Ponto Vermelho
Foi-se...
26 de Junho de 2014
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1. Aconteceu o que toda a lógica indicava: Portugal disse adeus ao Campeonato do Mundo do Brasil não conseguindo o apuramento na fase de grupos tido como objectivo mínimo para uma Selecção que ocupava um honroso 4.º lugar no ranking da FIFA. Nada de surpreendente tendo em conta todas as incidências negativas que atingiram a equipa das quinas desde que pisou o relvado do Arena Fonte Nova em Salvador da Bahia.

2. Realmente não correu bem desde o início a participação da Selecção. Desde as velhas polémicas que envolveram o Seleccionador por não ter levado ao Brasil alguns jogadores tidos como imprescindíveis, passando por uma catadupa de lesões sem precedentes que atingiram a equipa do primeiro ao último jogo, tudo aconteceu e isso pesou e de que maneira no rendimento dos jogadores, sobretudo daqueles de quem se esperam sempre maravilhas. Interessante mesmo foi a evolução do discurso do capitão Cristiano Ronaldo que no início, optimista, dizia que iria ser o ano de Portugal e à beira do fim, conformista, que Portugal não passava de uma equipa mediana e que havia melhores Selecções que a nossa. Registámos.

3. As coisas são como são e se correm bem todos os exageros e disparates são minimizados mas se dão para o torto a mais pequena incidência ganha foros de acontecimento e é sobrelevada até mais não. São assim os portugueses que não têm meio termo.Concluída que foi a nossa participação, poder-se-á dizer que Portugal em traços gerais esteve aquém daquilo que a generalidade dos portugueses esperava porque falhou o seu objectivo mínimo, mas o que importa assinalar é se no cômputo geral dos três jogos, a imagem da nossa Selecção apesar do fracasso, saiu ou não beliscada.

4. Poder-se-á dizer que sim, que as expectativas sairam defraudadas em termos exibicionais e de resultados, dado que a Selecção, tendo em conta os outros componentes do grupo, tinha por obrigação ter-se apurado. O 1.º lugar era difícil porque estava reservado para a Selecção alemã, mas o 2.º era praticamente nossa obrigação alcançá-lo sem que para isso fosse necessário um esforço extra. Portugal, apesar de todas as críticas negativas que se têm abatido sobre a Selecção, tinha e tem melhor equipa que os Estados Unidos e que o Gana. Mas, como sempre, é preciso prová-lo dentro das quatro linhas e isso não aconteceu.

5. Para isso muito terá contribuído a exibição e o resultado pesado no 1.º jogo com a Alemanha que acabaram por ser determinantes e condicionaram desde logo a nossa participação na prova. A equipa acabou por dar uma pálida imagem de si mesma e do próprio futebol português que vale mais do que mostrou no Brasil. E ficou de tal maneira afectada que no jogo seguinte com os Estados Unidos que era fulcral para as nossas aspirações, a equipa claudicou em demasia acumulando erros (e lesões) que acabaram por influenciar o rendimento da equipa. Em boa verdade, houve jogadores regressados de lesões, outros fora de forma, outros ainda condicionados que não permitiram o normal desenvolvimento do jogo português. Sobretudo João Moutinho que costuma ser um pêndulo mas que desta vez esteve muito aquém daquilo que sabe e pode.

6. Resta ainda aquilatar até que ponto a excessiva obsessão por centralizar em Cristiano Ronaldo todas as despesas da Selecção não terá prejudicado o rendimento da equipa no seu todo. Provavelmente nunca se saberá mas, do nosso ponto de vista, tratou-se de uma estratégia errada que aumentou as responsabilidades do capitão (que estava diminuído fisicamente) diluindo as dos outros jogadores, e todos sabemos como os seres humanos são susceptíveis sobretudo aqueles que sendo jovens são figuras públicas e sentem-se bem a atrair as atenções…

7. Valeu este último jogo com o Gana em que na primeira parte a Selecção esteve mais próxima do seu real valor. No conjunto dos 3 jogos pode-se afirmar que terá sido o mais positivo mas isso não deu para apagar a péssima imagem do primeiro e do segundo. É preciso agora encerrar rapidamente este capítulo e concentrarmo-nos no futuro imediato e esse tem a ver com o apuramento para o Europeu de 2016. Mas, para que não voltem a acontecer as mesmas situações e os mesmos problemas, é necessário que toda a estrutura federativa sem excepção, pare e reflicta sobre todos os aspectos negativos que aconteceram e sobre o que não tendo corrido mal poderia ter corrido melhor. E, da parte do Seleccionador uma reflexão profunda para que o urgente rejuvenescimento da equipa se faça sem sobressaltos porque não havendo uma manancial de soluções há ainda assim matéria-prima para construir uma boa Selecção. Finalmente seria bom que isso fosse feito sem sobressaltos e de preferência sem bitaites, sejam eles de ressabiados ex-dirigentes ou daqueles que só têm espaço para os seus próprios clubes…






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