Ponto Vermelho
Uma desgraça nunca vem só...
23 de Junho de 2014
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1. Mau grado todos os indícios, insuficiências e indicações negativas transmitidas pela Selecção, para os mais optimistas existia ainda a convicção e a esperança de que seria possível dar a volta ao texto, muito embora as aspirações, face a tudo o que se tem visto, fossem depois limitadas. Fundamentavam-se no facto de que a Selecção portuguesa passa quase sempre por este tipo de calafrios e costuma reagir bem ao estímulo quando já não existe mais alternativa. Admitiam que desta vez repetir-se-ia outra vez esse cenário até porque a tarefa estava muito longe de ser impossível, antes pelo contrário. Nada disso, infelizmente sucedeu e nesse particular falhámos.

2. Tal como contra a Alemanha, os primeiros minutos foram positivos a prometerem um mar de possibilidades. Desta vez foi ainda melhor não só porque a equipa conseguiu inaugurar o marcador como manteve a sua baliza inviolada durante todos os primeiros quarenta e cinco minutos, ainda que com alguma sorte à mistura tais as ameaças adversárias. A cavalgada norte-americana que se seguiu em reacção à marcação do golo português em particular pelo flanco esquerdo da nossa defesa, puseram a nu a fragilidade da nossa capacidade reactiva e provaram que não tínhamos antídoto para a combater.

3. Quem assistiu ao jogo dos Estados Unidos com o Gana deve ter-se apercebido que o flanco direito dos norte-americanos foi um constante foco de perigo. Não se esperava, aliás, coisa diferente para o jogo com Portugal. Para além do mais, como é normal, a sua equipa técnica deve ter estudado ao pormenor a equipa portuguesa e observado que isso seria um dos seus pontos vulneráveis dado a lesão de Fábio Coentrão e a previsível adaptação de André Almeida que parecia ser um dado adquirido. Acresce que para além das suas naturais insuficiências que se agravaram com a lesão, a realidade é que as marcações à sua frente deixaram muito a desejar, forçando-o a frequentes confrontos com dois adversários abrindo brechas e propiciando lances de perigo. Ainda assim, mesmo perante esse handicap, a sua actuação acabou por não destoar da generalidade da equipa.

4. Este segundo jogo da Selecção portuguesa trouxe ao de cima uma verdade nua e crua: a equipa não parecia estar preparada para disputar um evento desta magnitude em condições tão diferentes e complexas como as que se têm verificado. Nomeadamente a variedade e amplitude do clima. Parece ser por demais notório que os jogadores do núcleo duro do Seleccionador não se apresentaram em condições físicas e de forma suficientes para enfrentar adversários que têm que lutar contra as mesmas adversidades é certo, mas que pelos vistos, terão feito melhor o trabalho de casa e revelaram outra abordagem que os ajudou a minimizar o impacto. É isso que parece ressaltar em primeira instância com a catadupa de lesões que têm assolado a nossa Selecção, mas certamente alguém muito mais abalizado estará em condições de avançar explicações plausíveis para este flagelo. Já sem falar do azar que teima em perseguir-nos…

5. De facto, para além dos erros individuais e das falhas e insuficiências de natureza técnico-táctica patenteadas, se especulássemos um pouco e entrássemos pelo caminho das comparações com outras Selecções, notar-se-iam acentuadas diferenças de andamento que se reflectem na capacidade de reacção no momento e provocam reacções positivas ou o seu contrário. Fica-se com a convicção que alguns dos jogadores portugueses já chegaram debilitados, porque recuperaram recentemente de lesões ou porque estão no limite da sua capacidade física fruto de uma época terrivelmente longa e desgastante. E quando estamos a falar dos mais influentes está tudo dito…

6. Com o empate de ontem à noite frente aos Estados Unidos e perante a conjugação de resultados, só um milagre salvará agora a Selecção portuguesa da eliminação na fase de grupos. Embora o apuramento não esteja ainda definitivamente encerrado e exista uma muito ténue luz ao fundo do túnel, não nos parece que neste momento a Selecção tenha já suficiente força anímica para reagir e lutar pelo futuro impossível. Espera-se, contudo, que na 5.ª feira contra o Gana consigam dar outra imagem de si próprios e justifiquem de algum modo a razão porque entraram neste Campeonato do Mundo no 4.º lugar do ranking da FIFA…








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