Ponto Vermelho
Vamos a isso?
16 de Junho de 2014
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Não se pode escamotear que muitos dos adeptos portugueses do futebol têm o clubismo enraízado e por isso encaram com alguma indiferença e distanciamento a actuação da Selecção. Não fazem disso segredo e chegam mesmo a fazer questão de o manifestar publicamente. Até mesmo alguns daqueles que pelo seu posicionamento na sociedade deveriam ser menos óbvios a expressar essa indiferença. Mas é o que temos e daqui até se inverter esse defeito provavelmente muita água irá correr debaixo das pontes.

Para compensar essa postura os portugueses em geral, quando chega o momento de um jogo importante da Selecção fazem questão de o referir de forma pública, apoiando a Selecção com confiança e sem expressar aquelas recriminações que nos fartamos de ouvir aos primeiros em que a equipa nacional, quando perde, foi porque o Seleccionador utilizou os jogadores que não eram do seu(s) clube(s) ou da sua simpatia e usou a táctica que não era a mais indicada. É por isso que em geral o público que apoia a Selecção é diferente, mais vibrante e mais generoso, não sendo raro ver famílias inteiras nas bancadas, ao contrário do que costuma acontecer na sua grande maioria dos jogos que envolvem os clubes.

Todavia, antes dos desafios se iniciarem e quando as equipas estão perfiladas e é tocada A Portuguesa, sem qualquer excesso de nacionalismo, não acreditamos que lá no fundo os indiferentes não sintam o bichinho a roer por dentro e a emoção a subir de tom dentro de si próprios mesmo que seja por breves momentos. É por isso que daqui a pouco, nesse momento do pré-jogo em Salvador da Baía, frente à Alemanha, os portugueses onde quer que se encontrem não deixarão de sentir orgulho em pertencerem a esta pátria lusa. A despeito de não terem quaisquer razões para sorrir, sobretudo os residentes. Mas uma pausa nessas preocupações é mais do que tudo necessária. Até para equilíbrio do seu sistema nervoso…

Daqui a breves momentos terá início o jogo inaugural contra a forte esquadra alemã. Como é natural as opiniões dividem-se entre aqueles (os pessimistas) que não vislumbram quaisquer hipóteses à nossa Selecção de conseguir levar de vencida a mannschaft, alicerçados no tradicional poderio alemão que apresenta um saldo desequilibrado e favorável contra Portugal. Do outro lado os optimistas que não vêem razão para que não possamos encarar o desafio com alguma tranquilidade visto que a nossa Selecção está mais madura e mais habituada a estes palcos que frequenta ininterruptamente desde 2002 e até tem aquele que é considerado o melhor jogador do planeta Terra.

Pensamos que o equilíbrio entre estas duas teses legítimas talvez seja um bom ponto de partida para encarar o desafio. Do nosso ponto de vista é bom que o 1.º jogo apresente este grau de dificuldade para que tenhamos a concentração no máximo, muito embora não seja decisivo para qualquer dos contendores mesmo que se verifique a vitória de qualquer deles e neste caso confiamos que seja Portugal. Por isso é importante começar bem até porque ao contrário do que muitos têm manifestado, os outros dois adversários do grupo não são pera doce, pelo que todo o cuidado é pouco.

Aparte a valia dos adversários, há neste Mundial factores extra que poderão vir a pesar grandemente no rendimento dos jogadores e das equipas. Se, ainda que com menor incidência nas Selecções sul-americanas mais habituadas à situação, o desgaste dos atletas que estiveram em competição até ao fim nas provas uefeiras é notório mas acontece em todos os Mundiais, há a questão horária e a variedade do clima, dado que como todos sabemos o gigantismo territorial do Brasil faz dele mais do que um país sendo mais apropriado perspectivá-lo como um continente. Por via disso as deslocações a percorrer são enormes e a não ser por razões políticas de que a FIFA do coronel tanto gosta, que sentido fazem, por exemplo, os jogos na capital do Amazonas?

Mas assim foi decidido e teremos que encarar essas contrariedades com pragmatismo para que o sofrimento seja mais fácil de superar. No jogo de daqui a pouco não tenhamos receio porque temos condições para fazer frente a um adversário que dispensa adjectivos e é considerado pelos especialistas como um dos favoritos à vitória final. Cairíamos num lugar-comum ao dizer que iremos deparar com muitas dificuldades ao longo do desafio com momentos eventualmente muito complicados. Mas com a entreajuda que costuma ser a imagem de marca da Selecção sempre que estão no horizonte momentos difíceis como este e com a classe e a frieza dos jogadores já tarimbados pelos muitos jogos decisivos que têm enfrentado ao longo da sua carreira, estamos certos que poderemos alcançar um bom resultado que, não será pedir muito, poderá ser a vitória. Ah, e há Cristiano Ronaldo…






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