Ponto Vermelho
O eterno folclore
9 de Junho de 2014
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Sabe-se como os portugueses são pessimistas e nem sequer valorizam o facto corriqueiro de acordarem vivos. Para eles esse é um dado adquirido pois exigem que tudo lhes corra sempre bem. Quando tal não acontece, ficam acabrunhados como se de repente toda a humanidade se tivesse virado contra eles. Quando, infelizmente, se conjugam essas circunstâncias, a culpa dos seus males é sempre dos outros não tratando de saber se porventura fizeram tudo o que lhes era possível para evitar o que de negativo os atingiu. Ontem na final da Taça de Portugal de Hóquei em Patins o treinador azul e branco Tó Neves, encarnou fielmente esse espírito. Não sendo a primeira vez que tal acontece é confrangedor como ainda não percebeu que parou no tempo…

Num momento em que devíamos estar a dar atenção à Selecção, animam-nos alguns dos fait-divers tradicionais. O capítulo das transferências prossegue a meio-gás com um FC Porto muito discreto (porque será?...), um Benfica de novo forçado a ter que arrumar a casa, e um Sporting que ainda a época passada não tinha terminado e já estava a antecipar a sua candidatura ao título da próxima, auto-anunciando-se como clube comprador o que não deve deixar de se registar pois reflecte o milagre da multiplicação. Depois do milagre económico-financeiro, temos agora o milagre do investimento. Perante esta sucessão miraculosa, o Governo do nosso descontentamento bem podia pôr os olhos na gestão leonina…

Todavia, não ficámos por aí. Certamente inspirado pela Primavera replandescente que já está no terreno para animar todos os mortais deste Mundo desatento, o novo tribuno de Alvalade com a sua prosápia disfarçada por uma bem simulada tranquilidade e uma calculada redução de décibeis, fala incessantemente de tudo, de todos e para todos como se não houvesse Mundo amanhã. De facto, estávamos perfeitamente cientes de que existia podridão sob as mais diversas formas, do estado sólido ao líquido, apenas faltava quem nos explicasse de onde vem, quem a produz e, melhor ainda, oferecendo a solução grátis com os apetrechos para a limpar. Melhor era impossível!

Faltava ainda o remate final através da revelação mais palpitante dos últimos anos: Benfica e FC Porto têm um pacto secreto há já 12 anos para dominarem o futebol português e não deixarem o Sporting levantar a juba! Pelos vistos foi um pacto extremamente mal negociado pelo Benfica que nesse período viu o FC Porto vencer 9 campeonatos… Com o evento da Sporting TV a partir do próximo dia 1 de Julho (grátis porque isso da subscrição é para os outros…) estamos certos que se fará luz sobre mais este escândalo do futebol português. O espaço temporal da dúzia não surgiu por acaso na boca do tribuno de Alvalade, pois justifica porque o Sporting não ganhou o campeonato desde então. Deixem assentar a poeira…

No meio de toda esta azáfama e dos múltiplos desdobramentos em Alvalade que culminaram com o anúncio sobre a nova equipa de Hóquei em Patins leonina (obviamente candidata ao título… se o pacto o permitir…) e que desde já saudamos como adeptos da modalidade, nestes últimos dias por força de tanta animação quase passou despercebida na última 4.ª Feira, a tradicional romaria à “Casa da Democracia” de Pinto da Costa e respectiva entourage para o habitual repasto e recorrentes baboseiras disfarçadas de fina ironia que são indispensáveis nestas ocasiões folclóricas, apadrinhadas pela líder da casa uma pintista do mais fino quilate. Compreende-se a maior discrição; é que este ano não há grandes motivos para festejos e quando assim sucede não há nada que conceda inspiração à fina ironia. Uma pena realmente como os tempos mudam…

De um firmamento replandescente voltaram a não cair estrelas. O Futebol português foi, mais uma vez, ele mesmo. Numa Liga sem poderes e falida ao que dizem, os candidatos cresceram e multiplicaram-se. Nem sequer queremos imaginar se por acaso a Liga estivesse noutras circunstâncias bem mais favoráveis… Depois da rábula das mini-assembleias selvagens e das reuniões informais em bombas de gasolina, sucederam-se os arranjinhos com nomes a surgir e a desaparecer, com fusões e aquisições e com presidentes a barafustar por terem ficado sozinhos a pregar no deserto… Uma verdadeira fantochada a rivalizar com a época dos xitos. Enquanto o folclore dos nomes se agitava com a Olivedesportos a jogar em mais do que um tabuleiro para assegurar a vitória, era ignorada pelos candidatos (com uma óbvia excepção) a importante decisão de um Tribunal a condenar a empresa do Sistema por ter exercido o monopólio nos últimos 6 anos… Porque terá sido?








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