Ponto Vermelho
Tempo de Selecção
11 de Junho de 2014
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Prossegue na Liga, sem desfalecimentos, a campanha miserável com os fantoches do costume a cheirarem a bolor à cabeça empurrados pela organização Oliveira, a tal que para despedir pessoal está a fazer mais uma reestruturação… Vemo-los a perfilarem-se como fomentadores da confusão que seja qual for a causa, tem sempre sempre o mesmo efeito: para eles nada existe sem bagunça e sem o exclusivo de poderem chafurdar no tacho, de preferência sozinhos. O que nos vale é que o Secretário de Estado do Desporto está atento e preocupado… Ninguém de boa fé pode prever como irá acabar todo este folclore mas a avaliar pelos protagonistas a coisa não promete grandes surpresas…

Para bem dos nossos pecados, temos outras actividades que nos distraem a atenção. Estamos a atravessar o período de rábula constante de vendas, aquisições, empréstimos, cedências e seus derivados, que até levaram o Benfica através do seu Departamento de Comunicação a ter de fazer mais um desmentido. Aqui chegados, esta opção não sendo virgem, ou é para continuar (sugerimos no final de cada semana), ou poderá constituir um acto perigoso; é que quando for noticiado mais um interesse ou aquisição num jogador caso não surja o desmentido célere, os imaginativos que alimentam estas novelas de cordel estarão à vontade para concluir que se não foi desmentido… é porque é verdade…

Mas o tempo é de Selecção. Silenciada por momentos a contestação dos indiscutíveis que ficaram de fora, uma das questões que sempre foi colocada pelos contestários foi a teimosia de Paulo Bento em apostar sempre nos mesmos jogadores que fazem parte do seu núcleo duro. Nos últimos 3 jogos de preparação devido a lesões e outras condicionantes, o seleccionador resolveu testar outras opções. Críticas imediatas e intensas porque a escassos dias do primeiro jogo com a Alemanha, Bento deveria estar proíbido de fazer mais testes mas, com excepção dos semi-lesionados, apostar nos jogadores que subirão ao gramado de Salvador. Preso por ter cão…

Todavia a lesão de Cristiano Ronaldo tem feito parte das manchetes de todos os órgãos de informação. Aqui e além-mar! E chegou a ser deprimente e cansativo o vendaval de explicações anatómicas sobre o tendão rotuliano devidamente acompanhado de fotos e infra-gravuras. A grande vantagem é que até mesmo os totalmente ignorantes sobre a matéria, caso tenham prestado um mínimo de atenção, ficaram certamente bem mais elucidados. Feliz o país que revela um tão alargado leque de peritos. Estes ao menos ainda não escolheram a via sacra da emigração…

A Selecção portuguesa tem um jogador que ostenta o título de Melhor Jogador do Mundo e que tem estado a sofrer as agruras e as exigências de toda uma época onde se conjugaram os interesses da equipa que representa com outros interesses mais alargados, para além obviamente do próprio jogador buscar sempre a superação como atleta de eleição que indiscutivelmente é. O resultado está à vista pois chegou preso por arames, embora tenha transmitido indicações positivas de forma gradual em como estará em condições aceitáveis de dar o seu contributo. Mas, e esperamos sinceramente estar enganados, Cristiano Ronaldo (se aguentar as exigências da prova), vai estar alguns patamares abaixo daquilo que é capaz de produzir.

Foi pois entediante e não se justificou o constante assédio e as pressões para que fosse elaborado um boletim médico, de minuto a minuto, dando conta da evolução do seu estado clínico. Chegou a ser ridículo e, quando essas pretensões não foram satisfeitas (bem Paulo Bento e Departamento Médico!) logo vieram a terreiro alguns rapazes que só estariam satisfeitos se porventura pudessem estar a formular a mesma pergunta de manhã à noite, seriamente incomodados por terem de saber através dos seus colegas, que se limitaram a exprimir a convicção de que Cristiano Ronaldo tudo faria para dizer presente quando fosse necessário.

Do nosso ponto de vista esta situação não é benéfica para a Selecção. Cristiano Ronaldo ocupa por direito e mérito próprios a galeria reservada aos atletas de eleição. Tem ajudado a resolver muitos jogos nos clubes por onde tem passado e também na Selecção muito embora aqui não tenha atingido ainda o apogeu. Reconhecendo tudo isso, afigura-se-nos um constante exagero exigir que tudo resolva e transporte a Selecção para um estatuto que manifestamente não tem. Além de que não joga sozinho pois depende dos seus colegas de equipa para poder materializar as potencialidades que inegavelmente possui. Sem deixar de reconhecer a sua enorme importância e influência, parece-nos ser altura de nos deixarmos de cultos intensivos de personalidade e reconhecer que estamos a falar de uma Selecção. Se fossemos jogadores, era assim que gostaríamos que fosse retratado…






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