Ponto Vermelho
Um olhar sobre o passado - O projeto Roquette-I
12 de Junho de 2014
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Por EagleView

"Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela."- Maquiavel

E quando tudo começou… Pinto da Costa soube através de um estudo de mercado que a diferença entre o FC Porto (FCP) e o SL Benfica (SLB) era tão grande – em número de simpatizantes e amor aos clubes - que não seria possível ultrapassar o SLB mesmo com o FCP mais organizado. A solução seria manter o SLB desorganizado para vencer mais competições. José Roquette comprovou através de uma sondagem que a dimensão do SLB era incomparável e mesmo com o Sporting CP (SCP) a ter maiores percentagens (mesmo assim minoritárias) entre adeptos nas classes mais altas (daí a célebre frase – os sportinguistas têm mais Mercedes e BMW’s - por isso maiores disponibilidades financeiras) não seria possível competir de igual para igual com o SLB.

Tal como aconteceu ao Leça FC, FC Felgueiras, SC Salgueiros e Boavista FC, eis que se aproxima o início da decadência do SCP. A estratégia conjunta Pinto da Costa/José Roquette em 1999/2000 (denunciada por João Rocha no Conselho Leonino e, publicamente, numa entrevista ao diário Record, em 15 de Fevereiro de 2006) visava o apoio mútuo no sentido de isolar e enfraquecer o SLB levando-o ao declínio sem retorno. Os dois clubes deixariam de se digladiar/estigmatizar, promovendo troca de futebolistas de modo a dar uma imagem de convergência, com benefícios e interesses mútuos. O SCP apoiaria o FCP para ser o maior clube português, capaz de ombrear com os colossos europeus. O FCP apoiaria o SCP, para na Grande Lisboa e Centro/Sul se impor relativamente ao SLB.

Objectivos: o FCP seria o maior clube português e o SCP seria o segundo maior. O SLB perderia força desportiva e influência e, depois, o inevitável enfraquecimento social. O acordo era importante para o FCP que podia utilizar o SCP para ultrapassar o Benfica e… fundamental para o SCP porque garantia a sua sobrevivência, pois já não tinha capacidade para conquistar o Campeonato Nacional (último em 1981/82 e apenas seis nos últimos 40 anos!). Só que Pinto da Costa e José Roquette mais a fila de yes-men de ambos os lados, não contavam – porque não eram Benfiquistas – que o SLB é eterno, por estar no coração dos portugueses. E com tantos milhões de simpatizantes encontrará, sempre, quem consiga fazer do Clube o que lhe está destinado desde que foi pensado no final de 1903, – ser o mais importante em Portugal.

Com a cortina de fumo, "Encontros Para Aproveitar Sinergias na Construção dos Novos Estádios", Roquette e Pinto da Costa, estabeleceram um plano para o futebol e modalidades. O FCP e SCP não se combateriam em termos públicos, trocariam jogadores e actuariam de forma concertada de modo a desgastar o Benfica. Na prática o FCP seria mais vezes campeão nacional (em anos de infortúnio, com tudo a correr mal e bem ao SCP, o SCP poderia ser campeão), mas o SCP garantiria o 2.º lugar, pois tentariam isolar o Benfica de modo a dificultar o acesso deste aos lugares (1.º e/ou 2.º) de qualificação para a Liga dos Campeões, onde haveria o enorme receio de fazer dinheiro e tornar-se perigoso.

O SCP e o FCP teriam modalidades complementares enfrentando o Benfica em todas. Apenas teriam em comum o Andebol (por serem os dois clubes históricos que introduziram a modalidade - Andebol de Onze - em Portugal, em 1931. E que a praticam ininterruptamente desde esse ano, ao contrário do Benfica que começou em 1932 (8 de Maio) e interrompeu três temporadas, entre 1939/40 e 1941/42. O SCP abdicou do Basquetebol, Hóquei em Patins e Voleibol. O FCP assumia não criar a equipa de Futsal, nem investir no Atletismo. O Voleibol do SLB seria confrontado pelo SC Espinho, com amplo apoio na FPV sediada no Porto. Se houvesse tentativas de adeptos fazerem ressurgir qualquer modalidade - no caso do SCP com adeptos menos controlados que os do FCP - as secções seriam autónomas sem qualquer apoio financeiro e logístico das respectivas Direcções. Agora até a integração em 2014/15 da secção autónoma de Hóquei em Patins do SCP mostra à saciedade que o Projecto Roquette faliu!

Numa primeira fase – até os ingénuos dirigentes do Benfica se aperceberem – ambos iriam tirar benefício do acordo, com o FCP a ganhar como nunca ganhara até aí enquanto o SCP ficaria com algumas migalhas (em troféus), mas garantiria o importante e vital retorno financeiro ou seja, as verbas que, pela lógica da dimensão dos clubes estariam reservadas ao Benfica, por ficar em 1.º ou 2.º lugar, se não tivesse sido estabelecido o tal acordo.

O SCP conquistou assim as migalhas que lhe foram destinadas, até Dias da Cunha, em 13 de Fevereiro de 2004, numa entrevista na RTP 1 ter dito: "Pinto da Costa e o Major (Valentim Loureiro) são os rostos do Sistema”. De protegido passou a odiado, por que não só dizia a verdade como se sublevava (como sportinguista) e emancipava (do Projecto Roquette). Foi o seu fim! Más classificações e contestação dentro do núcleo duro do PR, entre eles, Filipe Soares Franco, que acabaria por lhe suceder para colocar o SCP, quatro épocas consecutivas, na dianteira do Benfica… e na Liga dos Campeões. O PR voltava a vigorar… em pleno. Benfica em quatro épocas consecutivas atrás do Sporting CP? Em 77 edições do Nacional, só entre 1950/51 e 1953/54, nos quatro títulos consecutivos do SCP! Onde isto, acabou por chegar! Os problemas do SLB e a sua incapacidade para perceber o que se passava na realidade, até deixar-se enganar, permitiu ao FCP dominar em Portugal e conquistar títulos europeus. O FCP engrandeceu-se mas dizimou o SCP.

(Continua)






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