Ponto Vermelho
Reacção urgente precisa-se!
17 de Junho de 2014
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Aguardávamos com algum optimismo o encontro inaugural do Campeonato do Mundo com a Alemanha e a nossa convicção era a de que poderíamos conseguir um bom resultado e até mesmo a vitória. Não que não reconhecéssemos favoritismo à Selecção actualmente 2.ª classificada no ranking FIFA, mas porque Portugal, apesar de algumas debilidades que ressaltavam à vista, revelava poder para de alguma forma contrariar a ascendência que se previa em determinados períodos do jogo dos teutónicos. Mesmo a despeito de alguns dos nossos jogadores mais emblemáticos a começar por Cristiano Ronaldo, terem tido uma época terrivelmente desgastante com lesões recentes e que se punha em dúvida se conseguiriam atingir o seu verdadeiro nível.

Convicções falhadas como exuberantemente ficou demonstrado durante os 90 minutos de ontem em Salvador. Não foi preciso, aliás, esperar muito tempo para constatar essa fria realidade. A Selecção alemã que apresentou mais de meia-equipa com jogadores pertencentes aos quadros do actual campeão Bayern, demonstrou uma superioridade inquestionável e o resultado espelha bem a diferença ontem verificada entre os dois conjuntos que se defrontaram no Arena Fonte Nova. À excepção dos minutos iniciais em que se não fosse a falta de eficácia, Portugal teria inaugurado o marcador e quiçá escrever uma história diferente do jogo, sentimos que tínhamos voltado ao antigamente em que já entrávamos no terreno psicologicamente derrotados.

De facto, todos os ingredientes que costumavam apimentar esses jogos estiveram presentes, desde os erros de principiante e inadmissíveis em atletas com a experiência dos portugueses em que 10 (!) jogadores que compunham o onze inicial actuam fora de portas, passando pelo temor reverencial patenteado pelos alemães e pelo descontrolo emocional que os levou a cometer demasiados falhanços, tudo aconteceu em que, para variar, até o árbitro esteve na linha das actuações que outrora observávamos e que têm sido a imagem de marca do destrambelho da arbitragem durante as jornadas iniciais deste Campeonato do Mundo no Brasil. Mas, como é evidente, seria demasiado injusto e redundante afirmar que foi o seu trabalho que derrotou Portugal. Não, foi antes a equipa portuguesa que se derrotou a si própria, antes dos alemães terem tempo de demonstrar a sua alegada superioridade.

Sabendo-se como os portugueses reagem por impulsos e passam do 8 ao 80 e vice-versa com a maior das facilidades, não se estranha o vendaval de críticas que se abateram sem dó nem piedade sobre a Selecção portuguesa. Apesar de haver fundamentadas razões e a tentação para o fazer ser grande, pensamos que esse não é o caminho mais indicado e que melhor serve os interesses portugueses. Não é a pôr tudo em causa a pouco menos do que uma semana que se chega a algum lado com as questões laterais a ganhar particular relevância. A Selecção falhou redondamente, deve ser criticada por isso, mas deve ficar-se por aí tendo em conta que nada está perdido e vêm aí dois jogos decisivos que poderão conduzir Portugal ao objectivo imediato de atingir os oitavos-de-final da prova. Afinal o que custou não foi tanto o desaire (de alguma forma esperado), mas a forma como aconteceu aos olhos de milhões em todo o planeta e perante a satisfação bem visível do ex-Coronel que teve o seu momento de glória – conheceu, finalmente, a Senhora Merkel…

Na nossa modesta opinião o trabalho mais urgente que se torna necessário efectuar é o da recuperação psicologicamente dos jogadores que há muito não eram tão copiosamente batidos. Não propriamente devido à superioridade adversária que nunca foi testada, mas devido a sistemáticos tiros nos pés que deitaram tudo a perder num ápice. O imprescindível será todos (incluindo os adeptos) concentrarem o seu foco na próxima etapa com os Estados Unidos. E aqui não pode nem deve haver ses porque se enveredarmos por esse caminho sinuoso, começam a sobressair as dúvidas e isso leva à dispersão, à desconcentração e ao desânimo que deverão ser os principais inimigos a combater. Apesar das vozes cáusticas que sempre se fazem ouvir por estas alturas, é tempo de demonstrar que a Selecção Portuguesa não ocupa o 4.º lugar no ranking FIFA por acaso. E porque tem a obrigação de corresponder aos anseios dos portugueses e agradecer o carinho dos que do lado de lá do Atlântico fizeram questão de manifestar.










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