Ponto Vermelho
Factos & argumentos
1 de Junho de 2014
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O Benfica como sabem os benfiquistas e todos os portugueses em geral, é uma marca poderosa no País mas também largamente conhecida em todas as partes do Mundo. Mesmo arredado da ribalta que só os títulos projectam e dão ênfase durante anos, o clube encarnado manteve a sua auréola e o lugar conquistado por direito. Depois da esforçada travessia do deserto, a partir do princípio do século, paulatinamente, foi-se reerguendo, recuperando credibilidade, eclectismo e consolidando estruturas em todas as áreas. Faltava apenas voltar a reafirmar-se desportivamente de harmonia com a sua dimensão histórica. Mas aí, deparou-se com uma tarefa gigantesca face a um poder fortemente consolidado com influência em todas as vertentes que tornou o objectivo muito mais complicado. Com vontade, perseverança e competência as assimetrias foram sendo reduzidas, ao ponto de hoje em dia estarem muito perto de estarem completamente esbatidas.

Durante esse longo caminho em que até teve que andar com a casa às costas, para que isso se tornasse possível era indispensável apetrechar o Clube com estruturas modernas e funcionais sem as quais não haveria condições para potenciar e desenvolver um plano de crescimento sustentado e coerente. Na área desportiva e em particular no futebol pilar essencial do Clube, mas também nas modalidades que estiveram ameaçadas e até mesmo algumas que no desvario que atingiu o Clube em finais da década de 90 tinham sido extintas. Para já não falar no capítulo da Formação que se tornou praticamente obsoleta e inexistente. Uma verdadeira catástrofe de dimensões imprevisíveis e que obrigou uma Instituição vitoriosa e prestigiada a atingir porventura o ponto mais baixo da sua secular existência. Qualquer benfiquista que tenha vivido esse período negro sabe bem até que ponto foi angustiante passar por todos esses momentos que se desejaria nunca terem existido.

Mas se o Futebol é a mola real do Clube e uma das principais razões porque é conhecido em todo o Mundo, o universo benfiquista é muito mais do que isso. O foco e actualidade não se esgotam no desporto-rei pois a componente social e cultural sempre foi uma preocupação do Clube. Bem como as modalidades que a despeito de erros pontuais de percurso, são cada vez um ponto de referência que atrai adeptos e mantem um público fiel que não dispensa a ida aos Pavilhões onde quer que o Benfica se desloque. Paradoxalmente (ou talvez não), são as deslocações do Benfica aos quatros cantos do País e Regiões Autónomas que arrastam mais público e adeptos, talvez porque o que é mais raro tende a ser melhor valorizado e aproveitado. Não constituíndo crítica mas apenas constatação, a verdade é que as equipas das várias modalidades justificariam melhores assistências nos pavilhões da Luz.

Fora da esfera desportiva e no capítulo das infraestruturas, o Clube tem progredido a olhos vistos podendo-se dizer sem receio de faltar à verdade que o Benfica está na vanguarda conforme tem sido amiúde reconhecido por inúmeros observadores estrangeiros. Quando tanto se fala em passivos e quando o País continua a ser fustigado por uma austeridade cega e irresponsável que leva ao contraste de vermos sistematicamente a dívida pública a aumentar e o investimento a decair, é salutar e motivo de orgulho que o Benfica, apesar de não ser imune a toda essa conjuntura adversa, esteja apesar de tudo a prosseguir o seu caminho de tentar fazer mais e melhor, demonstrando que quando se quer e se tem vontade e competência, os obstáculos vão sendo ultrapassados. Com dificuldades é certo, mas com a inabalável confiança da vitória, dando uma lição a muitos que falando de mais e fazendo de menos obrigam a obra a regredir.

Nem sempre a gestão de egos e da inveja se torna fácil de gerir. O ser humano é por natureza complicado e num Clube em que o futebol atinge particular relevância e a projecção mediática é tremenda, existe sempre a tendência para que os extremos se toquem, através de críticas acérrimas e destrutivas na hora das derrotas e a colagem aos momentos de sucesso. É, afinal, um fenómeno corriqueiro que existe um pouco por todo o lado. Mas no caso do Benfica assume também relevância a postura de alguns dos nossos adversários na medida em que assumem com clareza atitudes da mais pura inveja. Basta ver no final da época passada o júbilo que lhe proporcionámos onde os nossos insucessos, mesmo que esteja em causa o futebol português, foram a sua fonte de alegrias. Em contrapartida, fazemos uma pequena ideia que com o triplete acabado de conseguir os deve ter mergulhado em depressão profunda. Esse tipo de mentalidade retrógrada é porventura a razão fundamental porque nem o País nem o futebol português avançam. Mesmo com os exemplos do Benfica. A rivalidade salutar que deve ser sempre cultivada não pode justificar atitudes e comportamentos da mais pura ignomínia.










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