Ponto Vermelho
Fundos & Fundos… I
19 de Junho de 2014
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Por EagleView

1. Tenho a impressão que vou reviver em 2014/15 as últimas cinco temporadas dos anos 70! O SL Benfica tem de vencer o Bicampeonato para dar significado histórico à 33.ª conquista em 2013/14. Que não pode significar o que significam os títulos de 1993/94, 2004/05 e 2009/10. Interromper Bis, Tris, Tetras e tretas do FCP, mas sim iniciar sequências compostas de dois ou três campeonatos consecutivos para o Glorioso! O FC Porto vai mexer todos os cordelinhos para não permitir ao Benfica o perigoso ressurgimento com a conquista de mais de um título em sequência, tal como foi conseguido desde que o actual presidente do FCP é... presidente - títulos isolados: 1986/87, 1988/89, 1990/91, 1993/94, 2004/05 e 2009/10.

2. O Sporting CP percebe que já não tem capacidade financeira (como SLB e FCP), nem capacidade de influenciar entidades ou manipular resultados (como o FCP) e vai ser obrigado a prometer o título - o 2.º lugar em 2013/14 foi bom, mas um 3.º dava expectativas mais baixas - mas enquanto promete o título impossível - terá que ultrapassar, em simultâneo, não um mas dois clubes com mais condições - vai criar manobras de diversão para justificar a falta de dimensão. Vai ser um fartote, logo na pré-época de Julho a meados de Agosto. E depois com a competição a doer vai ser um festival Bruno Carvalho!

3. Nas mãos de fundos e offshores! Estando já hoje generalizado, a verdade indiscutível –é que existem jogadores do FC Porto que estão parcialmente nas mãos de empresas holandesas, luxemburguesas, inglesas e maltesas. Há 20 jogadores do Benfica no fundo de futebolistas criado pelo clube (gerido pela ESAF do Grupo Espírito Santo), e o Sporting cedeu percentagens dos direitos económicos de 15 jogadores ao seu fundo (também gerido pela ESAF) e de 7 a um fundo sediado na Irlanda. Esta é uma realidade cada vez mais frequente no futebol português e, numa altura, em que se discute o recurso a este instrumento que serve para obter liquidez, o jornal Público fez um levantamento dos principais parceiros dos três grandes.

4. Um dos negócios mais curiosos envolve João Moutinho. O FC Porto comprou o passe do médio ao Sporting em Julho de 2010 por 11 milhões de euros e três meses depois vendeu 37,5% a uma empresa holandesa chamada Mamers B.V, por 4,125 milhões. Segundo os dados obtidos pelo Público na base de dados de empresas D&B, esta sociedade é detida por uma fundação (Stiching Mamers), cujos corpos directivos são o empresário português António Fernando Maia Moreira de Sá e o filho Flávio Moreira de Sá. O primeiro é um empresário do Norte do país com interesses na construção civil e, curiosamente, também membro suplente do Conselho Superior do FC Porto (um órgão consultivo do clube).

5. O Público questionou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para saber se existe alguma incompatibilidade, algo a que o órgão regulador respondeu negativamente: "Nessa data, António Fernando Moreira de Sá não integrava os órgãos sociais da Futebol Clube do Porto - Futebol SAD." O mesmo jornal também tentou obter uma explicação do FC Porto (que recusou responder a perguntas) e de António Moreira de Sá, que não se disponibilizou para falar sobre o assunto. As movimentações em torno do passe de João Moutinho, porém, não ficaram por aqui.

6. A dado momento (entre Outubro de 2010 e Agosto de 2011), esses 37,5% dos direitos económicos de Moutinho foram cedidos ao Soccer Invest Fund, um fundo registado na CMVM cujos nomes dos accionistas não são conhecidos publicamente (só o regulador sabe quem são). Este fundo é gerido pela MNF Gestão de Activos, uma empresa que tem entre os seus administradores João Lino de Castro, que à data da venda de Moutinho ao FC Porto era secretário da Mesa da Assembleia-Geral do Sporting e em Setembro de 2010 foi cooptado para a administração da SAD leonina, então presidida por José Eduardo Bettencourt.

7. Na sequência, em Agosto de 2011, o Soccer Invest Fund vendeu 22,5% do passe de Moutinho ao FC Porto, por 4 milhões de euros, ficando com 15%. Também aqui a CMVM recusa a existência de qualquer incompatibilidade, até porque "na data em que foi comunicada esta transacção entre o Soccer Invest Fund e a FC Porto Futebol SAD, João Lino de Castro não integrava os órgãos sociais da Sporting SAD." O Público também tentou ouvir o ex-administrador leonino, mas tal não foi também possível.

in, “Em Defesa do Benfica”)

(Continua)






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