Ponto Vermelho
Obrigações & reestruturações
21 de Junho de 2014
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Por EagleView

Por via da intricada teia de interesses alguns que pouco devem à obscuridade, o FC Porto está obrigado a vender dois dos jogadores com mercado; o defesa-central francês Ezequiel Mangala e o ponta-de-lança colombiano Jackson Martínez. E, caso esses negócios se venham a concretizar, os azuis e brancos estarão desde logo obrigados a proceder à liquidação de um empréstimo bancário de 30 milhões de euros "imediata e antecipadamente".

A necessidade de o FC Porto vender um ou dois dos seus principais activos até ao final de Junho já era conhecida, mas o relatório e contas intercalar da SAD portista, declarado recentemente à CMVM, acrescenta um novo dado: a verba da eventual venda de Mangala (a SAD detém 56,67% do passe) e de Jackson Martínez (100%) já tem destinatário conhecido, nomeadamente a liquidação de um empréstimo bancário contraído.

Segundo a informação disponibilizada pela Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, o emblema portista tem a liquidar, até ao final do mês de Outubro, um empréstimo a uma entidade bancária de 30 milhões de euros, em duas prestações: 23 milhões em julho e o restante precisamente em Outubro. Nada de surpreendente pois o FC Porto já tinha comunicado, anteriormente, que os passes daqueles dois jogadores tinham sido dados como garantia. Contudo, a atualização trimestral revela um dado adicional – a existência de uma cláusula de obrigatoriedade.

Com efeito, segundo revelam os dragões; "Caso a Empresa aliene, ceda ou transfira a propriedade dos direitos económicos dos passes dos jogadores Ezequiel Mangala e Jackson Martinez que detinha à data de abertura do financiamento antes do término da maturidade do mesmo, está obrigada a liquidá-lo imediata e antecipadamente".

Perante a necessidade de conseguir mais valias superiores a 40 milhões de euros até final de Junho, de modo a cumprir com o orçamento (o prejuízo da SAD situava-se, no fim de março, nos 38,7 milhões de euros), a SAD portista estará forçada a vender, uma vez que o saldo de mais valias neste exercício situa-se nos 10,585 milhões de euros, essencialmente pelas vendas de Atsu, Otamendi e de 25% do passe de Walter, segundo o relatório, ainda sem incluir os encaixes com Castro e Juan Iturbe. (In, DN).

Numa outra agulha nem sempre muito distante ainda que distinta, a tão badalada Controliveste está numa encruzilhada e utilizando o jargão dir-se-ia que está mesmo "à rasca". De facto, a administração da Controlinveste Conteúdos, a nova designação oficial do grupo que até há pouco tempo era liderado por Joaquim Oliveira, "quer reduzir os custos operacionais entre cinco a seis milhões de euros por ano e prepara alterações para breve em alguns dos seus produtos editoriais". Detentora de sete jornais, entre os quais, o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e O Jogo, de várias revistas, de uma estação de rádio (TSF) e de seis canais de televisão por cabo, a Controlinveste espera baixar os custos operacionais do grupo, reduzindo o tamanho dos diários, que vão também contar com um novo grafismo.

Mas a redução dos custos não se fará apenas à custa do papel. A estratégia que está a ser desenvolvida pelo grupo prevê também uma redução do número de colaboradores que ainda não está definitivamente quantificada. Mas ao que o Público conseguiu apurar, a estratégia passará por afectar um milhão de euros para despedimentos, que ocorrerão nos vários projectos editoriais. "Vamos continuar a contar com as pessoas que têm qualificação e que se encontram motivadas", disse ao mesmo jornal fonte da Controlinveste, referindo não haver ainda uma ideia do número de colaboradores a dispensar. "Há vários cenários que estão devidamente quantificados, mas não têm ainda uma força tal que possamos apontar um número já. Daqui a um mês, haverá, muito provavelmente, uma ideia", disse a mesma fonte.

As primeiras mudanças nas diferentes plataformas devem começar a surgir, ou seja, quatro meses depois de os empresários António Mosquito e Luís Montez terem entrado para o Grupo Media Controliveste. Os dois novos accionistas têm uma participação conjunta de 42,5%, (27,5% para Mosquito; e 15% para Montez). O novo plano estratégico para o grupo começou a ser desenhado a partir do momento em que ocorreu a injecção financeira proporcionada pela entrada dos novos accionistas. O reposicionamento e relançamento das marcas do grupo e a implementação de uma reestruturação interna para reduzir custos são duas das prioridades da nova administração.

O projecto de reestruturação que está em curso no Grupo de Media da Controlinveste conta com a participação das várias equipas, desde as editoriais e digitais às de distribuição marketing e comercial. A administração está a estudar mudanças relativamente a todas as unidades operacionais. O objectivo é reduzir custos e, ao mesmo tempo, tirar partido das marcas do grupo, mantendo e até melhorando a sua qualidade editorial. A estratégia que está a ser desenvolvida vai dar uma grande importância ao digital, mas o produto em papel continuará a ter uma "relevância muito grande". "A nossa aposta no digital será muito ambiciosa, mas terá de ser feita no desenvolvimento da plataforma em papel, que continua a ser um esteio na estratégia multiplataforma do grupo", declarou a mesma fonte da Controlinveste.


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