Ponto Vermelho
Comichão
31 de Maio de 2014
Partilhar no Facebook

Por Bolandas

Jorge Jesus fica no Benfica. Depois de dias de alguma indefinição escusada e porventura induzida, treinador e presidente lançaram os alicerces para o futuro, que é já 2014/15. Na próxima época há que compreender que 2013/14 é irrepetível, e também que a motivação e entrega desta excelente época que já é passado se afiguram impreteríveis. Naturalmente o título de campeão nacional 2014/15 já satisfaria grande parte dos benfiquistas, isto na medida em que a hegemonia interna que já foi nossa e há muito nos escapa, em muito por aí passa. 2013/14 encerra muitas coisas, uma delas que o campeonato nacional é o grande barómetro da época desportiva, e sem o qual jamais o astral de fim de época teria estado presente, permitindo outras conquistas.

Desconhecemos se por falta de imaginação, embirração recente, ou porque lhe vêm encomendando o discurso na era de Bruno Carvalho, Daniel Oliveira (DO) - outrora equilibrado e lúcido - vem agora debruçando-se sobre o nosso Clube semana após semana. Após os excessos nas redes sociais, que a sério ou a brincar acabaram por ser desnecessários, desta feita o destinatário foi Jorge Jesus. Que DO admite ser um excelente treinador, simplesmente não ao nível que ele próprio se julga. Assiste a DO alguma razão. Bastas vezes o técnico do Benfica excede-se nas horas das vitórias, e se os benfiquistas já por si condenam as amostras de soberba do técnico, decerto que para os adeptos adversários estas se afigurarão exasperantes. No entanto, isto é algo que diz respeito ao carácter do técnico, à sua maneira de ser e não tanto ao seu conhecimento futebolístico. Nessa vertente basta ver quantos clubes demonstraram a mesma consistência europeia nos últimos dois anos, vendendo jogadores de permeio e tendo de repensar a equipa. Adaptado à nossa pequena realidade e futebol sem grande expressão além fronteiras, não é coisa pouca.

Felizmente para nós, as opiniões quanto ao técnico encarnado dividem-se entre o ser bom ou ser excelente. O futebol praticado pelo Benfica parece ter atingido uma maturação que se espera agora sobreviver ao mercado, que em virtude dos jogadores que por cá vêm crescendo e da projecção internacional readquirida, não faz crer haver motivos para desmanchar esta parceria de sucesso que esperamos agora conseguir amealhar títulos de forma mais consistente. Como é comumente reconhecido, Jorge Jesus tem vindo a crescer e é hoje muito melhor técnico do que era em 2009/10, sendo igualmente do seu mérito o obrigatório safanão que o futebol benfiquista levou nos últimos 5 anos. E aparte este ou aquele handicap comunicacional mais evidente, também nesta vertente as melhorias são evidentes e merecedoras de parabéns. De igual modo Luís Filipe Vieira (LFV), ele que comparando a 2003 melhorou sobremaneira, adaptando-se e estando bem mais de acordo com a discrição e humildade que sempre identificaram os grandes presidentes do Clube.

Também o Departamento de Marketing, Clube, e em última instância o presidente LFV foram esta semana alvos de Carlos Barbosa da Cruz (CBC) em mais uma sua crónica sobre o Benfica. Isto porque a imagem do presidente benfiquista foi a escolhida para a mais recente campanha de angariação de sócios, que sucede a muitas outras em que as figuras centrais foram outras, mas que CBC por algum motivo parece não ter captado. Escreve CBC que, «quem deve encarnar os feitos desportivos são, em primeiro lugar o clube, e depois os jogadores e o treinador. Incluir o presidente, qualquer que ele seja, nesta lista parece-me excessivo e deslocado». Um verdadeiro drama, «culto de personalidade» se preferirmos, não fosse a angariação de sócios uma das bandeiras de LFV de longa data.

Piores há, caso de Pedro Marques Lopes, que porventura com alguns resquícios de esquizofrenia viram o presidente do Benfica nesta recente entrevista «desmerecer as vitórias do FC Porto» e «pôr em causa a capacidade do presidente Pinto da Costa». Uma faculdade do timoneiro portista como fica bom de ver, ele que desencanta inimigos e inventa falsidades com uma vertiginosa facilidade, à luz de um outrora saudoso e já gasto «contra tudo e contra todos». São opiniões, mais ou menos surrealistas, que vamos lendo e ouvindo e nem sempre temos de aceitar - até porque o repto de apresentar as contas consolidadas veio da Invicta. Mas adiante, importa é referir que neste aspecto os Relatórios e Contas apresentados nos últimos dias retratam o Benfica como o clube dos três grandes com a melhor saúde financeira, se quisermos entrar no campo comparativo que os nossos adversários tanto apreciam.

Para esta condição invejável, que vai desde o estado de graça da equipa de futebol às contas do universo benfiquista, importa referir que muito tem passado pela dupla JJ-LFV, excelentemente coadjuvada por todo um rol de magníficos profissionais que mantêm a máquina oleada. Mas sendo o enfoque naquela dupla, importa ainda reter, sobretudo, que são uma parceria de sucesso que para mais agora na senda do título, resulta em muita comichão aqui e ali. Ao fim ao cabo, foi neste ciclo que primeiramente o Sporting sofreu um derrapanço acentuado ao qual apenas agora parece estar a conseguir reagir, e depois obrigando a «estrutura de sonho» a orçamentos estratosféricos que conduzem agora a travagens bruscas. Sem ABS...








Bookmark and Share