Ponto Vermelho
Recorrentes preocupações
14 de Junho de 2014
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1. Muito embora estejamos a viver o acontecimento que é sem dúvida o mais importante certame futebolístico a nível Mundial – e logo no País que respira futebol por todos os poros – e enquanto estamos a aguardar pelo pontapé de saída da Selecção Portuguesa, é no dia a dia clubístico do defeso que estão concentradas as grandes expectativas e preocupações dos adeptos em geral. Porque, como já tantas vezes tem sido dito, os adeptos lusos do futebol não têm cultura de Selecção, preferindo ao invés concentrar-se única e exclusivamente no quotidiano dos seus clubes e só em casos excepcionais as atenções se viram para a Selecção que deveria ser de todos nós.

2. O futebol como se sabe é, para além dos sentimentos mais comuns como a emoção, as alegrias e as tristezas, também surpresa e paradoxo. A que no caso português se deve acrescentar, expedientes, pouca vergonha e escândalos. Que acontecem com uma cadência ritmada para não destoar e para demonstrar aos adeptos, à sociedade e ao Mundo que isto aqui é Portugal. Foi por isso que as recentes eleições na Liga de Clubes, depois dos sucessivos episódios que ilustraram bem a mentalidade arcaica que continua a fazer parte do quotidiano da grande fatia do dirigismo nacional, deram no que deram. Mas não é também assim nos outros sectores? Então porquê estranhar?

3. Enquanto se aguarda que lá mais para o Verão (apesar do optimismo manifestado pelo V.P. Federativo Hermínio Loureiro) que o Conselho de Justiça e em última instância os Tribunais certifiquem a legalidade ou não de mais um acto liguista surreal que culminou com a reeleição inesperada de Mário Figueiredo, prossegue o defeso sem novidades de maior a não ser aquelas que já se perspectivavam. Como faz parte da tradição a dança de nomes é enorme, muito embora por enquanto aquém do esperado, dado que muitos clubes estão atentos ao desenrolar do Mundial para depois irem às compras. Outros, para evitar a prevista inflacção de alguns alvos, estão a tentar antecipar as aquisições.

4. É no entanto bom não esquecer que a grande percentagem de clubes atravessa uma fase de vacas magras pelo que terão que aproveitar as oportunidades e ser criteriosos nas escolhas. Resultante da azáfama constante de empresários, dirigentes e quejandos para além dos próprios jogadores, há muito material na montra, mas os preços estão pelas ruas da amargura pelo que o segredo está em tentar conseguir escolher bom e em conta sem ter necessariamente que recorrer às performances promocionais e sempre espectaculares do YouTube. E isso, pese embora os grandes méritos dos caixeiros-viajantes é cada vez mais uma tarefa complexa porque se cruzam com frequência vários interesses, por norma divergentes.

5. Ainda que só vamos no início já é possível, de algum modo, observar a estratégia que se está a desenhar cada vez com maior nitidez. Como se aguardava, o triplete não deixaria de ter efeitos importantes no plantel do Benfica. Tem sido sempre assim nos últimos anos e neste a tendência seria ainda maior. Depois do esforço feito pela Direcção encarnada na última época para segurar os elementos considerados necessários para a caminhada que depois se veio a verificar ser triunfal, as vendas seriam uma consequência inevitável. Até porque a sobrevalorização dos jogadores do plantel convidava ao surgimento de propostas que tornariam a sua manutenção muito difícil. Porque se conjugam duas componentes de grande peso – as condições sem paralelo oferecidas aos jogadores e a possibilidade de poderem actuar em ligas que não pedem quaisquer meças à portuguesa.

6. Natural pois a azáfama que deve existir por esta hora na estrutura encarnada e a preocupação que grassa a nível de boa parte dos adeptos e simpatizantes. Não podemos ignorar que o novo-riquismo do Valência já está a fazer mossa e vamos ver se vai só ficar por aí. Mas também entendemos que perante um facto tido como inevitável não podemos ficar à espera que os eventuais problemas causados se resolvam por si. Mais: a estrutura encarnada já tinha certamente previsto que essa seria uma fortíssima possibilidade (vinda do emblema ché ou de qualquer outro), pelo que já estava avisada e em campo. Não se sabe qual será a extensão dos prejuízos mas, quaisquer que eles venham a ser, o Benfica tal como nos tem habituado nos últimos anos, voltará certamente a ter uma equipa forte, solidária, competitiva e capaz de dar resposta às exigências que se irão colocar. Não vemos razão para alarme!








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