Ponto Vermelho
Conjecturas do defeso
4 de Junho de 2014
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1. Todos os anos por esta altura, é sempre grande a azáfama que preenche o espírito, a carteira ou as contas bancárias, daqueles cuja actividade principal se concentra em conseguir convencer jogadores e clubes de que os negócios por si propostos são aquele que melhor satisfazem as pretensões de todas as partes. No principal período em que entram em cena agentes, familiares, comissionistas, empresários e até super-empresários, repetem-se as cenas, a imprensa publicita-as até à exaustão, e os jogadores no leque dos principais interessados sentem-se mercadorias e não conseguem passar as férias descansados caso tenham sido preteridos nas respectivas Selecções e não conseguem concentrar-se no trabalho caso façam parte delas, à espera que o telemóvel toque a anunciar novas. Tudo será afinal ultrapassado com um sorriso nos lábios se porventura a solução encontrada for do seu agrado.

2. Desde logo a começar pelas novas condições dos contratos das suas vidas, bem como das chorudas comissões a distribuir por uma panóplia de candidatos que não se fazem rogados a receber a comissão de intermediação. Para os adeptos, para além das alegrias ou tristezas consoante as cirunstâncias, sobra a paixão e a modesta assumpção de contribuirem para que o sistema se perpetue na exploração. Uma verdadeira delícia… Com a entrada em cena de novos magnatas que invariavelmente deixam muito a desejar sob a forma como construíram as suas fortunas e que viram no futebol selvagem e desregulado da FIFA e da UEFA uma forma sui-generis de andarem nas bocas do Mundo, o futebol como desporto primordial vive numa permanente agitação porque ao fim e ao cabo os período de transferências não são apenas aqueles que existem formalmente mas na prática todo o ano...

3. Afinal como em todos os sectores da vida quem tem dinheiro tem influência e tem poder e quem o tem exerce-o em seu proveito e benefício. Só que se essa ditadura dos primórdios tem vindo de forma crescente a exercer a sua magistratura de influência, a realidade é que alguns, poucos para o necessário, começam a despertar para a crua realidade e não estão dispostos a deixarem-se submergir facilmente. O Brasil considerado e muito justamente como o país do futebol, é um desses exemplos flagrantes, com a emergente classe média a dizer que existe e que não está disposta a tolerar o despesismo e a corrupção existentes, a coberto de um caderno de encargos da FIFA que exige um verdadeiro luxo asiático que ofende as carências básicas da grande maioria de um povo que luta por reduzir as assimetrias existentes e vê-as assim aumentar. Com a agravante que depois de terminado o evento, muitas das infraestruturas onde foram esbanjados rios de dinheiro nem sequer servirão para atracção turística…

4. É sob o efeito de todas essas condicionantes que o evento tão aguardado está prestes a começar. Como de costume repetem-se as estratégias pois à sua sombra, nos bastidores, estão em gestação neste momento dezenas e dezenas de negócios que em muitos casos estão a aguardar o desempenho dos jogadores para se concretizarem ou não. Afirmam os entendidos com toda a lógica que boas performances (pessoais e de equipa) contribuem para o inflaccionamento dos preços de venda e menores prestações dão azo a arrefecimentos e a preços mais em conta. Daí que os promitentes-compradores o pretendam fazer antes e a parte contrária naturalmente depois. É uma lógica que não arrefece entusiasmos sobretudo daqueles para quem os milhões a investir não constitui qualquer entrave.

5. Nesse enquadramento materialista há quem augure para o mercado português e em particular para o Benfica, uma hecatombe de dimensões alarmantes. Pelos vistos ano após ano, após o sucesso que tem trazido os jogadores encarnados para a ribalta, os benfiquistas vão ter que se habituar a encarar a possibilidade séria de ver partir para outras latitudes os atletas que mais se distinguiram dado que na competição financeira e na visibilidade decorrente, o campeonato português e o Benfica não têm hipótese perante os potentados que crescem como cogumelos por essa Europa fora e que compram tudo o que mexe sem regatear. O que vale é que se aproximam a passos largos as eleições para os órgãos dirigentes da Liga de Clubes e, com a proliferação de candidatos que coincidentemente prometem uma nova era financeira para os clubes, não há que ter receio dos tempos que aí vêm. Com selfies ou não…










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