Ponto Vermelho
Pesadelos e reacções
18 de Junho de 2014
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Depois do que aconteceu na 2.ª feira em Salvador da Baía que terá suplantado os piores pesadelos de muitos adeptos portugueses, é evidente que se iria abater sobre a Selecção, Paulo Bento e a própria Federação um vendaval de críticas. Faz parte do nosso tradicional exagero e não há muito a fazer. E convenhamos, em parte justificadas porque o que aconteceu foi mau de mais para ser verdade. É certo que em futebol tudo pode acontecer e a nossa vizinha Espanha transportando consigo o título de Campeã do Mundo e da Europa não fugiu a esse destino negro.

Mantemos que na véspera de um jogo decisivo não será agora o tempo correcto para avaliações aprofundadas e alegados erros estratégicos cometidos por toda a estrutura. Ninguém está livre de os cometer e certamente eles foram cometidos – na planificação dos jogos de preparação, na deslocação aos Estados Unidos que muita gente não entendeu, na chegada tardia ao Brasil, nas convocatórias (em que a Direcção federativa não terá feito tudo para repescar alguns jogadores que tinham abandonado a Selecção por diferentes motivos e que seriam úteis), na permissão do excessivo culto da personalidade de Cristiano Ronaldo e, finalmente, na estruturação da equipa pelo Seleccionador, tendo em conta o desgaste e as lesões de vários jogadores importantes que não permitiram o desenvolvimento normal do seu trabalho e nas suas performances em campo nos últimos tempos.

Paulo Bento que tem na teimosia uma das suas principais características, resolveu apostar num determinado naipe de jogadores que o têm acompanhado desde que é Seleccionador. Faz parte das suas prerrogativas e a questão que se coloca é se eles têm correspondido cabalmente ao que deles se espera. Pelos vistos têm-no satisfeito porquanto mantem inalterável a sua aposta. Como em tudo na vida está sujeito ao escrutínio e às críticas mas isso faz sempre parte do cenário independentemente de quem seja o ocupante do lugar. É sempre a ditadura dos resultados que estabelece a graduação das opiniões em torno do Seleccionador.

Acresce que, depois de anos e anos de vil tristeza (intercalados com honrosas excepções) em que Portugal ficava quase sempre de fora dos principais eventos futebolísticos, a partir de 2002 deu o salto qualitativo e passou a estar sempre presente e a bater-se praticamente de igual para igual com as melhores equipas. E tal como num clube, os adeptos da Selecção foram aumentando o seu grau de exigência e têm muita dificuldade em aceitar situações como a ocorrida na 2.ª Feira. Não tanto pela derrota que seria normal tendo em conta a natureza do opositor, mas pela pobreza da exibição e da sucessão de erros inadmissíveis em alta competição.

Na fase de apuramento da qual saímos por cima in-extremis num grupo acessível que justificava o 1.º lugar e depois de resultados impensáveis, já tinha permitido perceber que algo tinha que ser feito e esse algo tem a ver com a fase da imprescindível renovação de valores. É certo que como tem sido insistentemente referido, o quadro de jogadores seleccionáveis não é vasto, sobretudo em determinados lugares específicos como por exemplo o de ponta-de-lança onde há muito existe uma gritante falta de novos jogadores com valor suficiente para a Selecção. Mas isso nem sempre justifica a aposta em jogadores que em nosso modesto entender não têm valor suficiente para envergar a camisola das quinas. Para além dos que caminham para o ocaso da carreira.

No rescaldo de 2.ª Feira são 4 os jogadores que estão impedidos de dar o seu contributo à equipa. Paulo Bento vai pois ser forçado a fazer alterações, restando saber até que ponto a sua decisão vai ser conservadora nos jogadores que os irão substituir por um lado, e se aproveita para promover mais uma ou outra alteração dado que há jogadores nitidamente cansados e fora de forma. Mais uma vez terá a palavra tendo em conta que desta vez é decisivo e não deixa qualquer margem para especulações pois só a vitória nos satisfaz. Por aquilo que vimos dos Estados Unidos não vai ser tarefa fácil porque têm uma defesa sólida e estão moralizados pela vitória sobre o outro concorrente do grupo. Confiamos que Paulo Bento terá extraído as devidas ilacções e os jogadores sabem que têm que jogar muito mais e com cabeça para poderem alcançar o objectivo. É preciso que não se deixem abater e reajam para atenuarem as críticas impediosas que sobre eles se abateram.








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