Ponto Vermelho
Nada surpreendente…
25 de Junho de 2014
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Admiram-se alguns de haver um certo masoquismo na forma de ser e de estar dos portugueses. Assiste-lhes, de facto alguma razão, se considerarmos a forma como enfatizamos os aspectos negativos, estejamos a falar de sectores da sociedade em geral ou da área que por norma abordamos – a desportiva. Mas isso tem alguma justificação pois são hábitos adquiridos há muito, criando recorrentes fatalidades que, qual lei de Murphy, se ampliam sempre no pior sentido. Não sendo totalmente determinante, é ainda assim inibidor de melhores performances sabido como a componente psíquica é importantíssima no atingir de objectivos.

Aquelas personagens bem conhecidas que têm feito a pior escola do futebol português e que se socorrem invariavelmente dos habituais pontas-de-lança na imprensa, que são sempre do contra e destilam ódio sempre que qualquer processo lhes foge ao controle, mais uma vez estão a funcionar numa lógica imediatista pois nem sequer deixam arrefecer o corpo para o enterrar naquilo que parece indiciar um claro de ajuste de contas. Compreendemos a pressa mas neste momento não é, ainda, o momento azado para o balanço e para a obtenção de explicações para de alguma forma se perceber a participação da Selecção portuguesa no Mundial.

Como tudo parece infelizmente indicar já não faltará muito, mas ainda assim o timing não deve ser antecipado pois isso poderá prejudicar a reflexão e o debate sereno e aprofundado que se torna necessário fazer no interior da Federação e em toda a estrutura da Selecção, pois de nada adianta estarmos a olhar para factos que já aconteceram e que são por isso mesmo irreversíveis. Deve-se, isso sim, reflectir sobre o que correu mal e que necessita de rápida rectificação e o que não oferecendo motivos para reparo pode, ainda assim, vir a ser melhorado. Os ensinamentos a extrair são importantes apenas para que doravante não se repitam os erros detectados, sendo o essencial olhar para o futuro que já está à espera…

Entretanto, por cá nada de verdadeiramente entusiasmante. Mas ajuda a perceber os acontecimentos do lado de lá. No fundo estamos a falar de um barco tão debilitado por lutas estéreis e fracticidas que nem sequer já consegue navegar nas águas calmas do lago quanto mais em mar encapelado. As cúpulas e a organização multifacetada do futebol português trazem-nos à memória as guerras que assolam o Mundo a que assistimos sem interrupção. Quando acaba uma começa outra. Os interesses pessoais e sectoriais sobrepôem-se a toda a hora e os dados recolhidos apontam para que não haja volta a dar no desfile que vemos passar.

Todos os factos apontam para que a próxima época não difira das anteriores. Os ingredientes estão lá todos e o piri-piri está a ser reforçado. Alguns, só conseguindo viver no caos onde se sentem como peixe na água para utilizarem as suas teses de pirilampo e assim alcançar os seus objectivos, tudo têm feito para que não vivamos noutra situação. É por isso que a sociedade, o desporto e em particular o futebol sempre viveram tempos conturbados intercalados por pequenos oásis que derivam de excepcionais conjunturas vividas pelos clubes e pela própria Selecção.

Vários casos já perfilados prometem entreter a populaça nos próximos tempos. Ilustram bem o estado de degradação a que chegou o nosso futebol com as decisões a serem tomadas de forma avulsa podendo ser alteradas a qualquer momento para albergar novos interesses. Esquemas interessantes que urge assinalar:
a) Rábula do alargamento para 18 clubes na I Liga (à boleia da decisão do CJ de reintegração do Boavista). Perda de competitividade evidente e ameaça de colisão com o calendário europeu dos principais clubes;
b) Há 1 ano os clubes decidiram (e a nosso ver bem) dividir a actual II Liga em 2 zonas (Norte e Sul). Pois bem; não é que agora esses mesmos clubes decidiram em sentido contrário voltando tudo à primeira forma? Mas não se ficaram por aí: tal como tinha acontecido para a I Liga, aproveitaram a oportunidade para aumentar o número de participantes para 24!;
c) Na Liga (ou melhor os interesses televisivos) é o que se sabe com situações caricatas e só ao alcance da falta de nível dos dirigentes que se pavoneiam por aí. Depois das concorridíssimas eleições que resultaram num imbróglio difícil e que não se sabe como irá ser resolvido, temos o Governo a legislar de forma oportuna e a abrir a possibilidade da Federação tomar conta da Liga. Mas para apimentar ainda mais a situação, temos a Liga a prometer apresentar queixa na FIFA contra a Federação que, segundo alega, violou os próprios estatutos da FIFA;
d) Finalmente mais do mesmo. Tal como no ano passado o esquema das classificações dos árbitros está de novo na ribalta e corre sérios riscos de vir a haver impugnação. Pelos vistos a situação complexa e até contraditória verificada há um ano foi momentaneamente ultrapassada mas não por completo resolvida. Não é difícil prever que vai haver de novo agitação num sector que necessitava de tranquilidade. Problemas já ele tem de sobra.

Digam lá: há alguma possibilidade de alguma vez cairmos no marasmo?








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