Ponto Vermelho
Controlinveste – A crise aperta…
27 de Junho de 2014
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Por EagleView

Na actual conjuntura económica em que ao invés do país crescer, regride apesar das estatísticas optimistas e do entusiasmo simulado por alguns pseudo-ilustres da nossa praça, empresas vão cessando a sua existência e os trabalhadores sendo paulatinamente despedidos. As que vão sobrevivendo são forçadas a empreender reestruturações, uma palavra importada que assusta de imediato pois invariavelmente está associada à extinção de postos de trabalho, a mais despedimentos e a maior crise das famílias.

São tantos os casos que já criaram habituação e já ninguém estranha. Pelo contrário, aceita-se com a resignação que nos é muito própria, quando as TV’s, as rádios ou os jornais noticiam mais uma empresa a fechar ou a ser reestruturada e mais X ou Y trabalhadores para o desemprego. Ninguém parece estar imune a esta vaga fatalista que não se sabe quando e se chegará ao fim durante a nossa existência terrena. Numa perspectiva egoísta que se compreende, cada um dos que neste momento está no activo só lhe resta esperar que não aconteça na sua empresa…

A crise chegou ao empório do empresário Joaquim Oliveira que tem sido abalado nos últimos tempos com notícias alarmantes e impensáveis. Longe vão os tempos de cavalgada da prosperidade resultante essencialmente do monopólio dos direitos televisivos e de todas as componentes que lhe estão associadas que, com habilidade negocial, necessidades prementes dos clubes e de cumplicidade em vários sectores da sociedade incluindo o político, conseguiu manter violando de forma clara e pouco transparente os direitos da concorrência. Esse dias dourados parecem estar a ser seriamente afectados, bem como, infelizmente, os trabalhadores de algumas das suas empresas que estão a ser vítimas de mais uma reestruturação.

A notícia foi dada à estampa pelo jornal Expresso no passado dia 11 sob o título: "Controliveste avança para o despedimento de 160 trabalhadores". Em termos de extremos, aquele órgão de informação avançava que o diário generalista DN seria o mais afectado pelos despedimentos enquanto o diário desportivo O Jogo seria o menos atingido. Os profissionais estariam a ser chamados um a um. Dos 160 colaboradores despedidos, 65 seriam jornalistas.

Como referido pelo Expresso, o Diário de Notícias seria o meio de comunicação social da Controlinveste mais afectado pelo programa de despedimentos. A empresa não revelou dados desagregados mas aquele semanário soube que o matutino é aquele onde mais gente seria despedida, embora todos os meios fossem afectados. O desportivo O Jogo seria o que teria menos impacto. Não seria, contudo, encerrado nenhum título da Controlinveste, que é proprietária dos jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e da rádio TSF. Ainda segundo o Expresso, o DN seria o mais afectado por ser, também, aquele que tem resultados mais negativos. João Marcelino, director deste diário, já tinha começado a falar com os trabalhadores visados no processo de redução de pessoal.

Segundo o Expresso, o Conselho de Administração da Controlinveste explicou esta medida com "a evolução negativa do mercado dos “media" e com "a acentuada quebra de receitas do sector". Para a empresa, esta seria "uma decisão estratégia de redução de custos para garantir a sustentabilidade do negócio". Desde que a nova administração tomou posse na Controlinveste, saíram já 20 profissionais após negociação. A este número somam-se mais 160, 20 deles por rescisão amigável, 140 através de despedimento coletivo. Dos 160 comunicados, 65 são jornalistas e 95 são de funções não redatoriais e de áreas não editoriais do grupo, referiu o semanário.

Conforme noticiou ainda o Expresso, no DN seriam cerca de 25 os jornalistas afetados pela restruturação e, na delegação de Lisboa do JN, outros dez. Aliás, esta estrutura do JN deixaria cair o título "delegação" e passaria apenas a ser a "secção" lisboeta. No Porto, a redação deste jornal deveria perder também mais uma dezena de profissionais. Era já esperado um programa de rescisões na Controlinveste, mas a notícia caiu como uma bomba nas redações, como pôde testemunhar o Expresso em conversa com vários profissionais da Controlinveste. Além do número em causa, o processo de saber-se a conta-gotas quem será despedido e quem será poupado iria gerar ansiedade. A lista das pessoas a despedir resulta de propostas de diretores e foi discutida pela Administração. Os gestores reuniram-se com os diretores dos órgãos de comunicação social em causa (em Lisboa e no Porto), que por sua vez se reuniram com as chefias intermédias. As 160 pessoas seriam chamadas, uma a uma. As cartas de despedimento iriam seguir para as suas casas, concluía ainda o Expresso.






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