Ponto Vermelho
Liga de Clubes: Afinal é importante!
10 de Junho de 2014
Partilhar no Facebook

Para não variar, as eleições na Liga de Clubes atingiram contornos bizarros. Embora alguns insistam que a Liga tem neste momento escasso interesse dado que os dois principais órgãos (Conselho de Arbitragem e Conselho de Disciplina/Justiça) se encontram no seio da Federação e não navega propriamente em maré de rosas no tocante à vertente económica-financeira, a verdade é que a quantidade de candidatos e as intensas manobras de bastidores estão a provar que afinal a sua importância no panorama actual é bem maior do que muitos supunham.

Todos estamos recordados dos dois items que estiveram na génese da eleição do outsider Mário Figueiredo (MF); a centralização dos direitos televisivos e o alargamento da Liga. Enquanto que no primeiro rodeado de grande complexidade e melindre, MF fez o que lhe competia denunciando de imediato o monopólio da Olivedesportos ainda que sem consequências efectivas durante todo o período do seu mandato, no segundo, depois de algumas peripécias, por força de uma decisão do Conselho de Justiça que determinou a inclusão do Boavista na I Liga o assunto foi arrumado. Mal a nosso ver mas concluído.

Curiosamente, a vaga de fundo que esteve na origem da sua eleição mal foi conseguido o alargamento foi-se esboroando. É certo que a decisão sobre a queixa apresentada pela Liga contra o monopólio Oliveira foi-se prolongando no tempo e isso causou um desgaste inevitável. Mas não é menos verdade que para além dos erros cometidos pela Liga, os clubes foram-se gradualmente afastando de MF por razões perfeitamente entendíveis para todos os que acompanham o fenómeno desportivo; a forte dependência da Olivedesportos e a natureza dos contratos em vigor assim o determinaram. E depois da distracção do monopolista que permitiu a eleição de MF, passou a ser altura de fazer valer a sua influência e os seus direitos…

Os últimos tempos do mandato de MF foram complexos e penosos. A contestação subiu de tom e tornaram-se hilariantes as tentativas da sua destituição quando o fim do seu mandato já se perfilava no horizonte. Os contestatários que se multiplicaram em reuniões e discussões de escasso conteúdo deram um exemplo concludente ao que vinham e para onde queriam caminhar – a restituição do poder ao Sistema, leia-se a imediata retirada das queixas sobre o monopólio televisivo e sobre a extensão dos contratos apresentadas por MF que continuaram em banho-maria e pendentes de decisão.

Esgotadas as manobras tendentes à destituição de MF, chegou o tempo das eleições para os órgãos dirigentes da Liga. Como de costume, para além dos habituais tópicos que fazem parte de qualquer eleição, o importante para os interessados era discutir os poleiros e relegar qualquer discussão de ideias sobre o futuro para plano secundário. Como se estivesse tudo bem no tocante aos clubes, como se a Liga estivesse a gozar de uma excelente saúde financeira, como se o futebol português estivesse na vanguarda do desenvolvimento. Uma eleição congeminada na linha de tantas outras em que o segredo dos corredores e dos gabinetes esconderam, mais uma vez, os verdadeiros objectivos – o poder pelo poder sem mais delongas.

Desde o princípio que ficou evidente que nada de bom trariam estas eleições. Os candidatos a candidatos começaram a surgir e a aumentar e, pelos nomes anunciados, ficou-se a saber que para além da fartura sobrava um deserto de ideias. Apenas esquemas que têm feito escola pelas piores razões. Por coincidência, uma das bandeiras agitadas por MF – a centralização dos direitos televisivos –, teve alguma evolução com a decisão do tribunal que considerou que a Sport TV praticou abuso de posição dominante ao longo de vários anos. Quando se esperava que este importante factor viesse a ser o principal tema da campanha dos candidatos, apenas e só MF a ela se referiu e ainda por cima ao de leve, sendo que todos os outros fizeram tábua rasa do assunto. Um mensagem clara ao eleitorado

A principal surpresa, ou talvez não, terá sido porventura o facto de não ter sido conseguida uma candidatura forte susceptível de vir a reunir amplo consenso. A Olivedesportos não arriscou apresentando-se em mais do que um tabuleiro, e do exterior observou-se um Sporting prisioneiro da sua própria estratégia e um Benfica expectante a arriscar-se em ver eleita uma candidatura que nos dispensamos de catalogar pois a personalidade da pessoa que a liderava não oferece a mínima confiança à grande maioria dos benfiquistas. Face aos últimos desenvolvimentos que nos dispensamos de comentar tal a falta de senso e de vergonha, é expectável que a paradoxal eleição do único candidato elegível – MF –, se se vier a concretizar, seja apenas o ponto de partida para mais uma lamentável trapalhada. Será que nunca conseguiremos sair disto?






Bookmark and Share