Ponto Vermelho
Um olhar sobre o passado – Projecto Roquette-II
13 de Junho de 2014
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Por EagleView

"Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos."- Albert Einstein

Mesmo com esse enorme handicap resultante do xito dado pelo FC Porto (FCP) de Pinto da Costa, se o Sporting CP (SCP) faliu, o reflexo e a contrapartida imediata foi que o FCP nunca na sua longa história (menos longa 13 anos do que reza a cartilha pintista adulterada) conquistou tantos títulos como os alcançados nas últimas doze temporadas. A estratégia parecia estar a resultar em pleno. De tal maneira era assim que em paralelo com os êxitos que ia conquistando, muitos dos quais através de expedientes concertados nos bas-fonds que fizeram escola e vieram anos mais tarde a ser desnudados, assistíamos a um Pinto da Costa impante e impune do alto da sua cátedra que parecia ser deveras inatingível.

Com o Benfica a atravessar grandes dificuldades, o Projecto Roquette (e a parceria com o FCP) resultou em pleno, permitindo a um folgadíssimo FCP (com Pinto da Costa então alheado e embevecido por Carolina Salgado, a passar semanas e semanas sem frequentar as Antas presidindo por bilhetinhos) tendo em conta que ainda não tinha chegado a era dos iPhones, com o SCP a conquistar dois títulos de campeão nacional e com o Glorioso a alcançar modestíssimas classificações (6.º e 4.º lugar respectivamente), a ser afastado não só da Liga dos Campeões como inclusivamente das competições europeias. Afinal, o PR resultava e até transmitia a falsa sensação de que o SCP se preparava para emergir como maior clube português… Eis que surge então um facto imprevisto e que acabou por mudar as coisas de forma radical.

O presidente do SCP, António Dias da Cunha (cooptado em 1 de Agosto de 2000) revolta-se e com o Rei na Barriga, risca do acordo a subserviência do SCP ao FCP dando nomes aos rostos do Sistema: Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Estávamos em 11 de Novembro de 2002. Esses rostos do Sistema, como seria previsível não lhe perdoam, – e o SCP passa de dois títulos de campeão nacional em três temporadas a 3.º classificado, com o Benfica então já mais organizado e a recuperar devido à acção concertada da dupla Manuel Vilarinho/Luís Filipe Vieira (este na SAD) a conseguirem o 2.º lugar, numa época (2003/04) onde houve viciação – audível – de jogos como provaria sem margem para dúvidas o Processo Apito Dourado. Tinha ficado o aviso!

Mas o melhor ainda estava para vir. Em 24 Abril de 2004 surgem as detenções de várias pessoas alegadamente envolvidas através das escutas do Apito Dourado, com muitos árbitros comprometidos e sem saberem no que iria dar o Apito Dourado. Tempo de alguma meditação sobretudo dos mais vulneráveis e menos protegidos… Por via disso, em 2004/05, as arbitragens fizeram uma pausa forçada na sua protecção descarada ao FCP – é só fazer a correlação entre as amostragens de cartões amarelos e vermelhos aos portistas, antes e depois… –, tendo como consequência imediata que o futebol do Benfica bem dirigido (com experiência e juízo…) pelo italiano Giuseppe Trapattoni, consegue para o SLB o 31.º título de campeão nacional. Quem foi borda-fora? António Dias da Cunha que tinha tido a coragem e o desplante de ter desafiado o Sistema!

Depois, com os sucessivos arquivamentos dos processos do Apito Dourado pelas razões que todos temos presente na memória, tudo voltou ao normal, com o FCP campeão e o SCP – de regresso à subserviência, com o Visconde Filipe Soares Franco – em 2.º lugar (ou vice-campeão), como eles gostam pomposamente de se intitular. Contudo o SCP, mesmo subserviente, nada pode fazer frente ao Benfica tal a diferença de dimensão. O FCP é que ficou mais uma vez a ganhar, pois conseguiu a manutenção de uma frente dupla contra o SLB, como é deveras visível nos programas tripartidos nas TV’s em que são sempre dois contra um, excepto quando há FCP vs SCP. Adeus Sporting… Fizeste o jogo deles. Foste enganado e enganaste-te. Agora é tarde demais porque os enormes erros estratégicos cometidos no passado por pessoas com inquestionável experiência empresarial, conduziram-te a um vale profundo de que terás tremenda dificuldade em sair. Quantos anos serão precisos para reparar tão gritante equívoco?

(Continua)










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