Ponto Vermelho
A cilada
5 de Junho de 2014
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Por EagleView

Pressões indevidas e manobras intimidatórias há muito que fazem parte do quotidiano do nosso futebol. A coberto da já gasta desculpa da intensa rivalidade que a coberto da pretensa regionalização cresceu nas últimas 3 décadas, têm acontecido durante o período os mais incríveis expedientes e as mais despudoradas manobras e pressões que bastas vezes se configuram como ameaças veladas. Quando não mesmo explícitas. Tudo direccionado para que o inimigo de estimação – o Benfica – não consiga vencer. Mesmo que o FC Porto não tenha quaisquer hipóteses, o importante é obstar ao êxito encarnado.

Seja de que forma for e aí – lamento ter que o dizer – tem havido a colaboração das forças da ordem que avisadas para os problemas e sabendo o que a casa gasta, optam pela situação mais cómoda de deixar fluir os acontecimentos. São tantos os exemplos que seria fastidioso enumerá-los, mas continuo a repisar o tema e a afirmar que mais tarde ou mais cedo pode acontecer o irremediável e aí, o que resta será chorar sobre o leite derramado como é nosso apanágio. Apesar dos avisos, quem de direito continua a não accionar medidas de salvaguarda ou a transmitir qualquer sinal e isso pode conduzir, quando menos se espera, a algo trágico. Por ora, são apenas as mais elementares regras do Estado cada vez menos de Direito que são ignoradas e a verdade desportiva atropelada.

Começa nos escalões mais baixos e induz os jovens na sua etapa de formação como atletas, como desportistas e como homens, a convencerem-se que as vitórias contrariamente ao que pensavam, não se resumem apenas ao seu desempenho dentro do campo mas muitas vezes fora dele. Mesmo antes da juíza Alexandra ter determinado com sapiência que as pedras existentes em Alcochete eram encarnadas para justificar a sonegação do título de Juniores ao Benfica, já se sabia que estes casos estranhos eram transversais ao desporto português fosse qual fosse a modalidade ou o escalão etário. Os jovens atletas ficam pois a saber desde muito cedo que para vencer não basta serem melhores – é preciso muito mais!

Quis o acaso que, quatro anos depois, de novo o título de Juniores estivesse em discussão. Também por coincidência, de novo o Benfica apresentava-se com fortes pretensões desta vez para renovar o título. Corporizando, mais uma vez por coincidência, o resultado dos sorteios atingiu vários escalões e modalidades nos jogos decisivos em que atribuiu o factor-casa aos portistas. Neste caso afastados do título, se vencessem poderiam contribuir para que o Benfica o não conquistasse como aliás se veio a verificar. Havia pois que montar a tenda!

Sábado, 10 de Maio de 2014, ponto de encontro no chamado Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, 14.ª e última jornada do agora eufemisticamente designado de Campeonato de Sub-19. O Benfica para ser campeão não podia fazer um resultado pior do que o SC Braga que jogava em Leiria. Se perdesse e os bracarenses empatassem, como veio a acontecer, estes seriam campeões. O FC Porto que já não tinha nada a ganhar iria quedar-se pelo 4.º lugar. Mas isso pouco importava; o que realmente era vital era não permitir que o Benfica fosse campeão. Iniciaram-se então as movimentações que a distância temporal nos permite descrever agora com a maior serenidade.

Facebook da claque SuperDragões (SD): Surgem mensagens altruistas a oferecer bilhetes para o jogo dos Seniores a realizar nesse mesmo dia no Dragão que, mais uma vez por coincidência é claro, era nada mais nada menos do que o FC Porto-Benfica. Como a generosidade portista não tem limites, ao mesmo tempo era garantido transporte em camionetas alugadas para o efeito. Mais: era formulado um convite irrecusável: «O bilhete para o Porto/Benfica sábado é a €10 mas quem for ver os juniores às 16h não paga nada nem num jogo nem noutro! Avisem toda a gente! E ainda: «Hoje temos camionetas grátis do Dragão para o Olival às 15h! Quem for ver o jogo dos juniores não paga nesse jogo nem paga depois no jogo do dragão com o Benfica! Não faltes!»

Em mais uma coincidência: o Porto Canal que costuma televisionar os jogos dos Juniores portistas, nesse dia, tratando-se de um FC Porto-Benfica o jogo de juniores que mais espectadores atrai, excepcionalmente, não transmitiu o jogo por estar informado do que se iria passar. Não me ocorre melhor do que dizer que isso quis significar cumplicidade na tramóia. Estava em preparação a cilada de que o Benfica iria ser vítima e não convinha que fosse visto quem insultava, quem cuspia e o tipo de insultos que eram proferidos! Manter o cenário anónimo era primordial!

Estrategicamente os SD foram colocar-se atrás do banco do Benfica. Justificando ao que íam, durante todo o jogo agrediram verbalmente, insultaram e cuspiram para o banco encarnado. Petardos, objectos recorrentes do quotidiano desportivo foram igualmente arremessados. Não contentes com isso e havendo alguns jogadores de côr nos encarnados, os insultos racistas não se fizeram esperar. Nesta parte houve maior democracia porque não foram só os adeptos sentados atrás do banco – também os jogadores e dirigentes portistas alinharam no coro.

Tudo estava previsto. Não seria difícil imaginar que esses jogadores, para mais sendo jovens e inexperientes, previsivelmente acabariam por se irritar e reagir. Mudança de cenário: Filmar apenas as suas reacções a partir dessa altura para tentar provar aos que não viram que a culpa era exclusiva do Benfica e que só actuavam assim por não saberem perder... Bastava esperar o momento! E ele surgiu quando 2 jogadores encarnados de cabeça perdida tentaram tirar desforço de alguns racistas de pacotilha. Resta acrescentar que a arbitragem não destoou em nada do cenário e do argumento montados pois foi exemplarmente azul. E se o antes não podia ser filmado, as câmaras surgiram milagrosamente do nada para registar o destrambelho encarnado… Sem dúvida uma excelente encenação e realização que traduziu a sua forma de ser e de estar. Vergonha? Quem disse que essa palavra consta do léxico pintista? E as autoridades? Ah, pois…

PS 1 - Thierry Graça, Gilson Costa, Hildeberto Pereira e Nuno Santos do lado do Benfica, e André Ribeiro e Sérgio Ribeiro, do FC Porto, foram castigados pelo CD da FPF com quatro jogos de suspensão, devido aos confrontos ocorridos no final. Além destes jogadores, também o treinador-adjunto dos dragões, Fábio Moura, foi castigado com 15 dias de suspensão e o clube da Invicta multado em 255 €, devido ao comportamento incorreto do público durante o decorrer da partida.
PS 2 - Não foi por acaso que tenham sido 3 dos jogadores de côr do Benfica (os 3 primeiros) a reagir violentamente aos insultos racistas. Quanto ao Nuno Santos, este tinha sido jogador portista e negou-se a renovar e assinou pelo Benfica. Percebe-se que tenha sido provocado por esse facto. Repare-se no dirigente portista que também foi castigado. Está tudo explicado!


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