Ponto Vermelho
Um olhar sobre o passado – Projecto Roquette-III
15 de Junho de 2014
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Por EagleView

"Os jornais são os cemitérios das ideias."- Pierre Proudhon

A imprensa escrita, mas também a rádio e a televisão na sua maioria, se bem que mais difícil de reproduzir pela forma de difusão, apresentam bastas vezes aspectos verdadeiramente caricatos. Devido a um conjunto de interesses muito diversificado, são capazes de tudo para impingir o produto e ludibriar os incautos. Atente-se no que foi escrito em 4 de Dezembro de 2011 pelo Director do diário A Bola: "A luta pelo título está acesa, como há muito não se via, e é bem possível que tudo seja resolvido por quem chegar a esse período de incontornável desgaste e estiver melhor física e mentalmente. Uma curiosidade: quem está em todas as frentes e com excelente comportamento é o Sporting."

Blá, blá, blá… Foram resmas e resmas de papel a criar a ilusão nos sportinguistas, de que o SCP – escondendo que o clube teria, ainda, de ultrapassar as jornadas mais difíceis - podia ser campeão nacional. E depois de tudo o que se escreveu, eis o que se seguiu 4 jornadas depois, em 17 de Janeiro de 2012 pelo mesmo autor: "É tão fácil criar ilusões no futebol como sofrer desilusões. E como é grande a desilusão dos adeptos leoninos que chegaram a pensar numa época de luminoso regresso à sólida e persistente discussão do título." Blá, blá, blá… Inqualificável, manipulador e até vergonhoso!

Boa parte dos profissionais da nossa imprensa são um caso à parte no que à ética diz respeito. Hilariante! Estão convencidos de que podem usar prosa redonda para falar do acessório omitindo o essencial, porque os pacóvios que lhes pagam diariamente as mordomias de que por vezes fazem questão de se ufanar, não atingem o Olímpo onde se refastelam. Julgando-se imortais guardam para eles dados que lhes garantem poder entre os mortais. O azar é que os imortais também morrem. Lá se vai o poder (afinal efémero) e as informações que julgavam ter em exclusivo. Tristeza não tem dó!

Uma das últimas acções públicas de João Rocha (JR) foi a forma atenta e corajosa como lutou contra o Projecto Roquette. Sportinguista verdadeiro lutou contra quase todo o Conselho Leonino (CL) e nas AG’s. Quando faleceu muitos do que o criticaram nesses órgãos elogiaram-no. Gente sem vergonha! Foram poucos os sportinguistas que se insurgiram no CL contra a subserviência do SCP ao FCP. JR foi dos poucos, como deu conta em entrevista ao Record, meia-dúzia de anos depois, que os profissionais praticamente ignoraram, por medo, por desprezo, por interesses e por incompetência. Porque estaria JR incomodado se Roquette conseguira colocar sempre (com o FCP) o SCP na Champions? Seria isto mau?

JR mostrou-se indignado, não pelo facto do pacto permitir ao SCP superiorizar-se ao SLB, mas sim por 4 motivos essenciais:
1. Falta de ética do Projecto Roquette, ao estabelecer um plano maquiavélico, unindo 2 clubes (FCP+SCP) para afastar outro (SLB) de competições desportivas, numa estratégia político-económica, extra competência desportiva;
2. Subserviência do SCP ao FCP, admitindo que este era superior, num tempo (finais dos anos 90) quando as sondagens acerca das simpatias clubísticas davam emparelhamento entre os 2 clubes (cerca de 21%);
3. Beijo da morte dos portistas aos sportinguistas, condenando para sempre (pelo menos a longo prazo) o SCP, pois o FCP iria crescer desmesuradamente à custa do enfraquecimento do SCP. O definhamento do SLB seria sempre uma incógnita face à certeza anterior;
4. Rebaixamento dos dirigentes leoninos perante os portistas, quando ele passara o mandato a combater estratégias intriguistas e ilegais de PC. Foi por perceber que não conseguia derrotar PC, que entretanto - em meados de 80 - estabelecera boas relações com Fernando Martins, que JR decidiu abandonar o SCP (1986) por não encontrar meios para fazer do clube uma potência do futebol, virando-se para as modalidades. Cito JR: "Uma das razões que me levou a abandonar a presidência do Sporting foi não saber gerir o clube por processos pouco ortodoxos". JR? Um senhor! Sempre de cabeça levantada! Teve uma vida e viveu-a com dignidade.

Foi recentemente dito por Bruno de Carvalho (BC) que o FCP e o SLB "têm uma aliança com uma dúzia de anos para afastar o SCP da conquista de troféus". Eu diria de outro modo. O SCP há um pouco mais de 12 anos decidiu suicidar-se desportivamente ao colocar-se nas mãos do FCP via Projecto Roquette. Como se esperava o projecto deu-lhe alguns triunfos aquando da sua implementação, mas depois ao fazer definhar o clube de José Alvalade/Francisco Stromp atirou o SCP para uma subalternização de sua exclusiva responsabilidade.

Agora queixam-se. Mas há 12 anos (2001/02) conquistaram o último título já alicerçado no entendimento com o FCP. Dias da Cunha (DC) provocou alguma inconstância quando com aquele grau de imprevisibilidade que sempre o caracterizou apontou os Rostos do Sistema irado por ter o campeonato de 2004/05 quase-ganho através de Pedro Proença - no Penafiel-Benfica - e por Ricardo ter falhado no cabeceamento de Luisão alegando os sportinguistas ter havido falta não sancionada por Paulo Paraty! O SLB respirou mas com DC borda-fora regressou o Projecto Roquette com Soares Franco & Paulo Bento a conseguirem 4 vezes o 2.º lugar apoiados nos 4 campeonatos consecutivos do FCP. Com Bettencourt e Godinho a não servirem a PC como se percebe, em relação a Bettencourt nas escutas do Apito Dourado dá-se o Beijo da Morte do FCP no SCP. Que agora faz BC esbracejar e estrebuchar.

Quem mais beneficiou com o tenebroso projecto foi o FCP como JR percebera. O SCP também foi conseguindo alguns triunfos, que foram escasseando. O SLB, afinal, era mais difícil de vergar do que eles pensavam. O Glorioso é uma montanha de pedra. Podem tirar umas lascas mas é impossível desmantelar milhões de biliões de toneladas em Paixão & Emoção. Se dividirmos as últimas 3 décadas em antes (aPR) e depois (dPR) do Projecto Roquette, o SCP pouco beneficiou, a não ser no início diluindo-se depois. No dPR, o FCP conquistou mais 4 troféus, incluindo também 4 internacionais. O SLB os mesmos 11, se bem que, menos 1 campeonato nacional e menos 3 Taças de Portugal. O SCP beneficiou nos primeiros tempos, regressando à conquista dos campeonatos (depois de 1981/82), mais 2 Taças de Portugal e mais 2 Supertaças, muito à conta de finais com o FCP. Depois, rapidamente, tudo acabou! Como seria de esperar. Como JR tinha percebido! BC!? Agora é tarde!




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