear os efeitos de uma temporada deslumbrante, os adeptos deviam ser poupados a este desfile verbal e inconclusivo. Do lado de fora e com a insuficiência de dados que existe, se entendemos que Jorge Jesus queira porventura optar por outros caminhos, já não aceitamos este roulement constante de declarações contraditórias que mais não fazem do que alimentar a especulação. Para já ficamos na expectativa e ficamos a aguardar pela entrevista de LFV onde certamente este tema será abordado. Seja como for, este espectáculo bem podia ter sido evitado!






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